ERITROCITOAFÉRESE COMO MODALIDADE TERAPÊUTICA NA ANEMIA FALCIFORME: EXPERIÊNCIA DE UM SERVIÇO AMBULATORIAL

A anemia falciforme é uma doença hereditária que causa deformidade dos glóbulos vermelhos, levando a obstruções nos vasos sanguíneos, além de diversas implicações graves, como crises de dor, danos aos órgãos e risco aumentado de infecções. Entre as intervenções terapêuticas, a eritrocitoaférese destaca-se como uma técnica eficaz para a substituição de glóbulos vermelhos falciformes por normais, reduzindo assim a incidência de complicações graves da doença. Relatar a experiência do ambulatório transfusional de um serviço privado, com programa de eritrocitoaférese terapêutica para pacientes elegíveis com antecedentes de acidente vascular cerebral, crises dolorosas de repetição ou pré operatório de cirurgias eletivas. Foi realizado estudo retrospectivo e descritivo, no período entre dezembro de 2023 a julho de 2025, com levantamento de dados quanto ao sexo, idade, raça, hematócrito, hemoglobina S, diagnóstico, histórico transfusional e intercorrências. Todas as sessões foram realizadas na máquina Spectra Optia, em acesso periférico (único ou bilateral), com status isovolumétrico. No programa de eritrocitoaférese ambulatorial foram incluídos 8 pacientes, sendo 4 com diagnóstico de anemia falciforme SS (2 gestantes, 2 com acidente vascular cerebral), 2 com S beta talassemia (2 em pré operatório de cirurgia eletiva) e 2 com hemoglobinopatia SC (1 com crises dolorosas de repetição e 1 em pré operatório), com um total de 51 procedimentos, média de 6,37 procedimentos por paciente (variando entre 1- 13 procedimentos por paciente). Em relação ao sexo, 4 pacientes eram do sexo masculino e 4 do sexo feminino, idade no último procedimento média de 25,62 anos (variando entre 17 e 30 anos), 2 de raça negra e 6 de raça branca. O hematócrito pré procedimento era em média 30,37% (variando média entre 24,50% e 33,99%) e o pós procedimento era em média 31,62% (variando média entre 30% e 35%); a hemoglobina S média pré procedimento por eletroforese de hemoglobina era de 49,23% (variando média entre 37,11% a 64%). Quanto ao histórico transfusional antes do primeiro procedimento, 2 pacientes nunca haviam recebido transfusão, 1 paciente tinha recebido 2 unidades e os demais 5 pacientes tinham antecedente de mais de 20 transfusões de hemácias. Em relação às intercorrências dos procedimentos, houve apenas 1 paciente com hipocalcemia ao final do procedimento, com necessidade de reposição parenteral de cálcio endovenoso, com melhora dos sintomas. A fisiopatologia da doença falciforme se baseia na anemia e eventos vaso- oclusivos causados pela polimerização da hemoglobina S e 5% a 10% dos pacientes entram no programa de transfusão crônica sem ou com trocas que podem ser manuais ou automatizadas para corrigir a anemia pela hemólise, os efeitos deletérios da alta concentração de HB S e, nas opções com troca, auxiliam na profilaxia da sobrecarga de ferro. A eritrocitaférese oferece benefícios significativos no tratamento da anemia falciforme, incluindo a redução de crises e complicações, manejo eficiente da sobrecarga de ferro e melhora na qualidade de vida dos pacientes. A técnica portanto, representa um avanço importante e deve ser considerada uma opção de tratamento viável e eficaz para pacientes com anemia falciforme.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105590
Primary Topic
Hemoglobinopathies and Related Disorders
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ERITROCITOAFÉRESE COMO MODALIDADE TERAPÊUTICA NA ANEMIA FALCIFORME: EXPERIÊNCIA DE UM SERVIÇO AMBULATORIAL

