PREVALÊNCIA DA PRESENÇA DAS HEMOGLOBINAS S E C EM DOADORES DE SANGUE DO VITA HEMOTERAPIA DA BAHIA

O traço falciforme é caracterizado pela presença de hemoglobina S (HbS) em heterozigose. Estima-se que no mundo existam cerca de 30 milhões de portadores do traço falciforme e, devido ao alto grau de miscigenação que transcorre no Brasil a frequência do traço falciforme varia de 2% a 8%, de acordo com a intensidade da população negra em cada localidade. Estudos realizados em diferentes regiões do Brasil têm demonstrado que as hemoglobinas anormais S e C são as mais prevalentes. Estes indivíduos são, em grande maioria, assintomáticos e considerados aptos para doação de sangue. Determinar a prevalência do traço falciforme “AS” em doadores do banco de sangue Vita Hemoterapia da Bahia, para delineamento e melhor direcionamento do hemocomponente coletado. Foi realizado um estudo retrospectivo a partir de outubro de 2024 até julho 2025. 15.401 amostras de doadores aptos foram submetidas a triagem para presença da Hemoglobina S. Todas as amostras foram submetidas a eletroforese de hemoglobina em acetato de celulose utilizando-se tampão Tris-EDTA-Borato pH 8,5. As amostras que apresentaram hemoglobinas anormais em pH alcalino foram submetidas à eletroforese em gel de ágar ácido pH 6,2 para confirmação das hemoglobinas anormais. Das 15.401 doações de sangue analisadas no período 62% foram de homens e 38% mulheres, 10.429 (67,7%) foram doações de 1ª vez, 3.016 (19,6%) foram de doadores que efetuaram mais de uma doação durante o período de estudo e 1.956 (12,7%) foram de doadores de repetição. Dessas doações analisadas, 893 (5,8%) dos doadores apresentaram alguma hemoglobina anormal, sendo 52% do sexo feminino e 48% do sexo masculino, dos quais 582 (65,17%) hemoglobina AS, 307 (34,38%) hemoglobina AC e 4 (0,45%) hemoglobina AD. A prevalência da hemoglobina AS no sexo masculino foi de 63,06% e no sexo feminino 36,94 %, da hemoglobina AC no sexo masculino foi de 19,54% e no sexo feminino 80,46 % e da hemoglobina AD não houve diferença na proporção entre os gêneros. O perfil dos doadores com presença de hemoglobina anormal foi de doadores de primeira doação e com idade entre 30 e 49 anos. Observa-se o predomínio da hemoglobina AS (traço falcêmico) em doadores do sexo masculino e da hemoglobina AC no sexo feminino. A identificação da presença da Hemoglobina S é obrigatória pela legislação vigente. Em Salvador, na Bahia, constatou-se que o traço falcêmico foi encontrado com frequência de 7,6% a 15,9% nos afrodescendentes. Dados históricos mostram que houve grande afluxo de escravos provenientes do Oeste e centro da África, trazendo grande heterogeneidade étnica, cultural e social, além de diferenças genéticas entre os próprios indivíduos portadores da doença falciforme. A compreensão da prevalência da hemoglobina S em doadores de sangue é importante para delineamento e melhor direcionamento do hemocomponente coletado. Em relação a utilização dos Concentrados de hemácias dos doadores que apresentaram hemoglobina S positiva, optou-se por utilizar seguindo os critérios estabelecidos na legislação vigente.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105774
Primary Topic
Iron Metabolism and Disorders
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

PREVALÊNCIA DA PRESENÇA DAS HEMOGLOBINAS S E C EM DOADORES DE SANGUE DO VITA HEMOTERAPIA DA BAHIA

Elisson Lima Santos, LPD Santos, Ana Carolina Parapinski dos Santos, Sérgio Pinto de Souza et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Iron Metabolism and Disorders
article

PREVALÊNCIA DA PRESENÇA DAS HEMOGLOBINAS S E C EM DOADORES DE SANGUE DO VITA HEMOTERAPIA DA BAHIA

Elisson Lima Santos, LPD Santos, Ana Carolina Parapinski dos Santos, Sérgio Pinto de Souza, Erica da Silva Oliveira, Caio Fernando Ramalho de Oliveira, A Soares, Rosemary dos Santos, Thalyta Thayanny Santos Souza, EB Menezes
article en

Abstract

O traço falciforme é caracterizado pela presença de hemoglobina S (HbS) em heterozigose. Estima-se que no mundo existam cerca de 30 milhões de portadores do traço falciforme e, devido ao alto grau de miscigenação que transcorre no Brasil a frequência do traço falciforme varia de 2% a 8%, de acordo com a intensidade da população negra em cada localidade. Estudos realizados em diferentes regiões do Brasil têm demonstrado que as hemoglobinas anormais S e C são as mais prevalentes. Estes indivíduos são, em grande maioria, assintomáticos e considerados aptos para doação de sangue. Determinar a prevalência do traço falciforme “AS” em doadores do banco de sangue Vita Hemoterapia da Bahia, para delineamento e melhor direcionamento do hemocomponente coletado. Foi realizado um estudo retrospectivo a partir de outubro de 2024 até julho 2025. 15.401 amostras de doadores aptos foram submetidas a triagem para presença da Hemoglobina S. Todas as amostras foram submetidas a eletroforese de hemoglobina em acetato de celulose utilizando-se tampão Tris-EDTA-Borato pH 8,5. As amostras que apresentaram hemoglobinas anormais em pH alcalino foram submetidas à eletroforese em gel de ágar ácido pH 6,2 para confirmação das hemoglobinas anormais. Das 15.401 doações de sangue analisadas no período 62% foram de homens e 38% mulheres, 10.429 (67,7%) foram doações de 1ª vez, 3.016 (19,6%) foram de doadores que efetuaram mais de uma doação durante o período de estudo e 1.956 (12,7%) foram de doadores de repetição. Dessas doações analisadas, 893 (5,8%) dos doadores apresentaram alguma hemoglobina anormal, sendo 52% do sexo feminino e 48% do sexo masculino, dos quais 582 (65,17%) hemoglobina AS, 307 (34,38%) hemoglobina AC e 4 (0,45%) hemoglobina AD. A prevalência da hemoglobina AS no sexo masculino foi de 63,06% e no sexo feminino 36,94 %, da hemoglobina AC no sexo masculino foi de 19,54% e no sexo feminino 80,46 % e da hemoglobina AD não houve diferença na proporção entre os gêneros. O perfil dos doadores com presença de hemoglobina anormal foi de doadores de primeira doação e com idade entre 30 e 49 anos. Observa-se o predomínio da hemoglobina AS (traço falcêmico) em doadores do sexo masculino e da hemoglobina AC no sexo feminino. A identificação da presença da Hemoglobina S é obrigatória pela legislação vigente. Em Salvador, na Bahia, constatou-se que o traço falcêmico foi encontrado com frequência de 7,6% a 15,9% nos afrodescendentes. Dados históricos mostram que houve grande afluxo de escravos provenientes do Oeste e centro da África, trazendo grande heterogeneidade étnica, cultural e social, além de diferenças genéticas entre os próprios indivíduos portadores da doença falciforme. A compreensão da prevalência da hemoglobina S em doadores de sangue é importante para delineamento e melhor direcionamento do hemocomponente coletado. Em relação a utilização dos Concentrados de hemácias dos doadores que apresentaram hemoglobina S positiva, optou-se por utilizar seguindo os critérios estabelecidos na legislação vigente.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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