MECANISMOS DE RESISTÊNCIA E NOVAS ABORDAGENS TERAPÊUTICAS NA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA
A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é uma neoplasia hematológica comum em indivíduos acima de 60 anos (Vakiti et al., 2024). Embora a quimioterapia seja eficaz em alguns casos, a resistência terapêutica compromete a sobrevida e as taxas de remissão. Esse obstáculo está relacionado à heterogeneidade genética das células leucêmicas, à presença de células-tronco e à resistência a fármacos (Shimony et al., 2025). No Brasil, a LMA representa um desafio constante, com altas taxas de mortalidade e acesso limitado às terapias alvo. Este estudo visa revisar os mecanismos de resistência ao tratamento na LMA com base na literatura recente e explorar novas abordagens terapêuticas, além de identificar estratégias para melhorar o prognóstico dos pacientes. Este resumo consiste em uma revisão narrativa da literatura, com foco na resistência terapêutica e nas novas abordagens no tratamento da LMA. A busca foi realizada a partir da base de dados PubMed e Governo Federal (Anvisa e sites oficiais). Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, com texto completo disponível, escritos em português ou inglês, que abordassem mecanismos moleculares, terapias alvo e resistência na LMA. Excluíram-se artigos duplicados, estudos com foco exclusivo em leucemias linfóides e revisões sistemáticas. Os estudos analisados demonstram que a resistência ao tratamento na Leucemia Mieloide Aguda (LMA) está relacionada principalmente a mutações genéticas, como as do gene FLT3, e à presença de células-tronco leucêmicas no microambiente hematopoético, que favorecem a recidiva. Cerca de 50% dos pacientes que inicialmente responderam à midostaurina perderam a mutação FLT3 na recaída, e 11% desenvolveram variantes adicionais. Com o uso do gilteritinibe, observaram-se mutações nas vias MAPK/RAS (33%) e a mutação F691L (12%), ligadas à perda de resposta. Ensaios clínicos indicam que a combinação de terapias alvo com imunoterapia pode aumentar a sobrevida em até 30%. No Brasil, a aprovação em 2022 da midostaurina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), representou um avanço importante, principalmente ao ser associada à quimioterapia convencional. Apesar das limitações ainda enfrentadas, as novas abordagens terapêuticas, baseadas no conhecimento molecular da doença, têm ampliado as possibilidades de tratamento e oferecem perspectivas mais favoráveis para o prognóstico dos pacientes.
Authors
- F de Oliveira e Reis Charro Quirino
Institutions
- Anhembi Morumbi University (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104610
- Primary Topic
- Acute Myeloid Leukemia Research
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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