In Taurino Araújo's Tongue: Chess, House, Time, Drama, and Kafka in "Absurd Poem"

In Taurino Araújo’s Tongue: Chess, House, Time, Drama, and Kafka in “Absurd Poem” Willis Santiago Guerra Filho Full Professor Doctor of Law, Philosophy, Communication and Semiotics, Social and Political Psychology DOI of the Portuguese original: https://doi.org/10.5281/zenodo.23841907 DOI of the English edition: https://doi.org/10.5281/zenodo.23842082 Abstract This article analyzes Poema absurdo ("Absurd Poem"), by Taurino Araújo, beginning with Willis Santiago Guerra Filho’s initial reading as communicated to the author and situating the poem within a broader poetic field. The study takes as its point of departure the scale and formal diversity of a poetic corpus exceeding three thousand pages (A caturna e outros poemas: 40 anos de poesia brasileira 1984-2024), to avoid treating a single poem as representative of the work as a whole. In dialogue with critical antecedents by Renalvo Lemos de Carvalho, Nelson Cerqueira, Lícia Soares de Souza, Mário Nelson Carvalho, Edson Reis Santana, Rinaldo Trindade, Eduardo Boaventura and Celso Cunha Neto, from Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Poema absurdo is approached as an intensive field for observing recurrent operations: transfers of agency, expansion of semantic competencies, materialization of time, memory of matter, and crossings among everyday, legal, poetic, and fantastic lexicons. The analysis is organized around the axes of chess, house, time, and drama. The double meaning of the Portuguese word casa links dwelling and chessboard; the chickpea moves from categorical intruder to player; the clock acquires a right to defense; Sundays can drip; empty portraits grow old; roof tiles remember. In this context, O pendor ao drama — Tributo a Franz Kafka (The Tendency toward Drama — Tribute to Franz Kafka) functions as an intrapoetic antecedent and counterpoint, demonstrating the return of the old man, checkmate, the house that becomes more than a house, judgment, evidence, witness, exit, and the youthful goblin. Willis Santiago Guerra Filho’s reading provides the immediate hermeneutic axis: the poem is remarkable, dense, marked by a highly refined surrealist and existential atmosphere, and brings together time, memory, and the impossibility of escaping one’s own past; the double meaning of casa turns lived space into the very chessboard of existence, while the game ultimately dissolves into time and memory, making victory and defeat irrelevant. From these recurrences, the article proposes the hypothesis of a “Taurino tongue”: not a homogeneous language for the entire three-thousand-page corpus, but rather a poetic grammar of competencies in which words, objects, times, and beings retain their identity while becoming capable of doing what, outside the poem, would not belong to them. Absurdity, therefore, does not abolish coherence: it institutes another order of admissibility, marked by the persistence of the past and by the difficulty of distinguishing ending from continuity. Keywords: Taurino Araújo; Poema absurdo; poetics of the absurd; Taurino tongue; house; chess; time; Franz Kafka. Resumo Este artigo analisa o Poema absurdo, de Taurino Araújo, a partir da leitura inicial de Willis Santiago Guerra Filho comunicada ao autor e de sua inserção em um campo poético e fortuna crítica mais amplos. O estudo parte da extensão e da diversidade formal de uma produção poética superior a três mil páginas (A caturna e outros poemas: 40 anos de poesia brasileira 1984-2024) para evitar que um único poema seja tomado como representação total da obra. Em diálogo com antecedentes críticos de Renalvo Lemos de Carvalho, Nelson Cerqueira, Lícia Soares de Souza, Mário Nelson Carvalho, Edson Reis Santana, Rinaldo Trindade, Eduardo Boaventura e Celso Cunha Neto, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) propõe-se compreender o Poema absurdo de Taurino Araújo como campo intensivo de observação de operações recorrentes: transferência de agência, ampliação de competências semânticas, materialização do tempo, memória da matéria e cruzamento entre léxicos cotidianos, jurídicos, poéticos e fantásticos. A análise organiza-se pelos eixos do xadrez, da casa, do tempo e do drama. O duplo sentido de “casa” articula habitação e tabuleiro; o grão-de-bico passa de intruso categorial a jogador; o relógio adquire direito à defesa; domingos podem pingar; retratos vazios envelhecem; telhas lembram. Nesse contexto, O pendor ao drama — Tributo a Franz Kafka funciona como antecedente intrapoético e contraponto, a demonstrar o retorno do homem antigo, o xeque-mate, a casa que se torna mais que casa, a sentença, a prova, a testemunha, a saída e o juvenil duende. A leitura de Willis Santiago Guerra Filho fornece o eixo hermenêutico imediato: o poema é notável, denso, de atmosfera surrealista e existencial muito refinada, e articula tempo, memória e impossibilidade de fugir ao próprio passado; a duplicidade de “casa” converte o espaço vivido em tabuleiro da existência, enquanto o jogo termina por dissolver-se no tempo e na memória, tornando vitória e derrota irrelevantes. A partir dessas recorrências, formula-se a hipótese de uma “língua de Taurino”: não uma língua homogênea para todo o corpus de 3.000 páginas, antes uma gramática poética de competências na qual palavras, objetos, tempos e seres conservam sua identidade enquanto passam a fazer aquilo que, fora do poema, não lhes competiria. O absurdo, assim, não elimina a coerência: institui outra ordem de admissibilidade, marcada pela persistência do passado e pela dificuldade de distinguir fim e continuidade. Palavras-chave: Taurino Araújo; Poema absurdo; poética do absurdo; língua de Taurino; casa; xadrez; tempo; Franz Kafka.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research)
Published
2026-10-31
DOI
https://doi.org/10.5281/zenodo.23842081
Primary Topic
Literature, Culture, and Criticism
Type
preprint
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preprint

