LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B COM APRESENTAÇÃO CLÍNICA ATÍPICA: RELATO DE CASO

O linfoma mamário primário (LMP) do subtipo Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB) é um tipo raro de linfoma Não-Hodgkin com baixa taxa de sobrevida. Reconhecer suas características clínicas, epidemiológicas, fisiopatológicas e abordagens terapêuticas é de extrema importância. Paciente, 61 anos, feminina, encaminhada à hematologia após surgimento de lesão única úlcerada que abrangia toda a mama direita, com saída de secreção serohematica, sem outros sintomas associados. Anatomopatológico mostrou proliferação epitelial atípica de permeio a áreas necróticas e imunohistoquímica com os seguintes marcadores positivos: CD20, CD45 e Ki-67 90% e negativo para: BCL6, CD3, TDT, CD5 e cíclica D1, compatível com diagnóstico de linfoma não Hodgkin B de alto grau. Considerando a apresentação e topografia atípica, solicitou-se nova biópsia da lesão antes de iníciar o tratamento, o que corroborou com o diagnóstico anterior de doença linfoproliferativa B com alteração apenas na positividade dos marcadores BCL6, BCL2, PAX5 e negatividade para MUM-1, CD30, LMP1, CD3, CD15 e CD10, que não haviam sido testados anteriormente. Assim, confirmou-se o diagnóstico de LDGCB, não centro germinativo, com acometimento restrito mamário direito. Estadiamento inicial foi realizado com tomografias que não mostraram outras alterações. Iniciou-se tratamento quimioterápico com protocolo R-CHOP com redução visível já após os primeiros ciclos. O LDGCB representa 30% dos casos de linfoma em adultos e pode acometer qualquer idade, mas é mais comum na população idosa. Caracteriza-se por apresentar alteraçāo da arquitetura tecidual do local acometido parcial ou total com células B de tamanho médio a grande com um padrão de crescimento difuso. A localização mais comum do LDGCB é nos gânglios linfáticos, com apenas 30-40% dos casos apresentando doença extranodal ao diagnóstico, sendo que nestes casos os órgãos mais acometidos são as glândulas salivares, tireoide, cavidade ocular, ossos, fígado, rins, glândulas adrenais e do trato gastrointestinal. Raríssimos são os casos que apresentam doença extranodal em tecido mamário, quando tal apresentação está presente pode-se categorizar em LMP se não houve nenhum diagnóstico prévio de linfoma maligno e nenhuma evidência de doença generalizada concorrente, exceto por linfonodos axilares homolaterais. O LMP representa menos de 1% dos casos de Linfoma Não-Hodgkin e apenas 1,7% dos linfomas extralinfáticos. Entre os pacientes com neoplasia malignas da mama, os pacientes com LMP representam apenas 0,04-1%. Clinicamente e radiograficamente não sāo diferentes do tumor sólido de mama, pois a apresentação clínica mais prevalente é de nodulação mamária principalmente do lado direito, sendo a imunohistiquímica importante para sua diferenciação. O tratamento do LMP ainda é controverso, mas atualmente recomenda-se quimioradioterapia, baseado no seu subtipohistológico, sendo que a abordagem cirúrgica parece não contribuir para ganho de sobrevida. O LMP tem uma alta morbimortalidade, pois apresenta altas taxas de recaída. Relatou-se um caso de LDGCB com apresentação atípica de ulceração em mama direita que se encontra em tratamento quimioterápico com protocolo R-CHOP. Considerando-se a raridade da doença hematológica e a característica clínica ao diagnóstico e a necessidade de maiores discussões sobre a abordagem terapêutica de tal patologia, o presente estudo se torna relevante para a comunidade científica.

