IMPLEMENTAÇÃO DE BOMBAS DE INFUSÃO PARA TRANSFUSÃO DE CONCENTRADO DE HEMÁCIAS: ESTUDO DESCRITIVO EM UM HEMOCENTRO PÚBLICO DO PARÁ

A infusão rápida de hemocomponentes ou transfusões maciças pode desencadear sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO), terceira causa mais frequente de reações transfusionais notificadas no Brasil. Pacientes com menor reserva cardíaca ou anemia crônica grave apresentam maior vulnerabilidade ao quadro. As bombas de infusão (BI) proporcionam controle rigoroso de volume e velocidade de infusão em comparação ao sistema gravitacional, reduzindo erros de gotejamento, risco de fluxo livre e infusão de ar. Entretanto, seu uso em transfusões ainda gera dúvidas quanto à integridade eritrocitária, com potencial risco de hemólise. Descrever o processo de implementação de bombas de infusão para transfusão de concentrado de hemácias (CH) no ambulatório do hemocentro coordenador da Fundação Hemopa, avaliando aspectos técnicos e laboratoriais. Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, realizado entre 2020 e 2023, baseado na experiência institucional de incorporação de tecnologia no procedimento transfusional. O processo foi desenvolvido em cinco etapas: (1) apresentação e treinamento da equipe de enfermagem sobre os equipos específicos e funcionamento das BI e disponibilização de amostras para teste com apoio da empresa fornecedora; (2) inspeção técnica dos equipos, incluindo análise da embalagem, integridade do conteúdo e testes de funcionalidade; (3) administração e monitoramento da transfusão por meio das BI; (4) realização de testes de hemólise em 100 amostras de sangue remanescentes nos equipos para avaliação laboratorial da integridade eritrocitária; e (5) emissão de parecer técnico, abertura de processo licitatório, elaboração de protocolo padrão e incorporação à rotina assistencial. As transfusões foram realizadas com bombas Volumat Agilia® (Fresenius), de mecanismo peristáltico linear. Nos testes de validação, não foi detectada hemólise nas 100 amostras de sangue analisadas, e não se observaram alterações desfavoráveis na resposta hematológica dos pacientes transfundidos. A utilização das bombas permitiu reduzir o risco de hipervolemia, garantir maior controle do volume infundido e do tempo de administração, prevenir eventos adversos como extravasamento e obstrução venosa, além de otimizar o tempo de trabalho da equipe de enfermagem. Os dispositivos demonstraram leveza, resistência e facilidade de manuseio, favorecendo a adesão da equipe à nova tecnologia. A ausência de hemólise confirma que, com equipos adequados e mecanismo peristáltico linear, as BI podem ser utilizadas com segurança para transfusão de CH, alinhando-se a achados prévios que apontam integridade eritrocitária preservada nesse tipo de equipamento. O controle preciso do fluxo e do volume contribui para a prevenção de TACO, especialmente em pacientes de alto risco, além de favorecer a eficiência do trabalho da equipe de enfermagem. Apesar do custo superior em relação ao sistema gravitacional, o retorno em segurança transfusional, prevenção de eventos adversos e otimização dos recursos humanos respalda a adoção da tecnologia. Desta forma, a implementação de BI para transfusão de CH mostrou-se segura, eficaz e operacionalmente viável, consolidando-se na rotina assistencial do serviço e integrando o plano institucional de contratações.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105232
Primary Topic
Blood transfusion and management
Type
article
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IMPLEMENTAÇÃO DE BOMBAS DE INFUSÃO PARA TRANSFUSÃO DE CONCENTRADO DE HEMÁCIAS: ESTUDO DESCRITIVO EM UM HEMOCENTRO PÚBLICO DO PARÁ

Gabriella Rennisy de Sousa Silva, AM Pinheiro, TMG Castro, MNM Souza et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood transfusion and management
article

IMPLEMENTAÇÃO DE BOMBAS DE INFUSÃO PARA TRANSFUSÃO DE CONCENTRADO DE HEMÁCIAS: ESTUDO DESCRITIVO EM UM HEMOCENTRO PÚBLICO DO PARÁ

Gabriella Rennisy de Sousa Silva, AM Pinheiro, TMG Castro, MNM Souza, RC Valois
article en

Abstract

A infusão rápida de hemocomponentes ou transfusões maciças pode desencadear sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO), terceira causa mais frequente de reações transfusionais notificadas no Brasil. Pacientes com menor reserva cardíaca ou anemia crônica grave apresentam maior vulnerabilidade ao quadro. As bombas de infusão (BI) proporcionam controle rigoroso de volume e velocidade de infusão em comparação ao sistema gravitacional, reduzindo erros de gotejamento, risco de fluxo livre e infusão de ar. Entretanto, seu uso em transfusões ainda gera dúvidas quanto à integridade eritrocitária, com potencial risco de hemólise. Descrever o processo de implementação de bombas de infusão para transfusão de concentrado de hemácias (CH) no ambulatório do hemocentro coordenador da Fundação Hemopa, avaliando aspectos técnicos e laboratoriais. Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, realizado entre 2020 e 2023, baseado na experiência institucional de incorporação de tecnologia no procedimento transfusional. O processo foi desenvolvido em cinco etapas: (1) apresentação e treinamento da equipe de enfermagem sobre os equipos específicos e funcionamento das BI e disponibilização de amostras para teste com apoio da empresa fornecedora; (2) inspeção técnica dos equipos, incluindo análise da embalagem, integridade do conteúdo e testes de funcionalidade; (3) administração e monitoramento da transfusão por meio das BI; (4) realização de testes de hemólise em 100 amostras de sangue remanescentes nos equipos para avaliação laboratorial da integridade eritrocitária; e (5) emissão de parecer técnico, abertura de processo licitatório, elaboração de protocolo padrão e incorporação à rotina assistencial. As transfusões foram realizadas com bombas Volumat Agilia® (Fresenius), de mecanismo peristáltico linear. Nos testes de validação, não foi detectada hemólise nas 100 amostras de sangue analisadas, e não se observaram alterações desfavoráveis na resposta hematológica dos pacientes transfundidos. A utilização das bombas permitiu reduzir o risco de hipervolemia, garantir maior controle do volume infundido e do tempo de administração, prevenir eventos adversos como extravasamento e obstrução venosa, além de otimizar o tempo de trabalho da equipe de enfermagem. Os dispositivos demonstraram leveza, resistência e facilidade de manuseio, favorecendo a adesão da equipe à nova tecnologia. A ausência de hemólise confirma que, com equipos adequados e mecanismo peristáltico linear, as BI podem ser utilizadas com segurança para transfusão de CH, alinhando-se a achados prévios que apontam integridade eritrocitária preservada nesse tipo de equipamento. O controle preciso do fluxo e do volume contribui para a prevenção de TACO, especialmente em pacientes de alto risco, além de favorecer a eficiência do trabalho da equipe de enfermagem. Apesar do custo superior em relação ao sistema gravitacional, o retorno em segurança transfusional, prevenção de eventos adversos e otimização dos recursos humanos respalda a adoção da tecnologia. Desta forma, a implementação de BI para transfusão de CH mostrou-se segura, eficaz e operacionalmente viável, consolidando-se na rotina assistencial do serviço e integrando o plano institucional de contratações.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade do Estado do Pará (BR), Fundação Hemopa (BR)
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Blood transfusion and management
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