uma desleitura de Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado
O artigo sustenta que, na era do Antropoceno, o romance Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, pode ser alvo de uma desleitura irônica que subverte sua interpretação tradicional, tanto marxista quanto liberal. A oposição entre o Coronel Ramiro Bastos e Mundinho Falcão já não representa o famigerado embate entre tradição e modernidade, mas passa a simbolizar a tensão entre duas modalidades de vida social: uma enraizada na comunidade e no ambiente natural (o jardim), e outra orientada para a globalização econômica (a dragagem da barra). Embora equivocada, essa releitura reflete uma ambiência marcada pela melancolia e pelo desencanto, na qual o progresso econômico deixa de ser visto como um vetor de desenvolvimento e passa a ser interpretado como um agente de destruição ambiental e de erosão das formas autênticas de vida social.
Authors
- José Luís Toivola Câmara Leme (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8520-6881)
Publication Details
- Journal
- Portuguese National Funding Agency for Science, Research and Technology (RCAAP Project by FCT)
- Published
- 2025-09-12
- Primary Topic
- Sociology and Education in Brazil
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
- 0.00