TENDÊNCIA TEMPORAL DA MORTALIDADE POR LEUCEMIA LINFOIDE INFANTOJUVENIL NO BRASIL

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) caracteriza‑se pela proliferação clonal de linfócitos imaturos, os quais ocupam grande parte da medula óssea e comprometem a hematopoese. Em crianças e adolescentes, a LLA ocupa o primeiro lugar como causa de morte. Segundo a literatura, somente em 2021 houve 53 485 novos casos de LLA em pacientes infantojuvenis. Nesse período, foram registradas 23.991 mortes em âmbito global, número que reflete o impacto acumulado da doença, abrangendo também casos diagnosticados em anos anteriores, não se limitando apenas aos novos diagnósticos. Analisar as tendências de mortalidade por leucemia infantojuvenil é essencial para avaliar a eficácia dos tratamentos, identificar desigualdades regionais e orientar a implementação de políticas públicas. Analisar a tendência temporal da mortalidade por LLA na população infantojuvenil no Brasil entre 2000 e 2023, segundo sexo e raça/cor. Trata-se de um estudo ecológico de série temporal dos óbitos por leucemia linfóide registrados no Brasil entre 2000 e 2023. Os dados de mortalidade foram obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (SIM/DATASUS), estratificados por grupos etários (0‒19 anos), sexo (masculino e feminino) e raça/cor da pele (branco, preto e pardo). As populações dos anos censitários (2000 e 2010) foram obtidas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e as estimativas para os anos intercensitários foram calculadas pelo método geométrico. Foram calculadas as taxas de mortalidade, as quais foram padronizadas pelo método direto, utilizando a população padrão do Brasil estimada para 2010 como referência. A análise de tendência temporal foi realizada utilizando modelos de regressão Joinpoint, com um nível de significância de 5%. Entre 2000 e 2023, foram registrados 11.026 óbitos por leucemia linfóide na população infantojuvenil no Brasil, dos quais 58,6% ocorreram entre indivíduos do sexo masculino e 41,4% do sexo feminino. Em ambos os sexos, observou-se predomínio de óbitos entre pessoas brancas e pardas. Entre os meninos, 52,2% dos óbitos ocorreram em brancos, 42,5% em pardos e 5,3% em pretos. Entre as meninas, 53,9% foram brancas, 41,1% pardas e 5,0% pretas. Para os meninos brancos, observou-se tendência crescente de 1,3% ao ano entre 2000 e 2013, seguida de uma redução de 2,0%. Meninos pardos exibiram aumento significativo de 12,6% ao ano entre 2000 e 2025. Entre as meninas brancas, a taxa de mortalidade aumentou em 1,2% ao ano ao longo do período. As meninas pardas também apresentaram tendência crescente de 1,1% ao ano. Os dados nacionais sobre mortalidade por LLA na população infantojuvenil quando comparados com os dados globais evidenciam a magnitude e o impacto dessa doença no contexto mundial. No Brasil, entre 2000 e 2023, registrou-se um aumento preocupante da mortalidade em meninos pardos, ao passo que meninos brancos apresentaram estabilização ou redução nesse período, sugerindo desigualdades no acesso a diagnóstico precoce e tratamento adequado. Essas disparidades persistentes reforçam que os avanços médicos ainda não beneficiaram igualmente todos os grupos populacionais. Ao comparar com o cenário global, observa-se que o país segue a tendência mundial de melhores resultados em contextos socioeconômicos mais favorecidos, enquanto outros grupos enfrentam maior risco de morte, reforçando a urgência de políticas públicas que promovam equidade no cuidado oncológico pediátrico.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105457
Primary Topic
Acute Lymphoblastic Leukemia research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

TENDÊNCIA TEMPORAL DA MORTALIDADE POR LEUCEMIA LINFOIDE INFANTOJUVENIL NO BRASIL

ME Bezerra, Luis Da Costa, Marcelo Escobar de Oliveira, SS Silva et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Lymphoblastic Leukemia research
article

