ANÁLISE DE SOBREVIDA DE PACIENTES COM MIELOESCLEROSE COM METAPLASIA MIELOIDE NO ESTADO DE SÃO PAULO

Mieloesclerose com metaplasia mieloide é neoplasia mieloproliferativa BCR::ABL1 negativa, caracterizada por fibrose medular, esplenomegalia, trombose, citopenias, hematopoiese extramedular e risco de transformação para leucemia mieloide aguda¹. O diagnóstico envolve avaliação clínica, molecular e anatomopatológica¹. Dada sua gravidade, a análise de sobrevida é fundamental para orientar condutas clínicas e políticas públicas. Estimar a sobrevida de pacientes com mieloesclerose com metaplasia mieloide no estado de São Paulo. Este estudo descritivo utilizou dados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) coordenado pela Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP). Foram incluídos pacientes com diagnóstico de mieloesclerose com metaplasia mieloide, registrados entre 2000 e 2024. A sobrevida foi definida do diagnóstico até a última informação disponível, considerando o óbito como evento. A análise foi conduzida no RStudio por meio do método de Kaplan-Meier, com estimativas gerais e estratificadas por sexo e faixa etária. A sobrevida mediana foi de 7,17 anos. A sobrevida geral foi de 88,4% no 1° ano (IC95%: 82,9% - 92,2%); 78,3% no 2° (IC95%: 71,5% - 83,7%); 69,2% no 3° e 4° anos; 59,8% no 5°, 52,8% no 6° e 50,5% no 7°. Aos 10 anos, a sobrevida foi de 41,5% (IC95%: 31,1% - 51,5%) e, aos 15 anos, 31,1% (IC95%: 13,8% - 50,3%). Para os estratos por sexo, obteve-se: homens (n = 108): 87,98% (IC95%: 81,82% - 94,60%) após 1 ano, 48,62% (IC95%: 38,48% - 61,43%) em 5 anos, 32,09% (IC95%: 21,99% - 46,85%) em 10 e 15 anos. Mulheres (n = 92): 88,74% (IC95: 82,40% - 95,57%) no 1º ano, 72,09% (IC95%: 62,53% - 83,10%) em 5 anos, 52,14% (IC95%: 37,95% - 71,63%) em 10 anos e 34,76% (IC95%: 14,70% - 82,21%) em 15 anos. Na análise por idade, a queda da sobrevida foi semelhante entre grupos. De 20 a 39 anos (n = 15): 71,43% (IC95%: 51,29% - 99,48%) após 1 ano, 57,14% (IC95%: 36,30% - 89,94%) após 3 anos e 21,43% (IC95%: 4,48% - 100%) após 10 anos. De 40 a 59 anos (n = 47): 93,47% (IC95%: 86,59% - 100%) no 1º ano, 59,61% (IC95%: 44,04% - 80,67%) no 7º e 44,7% (IC95%: 23,53% - 84,92%) em 15 anos. 60 anos ou mais (n = 137): 88,33% (IC95%: 82,94% - 94,07%) no 1º ano, 39,69% (IC95%: 29,28% - 53,82%) no 9º e 14º. A sobrevida mediana de 7,17 anos é compatível com estimativas da literatura, que variam de 3,5 a 10 anos. 1 A análise de uma coorte populacional de base hospitalar confere robustez e validade externa aos achados, refletindo o prognóstico da doença na prática clínica real no Brasil. A estratificação por sexo evidenciou maior sobrevida entre mulheres, especialmente após o quinto ano de seguimento — achado relevante que merece investigação adicional. A análise por faixa etária confirmou a idade como fator prognóstico adverso, conforme descrito na mieloesclerose. Entretanto, a estimativa para o grupo mais jovem (20– 39 anos) deve ser interpretada com cautela, devido ao pequeno número de pacientes (n = 15) e ao amplo intervalo de confiança, que reduzem a precisão da estimativa. Este estudo fornece um panorama relevante, gerando dados importantes para o planejamento de políticas de saúde e alocação de recursos.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104389
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

ANÁLISE DE SOBREVIDA DE PACIENTES COM MIELOESCLEROSE COM METAPLASIA MIELOIDE NO ESTADO DE SÃO PAULO

Víctor Moreira, Vitor Bastos, LN Melo, EMG Leão et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

