IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE DOS INDICADORES DE RESERVA CIRÚRGICA NA GESTÃO DE ESTOQUE DE HEMOCOMPONENTES

A gestão eficiente de hemocomponentes é essencial para segurança transfusional e uso racional de recursos. Este estudo avalia indicadores de conformidade e utilização em reservas cirúrgicas, visando adequar protocolos ao perfil cirúrgico e à demanda real. Analisar os indicadores de conformidade das reservas cirúrgicas solicitadas e o percentual de utilização de hemocomponentes em cirurgias, com o objetivo de subsidiar a adequação de protocolos transfusionais alinhados ao perfil cirúrgico e ao consumo real de hemocomponentes. Foi analisado o panorama das cirurgias realizadas em dois hospitais particulares da cidade do Rio de Janeiro, considerando a conformidade com o protocolo de reservas cirúrgicas e seu impacto na gestão do estoque de hemocomponentes. Foram avaliados o perfil dos procedimentos (eletivos ou de emergência, e sua complexidade) e as bolsas de hemocomponentes movimentadas, utilizando indicadores de desempenho. Os dados considerados abrangem o período de janeiro a dezembro de 2024. Hospital 1 – Com 162 leitos e 9 salas cirúrgicas de alta complexidade, realizou uma média de 581 cirurgias/mês (total de 6.982 cirurgias em 2024), sendo 11% com reserva de hemocomponentes. Do total de procedimentos, 72% foram eletivos (5.027) e 28% de emergência (1.955). A média mensal de hemocomponentes movimentados foi de 136 unidades (1.632 no ano), com taxa de utilização de 12% (196 unidades). A meta de 600 cirurgias/mês foi atingida em seis meses (janeiro, maio, junho, julho, agosto e outubro). Foi observada conformidade com o protocolo de reserva em 64,9% das solicitações. Hospital 2 – Com 189 leitos e 11 salas cirúrgicas de alta complexidade, realizou média de 853 cirurgias/mês (total de 10.245), sendo 13% com reserva cirúrgica. Do total, 75% foram eletivas (7.684) e 25% de emergência (2.561). A média mensal de hemocomponentes movimentados foi de 230 unidades (2.760 no ano), com taxa de utilização de 14% (386 unidades). A meta de 800 cirurgias/mês foi alcançada em sete meses (janeiro, março, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro). A conformidade com o protocolo de reserva foi de 49%. Ambos os hospitais atendem cirurgias de alta complexidade, com múltiplas especialidades e potencial elevado de sangramento. Aproximadamente 70% dos pacientes submetidos a cirurgias tinham mais de 65 anos, e 60% apresentavam comorbidades, destacando-se doenças cardíacas e diabetes mellitus tipo 2. O percentual de conformidade com os protocolos indica conhecimento satisfatório das diretrizes. Contudo, nas solicitações fora do protocolo, observou-se tendência de superdimensionamento da reserva, possivelmente motivada pela presença de comorbidades que aumentariam a percepção de risco transfusional. Apesar disso, a taxa de utilização efetiva dos hemocomponentes (12% e 14%, respectivamente) foi baixa, indicando que o estoque disponível, mesmo com margem de segurança, excedeu o necessário para atender à demanda real. O monitoramento contínuo do perfil cirúrgico, da epidemiologia dos pacientes e do consumo real de hemocomponentes é essencial para a formulação de protocolos de reserva cirúrgica mais eficientes. Protocolos otimizados garantem a segurança transfusional necessária para procedimentos agendados e emergenciais, ao mesmo tempo em que promovem o uso racional dos recursos hemoterápicos, contribuindo para uma gestão mais eficaz do estoque e para estratégias assertivas de captação de doadores.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105905
Primary Topic
Blood transfusion and management
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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Controls
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ALL TIME
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article

IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE DOS INDICADORES DE RESERVA CIRÚRGICA NA GESTÃO DE ESTOQUE DE HEMOCOMPONENTES

