INAPTIDÃO SOROLÓGICA EM DOADORES DE SANGUE DA REGIÃO NORTE E SEU IMPACTO NO ESTOQUE (2024)
A transfusão de sangue é procedimento essencial na medicina, e os hemocentros realizam triagem sorológica de doadores para garantir a segurança do receptor. No Brasil, essa triagem é obrigatória em todas as doações, contribuindo tanto para a prevenção da transmissão de infecções transfusionais quanto para o monitoramento epidemiológico regional. Para a liberação do sangue total e seus componentes, é necessário confirmar resultados não reagentes nos testes para hepatite B, hepatite C, AIDS, sífilis, doença de Chagas e infecção por HTLV I/II. Analisar a prevalência de inaptidões sorológicas em doadores de sangue da Região Norte no ano de 2024 e avaliar seu impacto no descarte de bolsas, visando subsidiar estratégias para aprimorar a segurança transfusional e reduzir perdas no estoque de hemocomponentes. Trata-se de um estudo descritivo, baseado na análise de dados secundários sobre os perfis sorológicos públicos e anônimos de doadores da Região Norte do Brasil, de 2024, obtidos no Sistema de Informação de Produção Hemoterápica – HEMOPROD (ANVISA). Foram incluídas amostras classificadas válidas, excluindo-se registros incompletos. Os dados, acessados via Power BI (Ministério da Saúde), foram analisados com ferramentas básicas, como Microsoft Excel e recursos do Power BI. Não houve necessidade de aprovação em comitê de ética. A análise dos dados sorológicos de doadores de sangue da Região Norte do Brasil de 2024 revelou que as infecções mais frequentes entre os doadores foram sífilis e hepatite B. Foram analisadas 283.364 amostras de doadores. A sífilis apresentou o maior percentual de amostras reagentes, com 1,53% (4.336 amostras), seguida pela hepatite B, com 1,28% (3.635 amostras), principalmente pelo marcador anti-HBc. Entre os estados da região norte, o Pará apresentou a maior prevalência para ambas as infecções, destacando-se como o principal contribuinte para os percentuais observados. Considerando essas duas infecções, estima-se que cerca de 7.971 bolsas de sangue foram potencialmente descartadas devido às inaptidões sorológicas, o que representa aproximadamente 2,81% do total de amostras analisadas. Esses dados apontam para a prevalência dessas infecções na população doadora, reforçando a importância do monitoramento epidemiológico e da triagem sorológica rigorosa. Em comparação com estados como Amazonas e Amapá, que apresentam menor prevalência dessas infecções, destaca-se a influência de fatores sociais e estruturais no perfil sorológico dos doadores. A predominância de doadores de reposição que doam para repor sangue usado por conhecidos em áreas de maior prevalência pode aumentar a taxa de resultados reagentes, pois esse grupo apresenta maior risco sorológico em relação aos voluntários regulares. Isso reforça a necessidade de ampliar a doação voluntária, que está associada a menor prevalência de marcadores infecciosos e maior segurança transfusional, evidenciando a necessidade de políticas públicas focadas em educação e incentivo à doação voluntária. Os dados mostram a necessidade de estratégias mais eficazes para garantir a qualidade dos hemocomponentes, reduzir descartes por sorologia e aprimorar a triagem clínica. Também destacam a importância de mudar o comportamento dos doadores, evitando doações motivadas pela busca por testes diagnósticos, para aumentar a segurança transfusional. Este estudo contribui para qualificar os processos e promover uma hemoterapia mais segura na Região Norte.
Authors
- MK Palmeira
- Y. F. da Silva
- Maria Clara Vidigal Santana (ORCID: https://orcid.org/0009-0005-6620-5310)
- C.A.G. Lima
- LI Yamaga
Institutions
- Faculdade Metropolitana de Manaus
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105820
- Primary Topic
- Blood donation and transfusion practices
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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