In Taurino Araújo's Tongue: Chess, House, Time, Drama, and Kafka in "Absurd Poem"

Willis Santiago Guerra Filho
Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research)
Literature, Culture, and Criticism
preprint

In Taurino Araújo's Tongue: Chess, House, Time, Drama, and Kafka in "Absurd Poem"

Willis Santiago Guerra Filho
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In Taurino Araújo’s Tongue: Chess, House, Time, Drama, and Kafka in “Absurd Poem” Willis Santiago Guerra Filho Full Professor Doctor of Law, Philosophy, Communication and Semiotics, Social and Political Psychology DOI of the Portuguese original: https://doi.org/10.5281/zenodo.23841907 DOI of the English edition: https://doi.org/10.5281/zenodo.23842082 Abstract This article analyzes Poema absurdo ("Absurd Poem"), by Taurino Araújo, beginning with Willis Santiago Guerra Filho’s initial reading as communicated to the author and situating the poem within a broader poetic field. The study takes as its point of departure the scale and formal diversity of a poetic corpus exceeding three thousand pages (A caturna e outros poemas: 40 anos de poesia brasileira 1984-2024), to avoid treating a single poem as representative of the work as a whole. In dialogue with critical antecedents by Renalvo Lemos de Carvalho, Nelson Cerqueira, Lícia Soares de Souza, Mário Nelson Carvalho, Edson Reis Santana, Rinaldo Trindade, Eduardo Boaventura and Celso Cunha Neto, from Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Poema absurdo is approached as an intensive field for observing recurrent operations: transfers of agency, expansion of semantic competencies, materialization of time, memory of matter, and crossings among everyday, legal, poetic, and fantastic lexicons. The analysis is organized around the axes of chess, house, time, and drama. The double meaning of the Portuguese word casa links dwelling and chessboard; the chickpea moves from categorical intruder to player; the clock acquires a right to defense; Sundays can drip; empty portraits grow old; roof tiles remember. In this context, O pendor ao drama — Tributo a Franz Kafka (The Tendency toward Drama — Tribute to Franz Kafka) functions as an intrapoetic antecedent and counterpoint, demonstrating the return of the old man, checkmate, the house that becomes more than a house, judgment, evidence, witness, exit, and the youthful goblin. Willis Santiago Guerra Filho’s reading provides the immediate hermeneutic axis: the poem is remarkable, dense, marked by a highly refined surrealist and existential atmosphere, and brings together time, memory, and the impossibility of escaping one’s own past; the double meaning of casa turns lived space into the very chessboard of existence, while the game ultimately dissolves into time and memory, making victory and defeat irrelevant. From these recurrences, the article proposes the hypothesis of a “Taurino tongue”: not a homogeneous language for the entire three-thousand-page corpus, but rather a poetic grammar of competencies in which words, objects, times, and beings retain their identity while becoming capable of doing what, outside