LINFOMA FOLICULAR COM APRESENTAÇÃO ATÍPICA COM MASSA BULKY EM MEMBRO INFERIOR E LINFOCELE DE DIFÍCIL MANEJO
O Linfoma Não Hodgkin Folicular é uma das doenças linfoproliferativas mais comuns, dentre as doenças consideradas indolentes. Por essa característica, nem todos os pacientes que se apresentam com este diagnóstico possuem indicação de tratamento. Os critérios GELF e o escore FLIPI-2 consideram a massa bulky (acima de 7 cm) como uma possível indicação para o tratamento sistêmico quimioterápico e condição de mau prognóstico e má predição de resposta ao tratamento, sobretudo se massas volumosas causam compressões vasculares e viscerais. A linfocele é complicação frequente de procedimentos cirúrgicos, com obstrução de drenagem linfática por compressão de vasos linfáticos, sendo rara sua associação com linfomas, mas podendo ser associada a biópsias ganglionares. Trata-se de caso de paciente de 75 anos, sexo feminino, branca, com diagnóstico de Linfoma Não Hodgkin Folicular Grau 2, em 2023, com estadiamento Ann Arbor IIIB, com estadiamento FLIPI2 de risco prognóstico alto e com 3 critérios GELF para início de tratamento imediato. Paciente apresentava como comorbidades obesidade, diabetes mellitus, hipotireoidismo e hipertensão arterial sistêmica. A biópsia confirmatória do diagnóstico se deu a partir da bióspia de massa bulky em região de coxa esquerda, de 14 cm de diâmetro. A paciente foi submetida a tratamento com quimioterapia com protocolo R-Mini-CHOP, com algumas intercorrências durante o tratamento, devido sobretudo à necessidade de drenagem linfática pela cirurgia geral e infecção secundária. Em determinada ocasião, paciente teve drenagem de mais de 3 litros de linfa e evoliu posteriormente com drenagem espontânea de linfa da lesão tumoral, que se complicou com volumosa linfocele. Foi cogitado o tratamento com embolização linfática por radiointervenção, mas seria um procedimento de difícil realização. Ao término do tratamento, houve resposta parcial, tendo necessidade de radioterapia em 17 sessões. Após a radioterapia, houve melhora significativa da linfocele e da massa em região de coxa esquerda e a paciente obteve resposta completa ao tratamento. O caso descrito ilustra uma complicação pouco frequente em pacientes portadores de doenças linfoproliferativas. A linfocele é uma complicação vista em procedimentos cirúrgicos, mas pouco vista após biópsias de massas tumorais relacionadas a doenças linfoproliferativas. Tendo em vista a massa ter um volume muito grande, o tratamento e a redução da massa, assim como a compressão cirúrgica podem ter contribuído para o surgimento da linfocele. A radioterapia foi eficaz no controle da linfocele, sem necessidade de novos tratamentos cirúrgicos ou tratamentos embólicos. Essa terapêutica é utilizada mesmo quando não associada a neoplasias.
Authors
- EB Riscarolli
- KG Frigotto
- LN Veloso
- NL Fonseca
- Renata Rodrigues (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5845-9461)
- ILS Pinto
- VRA Valviesse
- B. Alonso Santos
- ICR Diogo
- J.S. Pinto Falcão Júnior
Institutions
- Universidade Federal do Rio de Janeiro (BR)
- Instituto Nacional de Câncer - INCA (BR)
- Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104751
- Primary Topic
- Lymphoma Diagnosis and Treatment
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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