TENDÊNCIA TEMPORAL DA MORTALIDADE POR LEUCEMIA LINFOIDE INFANTOJUVENIL NO BRASIL

ME Bezerra, Luis Da Costa, Marcelo Escobar de Oliveira, SS Silva, Wender Santana Carvalho, L Leticia de Paula e Silva, Marinalva Ferreira da Silva, I Zampieri, SH Nazar, Sandra Custódio
article en

Abstract

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) caracteriza‑se pela proliferação clonal de linfócitos imaturos, os quais ocupam grande parte da medula óssea e comprometem a hematopoese. Em crianças e adolescentes, a LLA ocupa o primeiro lugar como causa de morte. Segundo a literatura, somente em 2021 houve 53 485 novos casos de LLA em pacientes infantojuvenis. Nesse período, foram registradas 23.991 mortes em âmbito global, número que reflete o impacto acumulado da doença, abrangendo também casos diagnosticados em anos anteriores, não se limitando apenas aos novos diagnósticos. Analisar as tendências de mortalidade por leucemia infantojuvenil é essencial para avaliar a eficácia dos tratamentos, identificar desigualdades regionais e orientar a implementação de políticas públicas. Analisar a tendência temporal da mortalidade por LLA na população infantojuvenil no Brasil entre 2000 e 2023, segundo sexo e raça/cor. Trata-se de um estudo ecológico de série temporal dos óbitos por leucemia linfóide registrados no Brasil entre 2000 e 2023. Os dados de mortalidade foram obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (SIM/DATASUS), estratificados por grupos etários (0‒19 anos), sexo (masculino e feminino) e raça/cor da pele (branco, preto e pardo). As populações dos anos censitários (2000 e 2010) foram obtidas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e as estimativas para os anos intercensitários foram calculadas pelo método geométrico. Foram calculadas as taxas de mortalidade, as quais foram padronizadas pelo método direto, utilizando a população padrão do Brasil estimada para 2010 como referência. A análise de tendência temporal foi realizada utilizando modelos de regressão Joinpoint, com um nível de significância de 5%. Entre 2000 e 2023, foram registrados 11.026 óbitos por leucemia linfóide na população infantojuvenil no Brasil, dos quais 58,6% ocorreram entre indivíduos do sexo masculino e 41,4% do sexo feminino. Em ambos os sexos, observou-se predomínio de óbitos entre pessoas brancas e pardas. Entre os meninos, 52,2% dos óbitos ocorreram em brancos, 42,5% em pardos e 5,3% em pretos. Entre as meninas, 53,9% foram brancas, 41,1% pardas e 5,0% pretas. Para os meninos brancos, observou-se tendência crescente de 1,3% ao ano entre 2000 e 2013, seguida de uma redução de 2,0%. Meninos pardos exibiram aumento significativo de 12,6% ao ano entre 2000 e 2025. Entre as meninas brancas, a taxa de mortalidade aumentou em 1,2% ao ano ao longo do período. As meninas pardas também apresentaram tendência crescente de 1,1% ao ano. Os dados nacionais sobre mortalidade por LLA na população infantojuvenil quando comparados com os dados globais evidenciam a magnitude e o impacto dessa doença no contexto mundial. No Brasil, entre 2000 e 2023, registrou-se um aumento preocupante da mortalidade em meninos pardos, ao passo que meninos brancos apresentaram estabilização ou redução nesse período, sugerindo desigualdades no acesso a diagnóstico precoce e tratamento adequado. Essas disparidades persistentes reforçam que os avanços médicos ainda não beneficiaram igualmente todos os grupos populacionais. Ao comparar com o cenário global, observa-se que o país segue a tendência mundial de melhores resultados em contextos socioeconômicos mais favorecidos, enquanto outros grupos enfrentam maior risco de morte, reforçando a urgência de políticas públicas que promovam equidade no cuidado oncológico pediátrico.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Triângulo Mineiro (BR)
Openalex Percentile: Top 58%
Acute Lymphoblastic Leukemia research
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