the poem, would not belong to them. Absurdity, therefore, does not abolish coherence: it institutes another order of admissibility, marked by the persistence of the past and by the difficulty of distinguishing ending from continuity. Keywords: Taurino Araújo; Poema absurdo; poetics of the absurd; Taurino tongue; house; chess; time; Franz Kafka. Resumo Este artigo analisa o Poema absurdo, de Taurino Araújo, a partir da leitura inicial de Willis Santiago Guerra Filho comunicada ao autor e de sua inserção em um campo poético e fortuna crítica mais amplos. O estudo parte da extensão e da diversidade formal de uma produção poética superior a três mil páginas (A caturna e outros poemas: 40 anos de poesia brasileira 1984-2024) para evitar que um único poema seja tomado como representação total da obra. Em diálogo com antecedentes críticos de Renalvo Lemos de Carvalho, Nelson Cerqueira, Lícia Soares de Souza, Mário Nelson Carvalho, Edson Reis Santana, Rinaldo Trindade, Eduardo Boaventura e Celso Cunha Neto, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) propõe-se compreender o Poema absurdo de Taurino Araújo como campo intensivo de observação de operações recorrentes: transferência de agência, ampliação de competências semânticas, materialização do tempo, memória da matéria e cruzamento entre léxicos cotidianos, jurídicos, poéticos e fantásticos. A análise organiza-se pelos eixos do xadrez, da casa, do tempo e do drama. O duplo sentido de “casa” articula habitação e tabuleiro; o grão-de-bico passa de intruso categorial a jogador; o relógio adquire direito à defesa; domingos podem pingar; retratos vazios envelhecem; telhas lembram. Nesse contexto, O pendor ao drama — Tributo a Franz Kafka funciona como antecedente intrapoético e contraponto, a demonstrar o retorno do homem antigo, o xeque-mate, a casa que se torna mais que casa, a sentença, a prova, a testemunha, a saída e o juvenil duende. A leitura de Willis Santiago Guerra Filho fornece o eixo hermenêutico imediato: o poema é notável, denso, de atmosfera surrealista e existencial muito refinada, e articula tempo, memória e impossibilidade de fugir ao próprio passado; a duplicidade de “casa” converte o espaço vivido em tabuleiro da existência, enquanto o jogo termina por dissolver-se no tempo e na memória, tornando vitória e derrota irrelevantes. A partir dessas recorrências, formula-se a hipótese de uma “língua de Taurino”: não uma língua homogênea para todo o corpus de 3.000 páginas, antes uma gramática poética de competências na qual palavras, objetos, tempos e seres conservam sua identidade enquanto passam a fazer aquilo que, fora do poema, não lhes competiria. O absurdo, assim, não elimina a coerência: institui outra ordem de admissibilidade, marcada pela persistência do passado e pela dificuldade de distinguir fim e continuidade. Palavras-chave: Taurino Araújo; Poema absurdo; poética do absurdo; língua de Taurino; casa; xadrez; tempo; Franz Kafka.

Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research)
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (BR)
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