Quando Canta o Mbira'ká

Este estudo apresenta uma reflexão acerca de meu percurso apoiado na Musicoterapia Social e Comunitária nas rodas de mulheres. A partir da musicalidade e do cuidado que devém do gesto afetivo, do cantar poético-ancestral indígena, da palavra sentida e entoada coletivamente, discorro sobre aspectos importantes à minha prática, cujo sentido e relevância buscam referências que anseiam por desconstruir estereótipos impostos ao saber sonoro-musical originário. Esse escrito tem caráter qualitativo e apoia-se em pesquisas de cultura imaterial que se transmitem de geração em geração por meio da oralidade e da memória, a partir da literatura de informação e textos relacionados. São apresentadas reflexões e propostas para as vivências musicoterapêuticas realizadas naroda de mulheres, que considerem, particularmente, a diversidade cultural e promovam a validação de saberes comunitários. Comentário Editorial Nósnos identificamos com as perguntas que Silviane nos traz, escritas em primeira pessoa: Como posso criar espaços de cuidado baseados em práticas não hegemônicas? Como posso ser um profissional de saúde mental sem levar em conta as questões de raça, gênero e classe social? Como os programas de musicoterapia (de graduação e pós-graduação) reconhecem as subjetividades das pessoas negras, indígenas e periféricas? Como é ser estudante e desenvolver uma carreira profissional quando não se sente representado nos espaços de formação e de trabalho? Estamos abertos a outros conhecimentos, de outras culturas, ou estamos presos a uma linguagem que não nos permite propor ou imaginar novas possibilidades de ligação entre as pessoas e com o seu ambiente?Pensamos que a autora desafia, com essas perguntas, muitas das posições de privilégio que naturalizamos diariamente. E nos leva a refletir não apenas com nossas ferramentas analíticas, mas também dando espaço aos conhecimentos e experiências ancestrais, míticos e também poéticos.

Authors

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Publication Details

Journal
Voices A World Forum for Music Therapy
Published
2025-11-03
DOI
https://doi.org/10.15845/voices.v25i3.4579
Primary Topic
Indigenous Studies in Latin America
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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Quando Canta o Mbira'ká

Silviane Valle
Voices A World Forum for Music Therapy
Indigenous Studies in Latin America
article

Quando Canta o Mbira'ká

Silviane Valle
article en

Abstract

Este estudo apresenta uma reflexão acerca de meu percurso apoiado na Musicoterapia Social e Comunitária nas rodas de mulheres. A partir da musicalidade e do cuidado que devém do gesto afetivo, do cantar poético-ancestral indígena, da palavra sentida e entoada coletivamente, discorro sobre aspectos importantes à minha prática, cujo sentido e relevância buscam referências que anseiam por desconstruir estereótipos impostos ao saber sonoro-musical originário. Esse escrito tem caráter qualitativo e apoia-se em pesquisas de cultura imaterial que se transmitem de geração em geração por meio da oralidade e da memória, a partir da literatura de informação e textos relacionados. São apresentadas reflexões e propostas para as vivências musicoterapêuticas realizadas naroda de mulheres, que considerem, particularmente, a diversidade cultural e promovam a validação de saberes comunitários. Comentário Editorial Nósnos identificamos com as perguntas que Silviane nos traz, escritas em primeira pessoa: Como posso criar espaços de cuidado baseados em práticas não hegemônicas? Como posso ser um profissional de saúde mental sem levar em conta as questões de raça, gênero e classe social? Como os programas de musicoterapia (de graduação e pós-graduação) reconhecem as subjetividades das pessoas negras, indígenas e periféricas? Como é ser estudante e desenvolver uma carreira profissional quando não se sente representado nos espaços de formação e de trabalho? Estamos abertos a outros conhecimentos, de outras culturas, ou estamos presos a uma linguagem que não nos permite propor ou imaginar novas possibilidades de ligação entre as pessoas e com o seu ambiente?Pensamos que a autora desafia, com essas perguntas, muitas das posições de privilégio que naturalizamos diariamente. E nos leva a refletir não apenas com nossas ferramentas analíticas, mas também dando espaço aos conhecimentos e experiências ancestrais, míticos e também poéticos.

Voices A World Forum for Music TherapyVol. 25(3)
Universidade de Brasília (BR)
Openalex Percentile: Top 63%
Indigenous Studies in Latin America
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