Fontes para uma terceira margem: Luiza do Valle e a multiplicidade do ser indígena na Ditadura Militar
Resumen Este artigo analisa a carta enviada em 1975 por Luiza do Valle, indígena Tupi e funcionária da FUNAI, ao Comando da 4ª Brigada de Infantaria, arquivada pela Assessoria de Segurança e Informações da FUNAI (ASI-FUNAI). A partir desse documento e de fontes complementares do Arquivo Nacional, do Museu do Índio e do Armazém Memória, reconstrói-se a trajetória de uma família indígena que atuou durante décadas dentro do aparato indigenista estatal, entre o Serviço de Proteção aos Índios e a Fundação Nacional do Índio. Mobilizando o conceito de “terceira margem”, inspirado em Guimarães Rosa, o estudo questiona as interpretações dicotômicas (resistência/colaboração) que dominam a historiografia sobre a história indígena na Ditadura Militar brasileira (1964–1985). A análise revela a dependência estrutural do indigenismo em relação a agentes indígenas, a continuidade da violência fundiária sobre populações racializadas e as formas de agência exercidas por uma mulher indígena dentro do sistema que a subordinava.
Authors
- Hygor Mesquita Faria
- Carlos Benítez Trinidad (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4731-8599)
Institutions
- Universidade Federal de Juiz de Fora (BR)
- Universidad de Salamanca (ES)
- Universidade de Santiago de Compostela (ES)
Publication Details
- Journal
- Latin American Research Review
- Published
- 2026-10-22
- DOI
- https://doi.org/10.1017/lar.2026.10166
- Primary Topic
- Indigenous Cultures and History
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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