QUIMIOCINA CXCL10 COMO BIOMARCADOR DE MONITORIZAÇÃO CLÍNICA E LABORATORIAL DO ALOENXERTO RENAL

A monitorização de pacientes após o transplante renal é fundamental para preservar a estabilidade do enxerto e assegurar sua sobrevida a longo prazo. Nesse cenário, há uma demanda crescente por biomarcadores sensíveis e específicos, capazes de detectar precocemente as disfunções do enxerto e, assim, aprimorar o manejo clínico. Dentre os candidatos promissores, destaca-se a quimiocina CXCL10 (ligante 10 da quimiocina CXC), conhecida por sua ação pró-inflamatória. Essa molécula participa ativamente do recrutamento de células T com perfil Th1, favorecendo a infiltração de leucócitos e contribuindo para o desenvolvimento de lesão renal aguda. Este estudo teve como objetivo investigar o potencial da quimiocina CXCL10 como biomarcador de disfunção do aloenxerto renal, bem como sua capacidade de prever desfechos clínicos desfavoráveis em pacientes submetidos ao transplante de rim. Foram analisados marcadores inflamatórios em 69 pacientes submetidos ao transplante renal, com o objetivo de correlacionar os achados laboratoriais à função do enxerto e à evolução clínica. Os pacientes foram classificados com base no ritmo de filtração glomerular estimado (RFGe), sendo o grupo R1 composto por indivíduos com RFGe < 60 mL/min/1,73 m². Também foram categorizados de acordo com a ocorrência de desfechos clínicos desfavoráveis, definidos como: redução superior a 30% no RFGe, retorno à diálise, episódio de rejeição ou necessidade de retransplante. As concentrações séricas de CXCL10 foram determinadas por ELISA, utilizando-se o kit Human IP-10 (CXCL10) Mini TMB ELISA Kit. Pacientes do grupo R1 apresentaram níveis significativamente mais elevados de CXCL10 em comparação àqueles com RFGe≥ 60 mL/min/1,73 m² (p = 0,037). De forma semelhante, indivíduos que evoluíram para algum dos desfechos desfavoráveis também apresentaram aumento nas concentrações de CXCL10 (p = 0,024), em relação aos pacientes com evolução clínica estável. A análise da curva ROC indicou que a CXCL10 é capaz de diferenciar pacientes com e sem declínio da função renal, sendo o ponto de corte ideal 35 pg/mL, com sensibilidade de 60% e especificidade de 75%. Além disso, as concentrações de CXCL10 apresentaram correlação positiva com os níveis de creatinina sérica e com outros biomarcadores inflamatórios analisados, como o MCP-1/CCL2 e a IL-10. A quimiocina CXCL10 demonstrou bom desempenho na distinção entre pacientes com prognósticos favoráveis e desfavoráveis. Esses achados reforçam o papel promissor da CXCL10 como biomarcador no monitoramento clínico e laboratorial de pacientes transplantados renais, especialmente na previsão da deterioração do enxerto a médio e longo prazos. Tal relevância é ainda maior diante das limitações dos marcadores tradicionais, como creatinina e proteinúria, que muitas vezes não detectam precocemente alterações associadas à rejeição ou perda do enxerto. Conclui-se que os níveis plasmáticos de CXCL10, mensuráveis tanto no sangue quanto na urina, representam uma alternativa promissora para a monitorização clínica e prognóstica de pacientes transplantados renais, viabilizando abordagens terapêuticas mais personalizadas e seguras. No entanto, é fundamental a realização de estudos futuros com amostras maiores e populações mais diversas, a fim de consolidar o conhecimento atual e avaliar a aplicabilidade clínica e laboratorial do biomarcador em diferentes contextos.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105185
Primary Topic
Renal Transplantation Outcomes and Treatments
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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QUIMIOCINA CXCL10 COMO BIOMARCADOR DE MONITORIZAÇÃO CLÍNICA E LABORATORIAL DO ALOENXERTO RENAL

