“Não defender o indefensável”: elementos para uma abordagem cosmopolítica e antirracista da saúde pública no fim do mundo

Resumo No marco de crescentes discussões sobre descolonização no campo da saúde, este ensaio tem como objetivo apresentar um repertório conceitual mobilizado pela relação entre proposição cosmopolítica, disputas pelo cuidado, poética negra feminista e debates sobre o fim-do-mundo. Argumenta-se que há um forte constrangimento dos limites imaginativos do campo e isso não é um problema técnico, de financiamento nem ideológico. Para possibilitar reorganizações mais contundentes de luta democrática hoje, parece preciso um processo de desmontagem e experimentação de possibilidades de reorganização epistêmico-política e administrativa. Tomando como base um processo maior de pesquisa antropológica com pessoas, redes e territórios que, de formas diversas, experimentam a saúde pública (o Estado, os direitos, a ciência e a modernidade) a uma certa distância e com desconfiança, este ensaio oferece recursos férteis para ajudar nas necessárias reformulações da saúde pública/coletiva e repensar processos formativos, de produção de conhecimento e, potencialmente, de reorganização político administrativa. A possibilidade especulativa que se abre é a de aventurar-se a ver e recriar com e desde múltiplas diversas perspectivas, adotando de início a multiplicidade ontológica de sujeitos/mundos/relações à/da saúde, a multiplicidade epistêmica e a multiplicidade de práxis e especulações políticas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Saúde e Sociedade
Published
2025-01-01
DOI
https://doi.org/10.1590/s0104-12902025240788pt
Primary Topic
Race, Identity, and Education in Brazil
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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“Não defender o indefensável”: elementos para uma abordagem cosmopolítica e antirracista da saúde pública no fim do mundo

José Miguel Nieto Olivar
Saúde e Sociedade
Race, Identity, and Education in Brazil
article

“Não defender o indefensável”: elementos para uma abordagem cosmopolítica e antirracista da saúde pública no fim do mundo

José Miguel Nieto Olivar
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Abstract

Resumo No marco de crescentes discussões sobre descolonização no campo da saúde, este ensaio tem como objetivo apresentar um repertório conceitual mobilizado pela relação entre proposição cosmopolítica, disputas pelo cuidado, poética negra feminista e debates sobre o fim-do-mundo. Argumenta-se que há um forte constrangimento dos limites imaginativos do campo e isso não é um problema técnico, de financiamento nem ideológico. Para possibilitar reorganizações mais contundentes de luta democrática hoje, parece preciso um processo de desmontagem e experimentação de possibilidades de reorganização epistêmico-política e administrativa. Tomando como base um processo maior de pesquisa antropológica com pessoas, redes e territórios que, de formas diversas, experimentam a saúde pública (o Estado, os direitos, a ciência e a modernidade) a uma certa distância e com desconfiança, este ensaio oferece recursos férteis para ajudar nas necessárias reformulações da saúde pública/coletiva e repensar processos formativos, de produção de conhecimento e, potencialmente, de reorganização político administrativa. A possibilidade especulativa que se abre é a de aventurar-se a ver e recriar com e desde múltiplas diversas perspectivas, adotando de início a multiplicidade ontológica de sujeitos/mundos/relações à/da saúde, a multiplicidade epistêmica e a multiplicidade de práxis e especulações políticas.

Saúde e SociedadeVol. 34(3)
Universidade de São Paulo (BR), Universidade Brasil (BR)
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Race, Identity, and Education in Brazil
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