A autoperceção do envelhecimento e as tecnologias digitais: entre a inadequação e a agência
A sociedade portuguesa está envelhecendo e se tornando cada vez mais digitalizada. Segundo dados do Instituto PORDATA, a população idosa em Portugal tem crescido mais de dois por cento ao ano, tornando o país o segundo mais envelhecido da Europa e o quarto do mundo. Por outro lado, os serviços da administração pública e privada vêm investindo na digitalização e na dataficação, especialmente desde a pandemia de Covid- 19, como forma de oferecer mais agilidade e redução de custos na prestação de informações e serviços (Rosales et al., 2023). Com o objetivo de identificar os desafios e preconceitos enfrentados pela população portuguesa envelhecida diante da digitalização, realizamos think tanks com dois grupos de idosos, um em Oeiras (região metropolitana de Lisboa) e outro na Covilhã (no interior de Portugal). A análise das sessões demonstrou a presença do idadismo digital como um traço sociocultural transversal aos contextos analisados, mas, ao mesmo tempo, revelou que as maneiras como as pessoas envelhecidas reagem aos preconceitos e estereótipos de idade podem ser diversos e oscilam entre o sentimento de inadequação decorrente da exclusão digital e a avaliação crítica como expressão de uma agência política que questiona a digitalização compulsória da vida social.
Authors
- Eduardo Prado Cardoso (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8050-334X)
- Elizângela Carvalho Noronha
Institutions
- Universidade Católica Portuguesa (PT)
Publication Details
- Journal
- SHILAP Revista de lepidopterología
- Published
- 2026-01-20
- DOI
- https://doi.org/10.34632/diffractions.2026.18102
- Primary Topic
- Technology Use by Older Adults
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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