Authors

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104746
Primary Topic
Lymphoma Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B COM APRESENTAÇÃO CLÍNICA ATÍPICA: RELATO DE CASO

Rafael de Sá Vasconcelos, LGC Azevedo, AP Udo, Nathasha de Azevedo Lira et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Lymphoma Diagnosis and Treatment
article

LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B COM APRESENTAÇÃO CLÍNICA ATÍPICA: RELATO DE CASO

Rafael de Sá Vasconcelos, LGC Azevedo, AP Udo, Nathasha de Azevedo Lira, Valeska Rodrigues, IG Flores, B M T Costa, ML Teles, P Tolentino, GBC Negreiros
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Abstract

O linfoma mamário primário (LMP) do subtipo Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB) é um tipo raro de linfoma Não-Hodgkin com baixa taxa de sobrevida. Reconhecer suas características clínicas, epidemiológicas, fisiopatológicas e abordagens terapêuticas é de extrema importância. Paciente, 61 anos, feminina, encaminhada à hematologia após surgimento de lesão única úlcerada que abrangia toda a mama direita, com saída de secreção serohematica, sem outros sintomas associados. Anatomopatológico mostrou proliferação epitelial atípica de permeio a áreas necróticas e imunohistoquímica com os seguintes marcadores positivos: CD20, CD45 e Ki-67 90% e negativo para: BCL6, CD3, TDT, CD5 e cíclica D1, compatível com diagnóstico de linfoma não Hodgkin B de alto grau. Considerando a apresentação e topografia atípica, solicitou-se nova biópsia da lesão antes de iníciar o tratamento, o que corroborou com o diagnóstico anterior de doença linfoproliferativa B com alteração apenas na positividade dos marcadores BCL6, BCL2, PAX5 e negatividade para MUM-1, CD30, LMP1, CD3, CD15 e CD10, que não haviam sido testados anteriormente. Assim, confirmou-se o diagnóstico de LDGCB, não centro germinativo, com acometimento restrito mamário direito. Estadiamento inicial foi realizado com tomografias que não mostraram outras alterações. Iniciou-se tratamento quimioterápico com protocolo R-CHOP com redução visível já após os primeiros ciclos. O LDGCB representa 30% dos casos de linfoma em adultos e pode acometer qualquer idade, mas é mais comum na população idosa. Caracteriza-se por apresentar alteraçāo da arquitetura tecidual do local acometido parcial ou total com células B de tamanho médio a grande com um padrão de crescimento difuso. A localização mais comum do LDGCB é nos gânglios linfáticos, com apenas 30-40% dos casos apresentando doença extranodal ao diagnóstico, sendo que nestes casos os órgãos mais acometidos são as glândulas salivares, tireoide, cavidade ocular, ossos, fígado, rins, glândulas adrenais e do trato gastrointestinal. Raríssimos são os casos que apresentam doença extranodal em tecido mamário, quando tal apresentação está presente pode-se categorizar em LMP se não houve nenhum diagnóstico prévio de linfoma maligno e nenhuma evidência de doença generalizada concorrente, exceto por linfonodos axilares homolaterais. O LMP representa menos de 1% dos casos de Linfoma Não-Hodgkin e apenas 1,7% dos linfomas extralinfáticos. Entre os pacientes com neoplasia malignas da mama, os pacientes com LMP representam apenas 0,04-1%. Clinicamente e radiograficamente não sāo diferentes do tumor sólido de mama, pois a apresentação clínica mais prevalente é de nodulação mamária principalmente do lado direito, sendo a imunohistiquímica importante para sua diferenciação. O tratamento do LMP ainda é controverso, mas atualmente recomenda-se quimioradioterapia, baseado no seu subtipohistológico, sendo que a abordagem cirúrgica parece não contribuir para ganho de sobrevida. O LMP tem uma alta morbimortalidade, pois apresenta altas taxas de recaída. Relatou-se um caso de LDGCB com apresentação atípica de ulceração em mama direita que se encontra em tratamento quimioterápico com protocolo R-CHOP. Considerando-se a raridade da doença hematológica e a característica clínica ao diagnóstico e a necessidade de maiores discussões sobre a abordagem terapêutica de tal patologia, o presente estudo se torna relevante para a comunidade científica.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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