LV Alves, C. B. de Menezes, AP Sabino, Kaissar Farah et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Renal Transplantation Outcomes and Treatments
article

QUIMIOCINA CXCL10 COMO BIOMARCADOR DE MONITORIZAÇÃO CLÍNICA E LABORATORIAL DO ALOENXERTO RENAL

LV Alves, C. B. de Menezes, AP Sabino, Kaissar Farah, Luís Almeida Santos, SR Martins, Crislanny Regina Santos da Silva, APL Mota
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Abstract

A monitorização de pacientes após o transplante renal é fundamental para preservar a estabilidade do enxerto e assegurar sua sobrevida a longo prazo. Nesse cenário, há uma demanda crescente por biomarcadores sensíveis e específicos, capazes de detectar precocemente as disfunções do enxerto e, assim, aprimorar o manejo clínico. Dentre os candidatos promissores, destaca-se a quimiocina CXCL10 (ligante 10 da quimiocina CXC), conhecida por sua ação pró-inflamatória. Essa molécula participa ativamente do recrutamento de células T com perfil Th1, favorecendo a infiltração de leucócitos e contribuindo para o desenvolvimento de lesão renal aguda. Este estudo teve como objetivo investigar o potencial da quimiocina CXCL10 como biomarcador de disfunção do aloenxerto renal, bem como sua capacidade de prever desfechos clínicos desfavoráveis em pacientes submetidos ao transplante de rim. Foram analisados marcadores inflamatórios em 69 pacientes submetidos ao transplante renal, com o objetivo de correlacionar os achados laboratoriais à função do enxerto e à evolução clínica. Os pacientes foram classificados com base no ritmo de filtração glomerular estimado (RFGe), sendo o grupo R1 composto por indivíduos com RFGe < 60 mL/min/1,73 m². Também foram categorizados de acordo com a ocorrência de desfechos clínicos desfavoráveis, definidos como: redução superior a 30% no RFGe, retorno à diálise, episódio de rejeição ou necessidade de retransplante. As concentrações séricas de CXCL10 foram determinadas por ELISA, utilizando-se o kit Human IP-10 (CXCL10) Mini TMB ELISA Kit. Pacientes do grupo R1 apresentaram níveis significativamente mais elevados de CXCL10 em comparação àqueles com RFGe≥ 60 mL/min/1,73 m² (p = 0,037). De forma semelhante, indivíduos que evoluíram para algum dos desfechos desfavoráveis também apresentaram aumento nas concentrações de CXCL10 (p = 0,024), em relação aos pacientes com evolução clínica estável. A análise da curva ROC indicou que a CXCL10 é capaz de diferenciar pacientes com e sem declínio da função renal, sendo o ponto de corte ideal 35 pg/mL, com sensibilidade de 60% e especificidade de 75%. Além disso, as concentrações de CXCL10 apresentaram correlação positiva com os níveis de creatinina sérica e com outros biomarcadores inflamatórios analisados, como o MCP-1/CCL2 e a IL-10. A quimiocina CXCL10 demonstrou bom desempenho na distinção entre pacientes com prognósticos favoráveis e desfavoráveis. Esses achados reforçam o papel promissor da CXCL10 como biomarcador no monitoramento clínico e laboratorial de pacientes transplantados renais, especialmente na previsão da deterioração do enxerto a médio e longo prazos. Tal relevância é ainda maior diante das limitações dos marcadores tradicionais, como creatinina e proteinúria, que muitas vezes não detectam precocemente alterações associadas à rejeição ou perda do enxerto. Conclui-se que os níveis plasmáticos de CXCL10, mensuráveis tanto no sangue quanto na urina, representam uma alternativa promissora para a monitorização clínica e prognóstica de pacientes transplantados renais, viabilizando abordagens terapêuticas mais personalizadas e seguras. No entanto, é fundamental a realização de estudos futuros com amostras maiores e populações mais diversas, a fim de consolidar o conhecimento atual e avaliar a aplicabilidade clínica e laboratorial do biomarcador em diferentes contextos.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Renal Transplantation Outcomes and Treatments
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