SEGURANÇA TRANSFUSIONAL: IMPLEMENTAÇÃO E AVALIAÇÃO DE FERRAMENTAS MULTIPROfiSSIONAIS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

A segurança transfusional é um pilar fundamental na segurança do paciente em ambientes hospitalares. Eventos adversos, frequentemente causados por falhas de identificação ou procedimentos incorretos, podem ser prevenidos com a adoção de protocolos rigorosos. A hemovigilância é crucial para o monitoramento e a análise de reações transfusionais. Este trabalho descreve a experiência de um hospital universitário na implementação e avaliação de duas ferramentas para reforçar a segurança e o monitoramento multiprofissional. Relatar os protocolos e indicadores de segurança transfusional utilizados em um hospital universitário, e avaliar o impacto das ferramentas de hemovigilância implementadas. Foram implantados dois sistemas multiprofissionais de segurança transfusional. O primeiro, um “check-list para a transfusão”, é um formulário impresso em A4 que formaliza a dupla checagem por farmacêuticos, técnicos de laboratório e equipe de enfermagem nas etapas críticas da transfusão (pré-testes transfusionais e administração do hemocomponente). O formulário verifica a conformidade de dados da amostra, ficha do receptor, prescrição e identificação do paciente. A segunda ferramenta, um “aviso de hemovigilância”, é um cartaz em A4 fixado no leito do paciente por 24 horas após a transfusão, alertando a equipe de enfermagem, o paciente e seus acompanhantes sobre a necessidade de monitoramento contínuo para detecção de eventos adversos imediatos. A avaliação da eficácia dessas ferramentas foi realizada através de dois indicadores: a taxa de preenchimento do check-list, para medir a adesão profissional, e a taxa de reações transfusionais, para identificar melhorias na detecção de eventos adversos. Inicialmente, a taxa de adesão ao check-list era baixa (30% no primeiro semestre), mesmo com a realização de treinamentos. Após a implementação de educação continuada e cartazes lúdicos, a adesão subiu progressivamente para mais de 90%. Em relação ao aviso de hemovigilância, observou-se um aumento na taxa de notificação de eventos adversos, reduzindo a subnotificação hospitalar. Atualmente, a média anual é de 5,2 eventos por 1.000 transfusões. A melhoria da segurança transfusional exige a implementação de precauções que reduzam riscos evitáveis, como os erros humanos. O uso de ferramentas como o check-list é eficiente para garantir que processos sejam realizados conforme o planejado, mesmo em situações de urgência ou estresse. A baixa adesão inicial, comum a novas práticas, foi superada com a adaptação do instrumento e a manutenção da educação continuada. O aviso de hemovigilância funcionou como um lembrete crucial, melhorando a comunicação entre a equipe assistencial e a agência transfusional e aumentando as investigações de casos suspeitos. Foi observada a necessidade de qualificar as informações, pois muitos casos suspeitos não eram confirmados, indicando um próximo passo para o aprimoramento do processo. Conclusão: A implementação de protocolos de segurança transfusional, por meio do “check-list para transfusão” e do “aviso de hemovigilância”, demonstrou um impacto positivo na segurança dos pacientes e na qualidade dos processos transfusionais, reforçando a cultura de hemovigilância no ambiente hospitalar.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105318
Primary Topic
Blood transfusion and management
Type
article
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SEGURANÇA TRANSFUSIONAL: IMPLEMENTAÇÃO E AVALIAÇÃO DE FERRAMENTAS MULTIPROfiSSIONAIS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

L. M. León Hilario, RS Barata, Macías Santana, A. E. Gonçalves et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood transfusion and management
article

SEGURANÇA TRANSFUSIONAL: IMPLEMENTAÇÃO E AVALIAÇÃO DE FERRAMENTAS MULTIPROfiSSIONAIS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

L. M. León Hilario, RS Barata, Macías Santana, A. E. Gonçalves, ROC Silva, J. P. A. Lopes, SS Marcondes, K. B. de Almeida, MR Ribeiro, AV Morellato
article en

Abstract

A segurança transfusional é um pilar fundamental na segurança do paciente em ambientes hospitalares. Eventos adversos, frequentemente causados por falhas de identificação ou procedimentos incorretos, podem ser prevenidos com a adoção de protocolos rigorosos. A hemovigilância é crucial para o monitoramento e a análise de reações transfusionais. Este trabalho descreve a experiência de um hospital universitário na implementação e avaliação de duas ferramentas para reforçar a segurança e o monitoramento multiprofissional. Relatar os protocolos e indicadores de segurança transfusional utilizados em um hospital universitário, e avaliar o impacto das ferramentas de hemovigilância implementadas. Foram implantados dois sistemas multiprofissionais de segurança transfusional. O primeiro, um “check-list para a transfusão”, é um formulário impresso em A4 que formaliza a dupla checagem por farmacêuticos, técnicos de laboratório e equipe de enfermagem nas etapas críticas da transfusão (pré-testes transfusionais e administração do hemocomponente). O formulário verifica a conformidade de dados da amostra, ficha do receptor, prescrição e identificação do paciente. A segunda ferramenta, um “aviso de hemovigilância”, é um cartaz em A4 fixado no leito do paciente por 24 horas após a transfusão, alertando a equipe de enfermagem, o paciente e seus acompanhantes sobre a necessidade de monitoramento contínuo para detecção de eventos adversos imediatos. A avaliação da eficácia dessas ferramentas foi realizada através de dois indicadores: a taxa de preenchimento do check-list, para medir a adesão profissional, e a taxa de reações transfusionais, para identificar melhorias na detecção de eventos adversos. Inicialmente, a taxa de adesão ao check-list era baixa (30% no primeiro semestre), mesmo com a realização de treinamentos. Após a implementação de educação continuada e cartazes lúdicos, a adesão subiu progressivamente para mais de 90%. Em relação ao aviso de hemovigilância, observou-se um aumento na taxa de notificação de eventos adversos, reduzindo a subnotificação hospitalar. Atualmente, a média anual é de 5,2 eventos por 1.000 transfusões. A melhoria da segurança transfusional exige a implementação de precauções que reduzam riscos evitáveis, como os erros humanos. O uso de ferramentas como o check-list é eficiente para garantir que processos sejam realizados conforme o planejado, mesmo em situações de urgência ou estresse. A baixa adesão inicial, comum a novas práticas, foi superada com a adaptação do instrumento e a manutenção da educação continuada. O aviso de hemovigilância funcionou como um lembrete crucial, melhorando a comunicação entre a equipe assistencial e a agência transfusional e aumentando as investigações de casos suspeitos. Foi observada a necessidade de qualificar as informações, pois muitos casos suspeitos não eram confirmados, indicando um próximo passo para o aprimoramento do processo. Conclusão: A implementação de protocolos de segurança transfusional, por meio do “check-list para transfusão” e do “aviso de hemovigilância”, demonstrou um impacto positivo na segurança dos pacientes e na qualidade dos processos transfusionais, reforçando a cultura de hemovigilância no ambiente hospitalar.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Hospital Universitário Antônio Pedro (BR)
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Blood transfusion and management
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