TC Pereira, SR Loggetto, APC Sessin, CRA Monteiro et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Hemoglobinopathies and Related Disorders
article

ERITROCITOAFÉRESE COMO MODALIDADE TERAPÊUTICA NA ANEMIA FALCIFORME: EXPERIÊNCIA DE UM SERVIÇO AMBULATORIAL

TC Pereira, SR Loggetto, APC Sessin, CRA Monteiro, RA Bento, ACA Pitol, APC Rodrigues, DE Rossetto
article en

Abstract

A anemia falciforme é uma doença hereditária que causa deformidade dos glóbulos vermelhos, levando a obstruções nos vasos sanguíneos, além de diversas implicações graves, como crises de dor, danos aos órgãos e risco aumentado de infecções. Entre as intervenções terapêuticas, a eritrocitoaférese destaca-se como uma técnica eficaz para a substituição de glóbulos vermelhos falciformes por normais, reduzindo assim a incidência de complicações graves da doença. Relatar a experiência do ambulatório transfusional de um serviço privado, com programa de eritrocitoaférese terapêutica para pacientes elegíveis com antecedentes de acidente vascular cerebral, crises dolorosas de repetição ou pré operatório de cirurgias eletivas. Foi realizado estudo retrospectivo e descritivo, no período entre dezembro de 2023 a julho de 2025, com levantamento de dados quanto ao sexo, idade, raça, hematócrito, hemoglobina S, diagnóstico, histórico transfusional e intercorrências. Todas as sessões foram realizadas na máquina Spectra Optia, em acesso periférico (único ou bilateral), com status isovolumétrico. No programa de eritrocitoaférese ambulatorial foram incluídos 8 pacientes, sendo 4 com diagnóstico de anemia falciforme SS (2 gestantes, 2 com acidente vascular cerebral), 2 com S beta talassemia (2 em pré operatório de cirurgia eletiva) e 2 com hemoglobinopatia SC (1 com crises dolorosas de repetição e 1 em pré operatório), com um total de 51 procedimentos, média de 6,37 procedimentos por paciente (variando entre 1- 13 procedimentos por paciente). Em relação ao sexo, 4 pacientes eram do sexo masculino e 4 do sexo feminino, idade no último procedimento média de 25,62 anos (variando entre 17 e 30 anos), 2 de raça negra e 6 de raça branca. O hematócrito pré procedimento era em média 30,37% (variando média entre 24,50% e 33,99%) e o pós procedimento era em média 31,62% (variando média entre 30% e 35%); a hemoglobina S média pré procedimento por eletroforese de hemoglobina era de 49,23% (variando média entre 37,11% a 64%). Quanto ao histórico transfusional antes do primeiro procedimento, 2 pacientes nunca haviam recebido transfusão, 1 paciente tinha recebido 2 unidades e os demais 5 pacientes tinham antecedente de mais de 20 transfusões de hemácias. Em relação às intercorrências dos procedimentos, houve apenas 1 paciente com hipocalcemia ao final do procedimento, com necessidade de reposição parenteral de cálcio endovenoso, com melhora dos sintomas. A fisiopatologia da doença falciforme se baseia na anemia e eventos vaso- oclusivos causados pela polimerização da hemoglobina S e 5% a 10% dos pacientes entram no programa de transfusão crônica sem ou com trocas que podem ser manuais ou automatizadas para corrigir a anemia pela hemólise, os efeitos deletérios da alta concentração de HB S e, nas opções com troca, auxiliam na profilaxia da sobrecarga de ferro. A eritrocitaférese oferece benefícios significativos no tratamento da anemia falciforme, incluindo a redução de crises e complicações, manejo eficiente da sobrecarga de ferro e melhora na qualidade de vida dos pacientes. A técnica portanto, representa um avanço importante e deve ser considerada uma opção de tratamento viável e eficaz para pacientes com anemia falciforme.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Grupo Hospitalar Conceição (BR)
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Hemoglobinopathies and Related Disorders
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