ANÁLISE DE SOBREVIDA DE PACIENTES COM MIELOESCLEROSE COM METAPLASIA MIELOIDE NO ESTADO DE SÃO PAULO

Víctor Moreira, Vitor Bastos, LN Melo, EMG Leão, DdN Ynoue, HM Teano, AdOG Golineli, DM Lobert
article en

Abstract

Mieloesclerose com metaplasia mieloide é neoplasia mieloproliferativa BCR::ABL1 negativa, caracterizada por fibrose medular, esplenomegalia, trombose, citopenias, hematopoiese extramedular e risco de transformação para leucemia mieloide aguda¹. O diagnóstico envolve avaliação clínica, molecular e anatomopatológica¹. Dada sua gravidade, a análise de sobrevida é fundamental para orientar condutas clínicas e políticas públicas. Estimar a sobrevida de pacientes com mieloesclerose com metaplasia mieloide no estado de São Paulo. Este estudo descritivo utilizou dados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) coordenado pela Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP). Foram incluídos pacientes com diagnóstico de mieloesclerose com metaplasia mieloide, registrados entre 2000 e 2024. A sobrevida foi definida do diagnóstico até a última informação disponível, considerando o óbito como evento. A análise foi conduzida no RStudio por meio do método de Kaplan-Meier, com estimativas gerais e estratificadas por sexo e faixa etária. A sobrevida mediana foi de 7,17 anos. A sobrevida geral foi de 88,4% no 1° ano (IC95%: 82,9% - 92,2%); 78,3% no 2° (IC95%: 71,5% - 83,7%); 69,2% no 3° e 4° anos; 59,8% no 5°, 52,8% no 6° e 50,5% no 7°. Aos 10 anos, a sobrevida foi de 41,5% (IC95%: 31,1% - 51,5%) e, aos 15 anos, 31,1% (IC95%: 13,8% - 50,3%). Para os estratos por sexo, obteve-se: homens (n = 108): 87,98% (IC95%: 81,82% - 94,60%) após 1 ano, 48,62% (IC95%: 38,48% - 61,43%) em 5 anos, 32,09% (IC95%: 21,99% - 46,85%) em 10 e 15 anos. Mulheres (n = 92): 88,74% (IC95: 82,40% - 95,57%) no 1º ano, 72,09% (IC95%: 62,53% - 83,10%) em 5 anos, 52,14% (IC95%: 37,95% - 71,63%) em 10 anos e 34,76% (IC95%: 14,70% - 82,21%) em 15 anos. Na análise por idade, a queda da sobrevida foi semelhante entre grupos. De 20 a 39 anos (n = 15): 71,43% (IC95%: 51,29% - 99,48%) após 1 ano, 57,14% (IC95%: 36,30% - 89,94%) após 3 anos e 21,43% (IC95%: 4,48% - 100%) após 10 anos. De 40 a 59 anos (n = 47): 93,47% (IC95%: 86,59% - 100%) no 1º ano, 59,61% (IC95%: 44,04% - 80,67%) no 7º e 44,7% (IC95%: 23,53% - 84,92%) em 15 anos. 60 anos ou mais (n = 137): 88,33% (IC95%: 82,94% - 94,07%) no 1º ano, 39,69% (IC95%: 29,28% - 53,82%) no 9º e 14º. A sobrevida mediana de 7,17 anos é compatível com estimativas da literatura, que variam de 3,5 a 10 anos. 1 A análise de uma coorte populacional de base hospitalar confere robustez e validade externa aos achados, refletindo o prognóstico da doença na prática clínica real no Brasil. A estratificação por sexo evidenciou maior sobrevida entre mulheres, especialmente após o quinto ano de seguimento — achado relevante que merece investigação adicional. A análise por faixa etária confirmou a idade como fator prognóstico adverso, conforme descrito na mieloesclerose. Entretanto, a estimativa para o grupo mais jovem (20– 39 anos) deve ser interpretada com cautela, devido ao pequeno número de pacientes (n = 15) e ao amplo intervalo de confiança, que reduzem a precisão da estimativa. Este estudo fornece um panorama relevante, gerando dados importantes para o planejamento de políticas de saúde e alocação de recursos.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual Paulista (Unesp) (BR)
Openalex Percentile: Top 59%
Acute Myeloid Leukemia Research
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