V. Aguiar, LJA Figueiredo, Bárbara Maichak de Carvalho, N. N. L. SANTOS et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood transfusion and management
article

IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE DOS INDICADORES DE RESERVA CIRÚRGICA NA GESTÃO DE ESTOQUE DE HEMOCOMPONENTES

V. Aguiar, LJA Figueiredo, Bárbara Maichak de Carvalho, N. N. L. SANTOS, KT Pires
article en

Abstract

A gestão eficiente de hemocomponentes é essencial para segurança transfusional e uso racional de recursos. Este estudo avalia indicadores de conformidade e utilização em reservas cirúrgicas, visando adequar protocolos ao perfil cirúrgico e à demanda real. Analisar os indicadores de conformidade das reservas cirúrgicas solicitadas e o percentual de utilização de hemocomponentes em cirurgias, com o objetivo de subsidiar a adequação de protocolos transfusionais alinhados ao perfil cirúrgico e ao consumo real de hemocomponentes. Foi analisado o panorama das cirurgias realizadas em dois hospitais particulares da cidade do Rio de Janeiro, considerando a conformidade com o protocolo de reservas cirúrgicas e seu impacto na gestão do estoque de hemocomponentes. Foram avaliados o perfil dos procedimentos (eletivos ou de emergência, e sua complexidade) e as bolsas de hemocomponentes movimentadas, utilizando indicadores de desempenho. Os dados considerados abrangem o período de janeiro a dezembro de 2024. Hospital 1 – Com 162 leitos e 9 salas cirúrgicas de alta complexidade, realizou uma média de 581 cirurgias/mês (total de 6.982 cirurgias em 2024), sendo 11% com reserva de hemocomponentes. Do total de procedimentos, 72% foram eletivos (5.027) e 28% de emergência (1.955). A média mensal de hemocomponentes movimentados foi de 136 unidades (1.632 no ano), com taxa de utilização de 12% (196 unidades). A meta de 600 cirurgias/mês foi atingida em seis meses (janeiro, maio, junho, julho, agosto e outubro). Foi observada conformidade com o protocolo de reserva em 64,9% das solicitações. Hospital 2 – Com 189 leitos e 11 salas cirúrgicas de alta complexidade, realizou média de 853 cirurgias/mês (total de 10.245), sendo 13% com reserva cirúrgica. Do total, 75% foram eletivas (7.684) e 25% de emergência (2.561). A média mensal de hemocomponentes movimentados foi de 230 unidades (2.760 no ano), com taxa de utilização de 14% (386 unidades). A meta de 800 cirurgias/mês foi alcançada em sete meses (janeiro, março, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro). A conformidade com o protocolo de reserva foi de 49%. Ambos os hospitais atendem cirurgias de alta complexidade, com múltiplas especialidades e potencial elevado de sangramento. Aproximadamente 70% dos pacientes submetidos a cirurgias tinham mais de 65 anos, e 60% apresentavam comorbidades, destacando-se doenças cardíacas e diabetes mellitus tipo 2. O percentual de conformidade com os protocolos indica conhecimento satisfatório das diretrizes. Contudo, nas solicitações fora do protocolo, observou-se tendência de superdimensionamento da reserva, possivelmente motivada pela presença de comorbidades que aumentariam a percepção de risco transfusional. Apesar disso, a taxa de utilização efetiva dos hemocomponentes (12% e 14%, respectivamente) foi baixa, indicando que o estoque disponível, mesmo com margem de segurança, excedeu o necessário para atender à demanda real. O monitoramento contínuo do perfil cirúrgico, da epidemiologia dos pacientes e do consumo real de hemocomponentes é essencial para a formulação de protocolos de reserva cirúrgica mais eficientes. Protocolos otimizados garantem a segurança transfusional necessária para procedimentos agendados e emergenciais, ao mesmo tempo em que promovem o uso racional dos recursos hemoterápicos, contribuindo para uma gestão mais eficaz do estoque e para estratégias assertivas de captação de doadores.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Grupo Hospitalar Conceição (BR)
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Blood transfusion and management
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