PERFIL CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO DE PACIENTES DIAGNÓSTICADOS COM LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA NO HOSPITAL DE URGÊNCIA DE SERGIPE

A leucemia mieloide crônica (LMC) é uma neoplasia hematológica maligna caracterizada pela proliferação clonal das células-tronco pluripotentes causada por uma translocação recíproca entre os braços longos dos cromossomos (9;22) (q34;q11), o que resulta em uma anormalidade citogenética, o cromossomo Philadelphia (Ph1) e no oncogene BCR:ABL, gerando uma oncoproteína com atividade tirosina quinase constitutiva. A LMC pode ser estratificada em três fases: crônica, acelerada e blástica. O tratamento baseia-se em hidroxiureia para citoredução inicial, seguida de um inibidor de tirosina quinase (ITK), como imatinibe, nilotinibe, dasatinibe. Este trabalho teve como objetivo caracterizar o perfil clínico-epidemiológico de pacientes com LMC atendidos no Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE). Foi realizado um estudo descritivo observacional retrospectivo, empregando a coleta de dados de prontuários médicos de pacientes com o diagnóstico de LMC no HUSE, no período de 2002 a 2025. Em um questionário semiestruturado foram coletados: idade, sexo, data de nascimento, tempo médio do diagnóstico ao tratamento, sinais e sintomas na primeira consulta, hemograma no diagnóstico e BCR:ABL qualitativo (RT-PCR). Foram avaliados 69 pacientes adultos com LMC em uso de imatinibe. A idade média foi de 47,8 anos (19–85), com predominância do sexo feminino (53,6%). Todos encontram-se na fase crônica. O BCR:ABL identificou 68 pacientes (98,6%) com p210 e um (1,4%) com p190. No hemograma ao diagnóstico, a hemoglobina apresentou média de 11,0 g/dL (6,3–14,3), plaquetas 423.145/µL (139.000–1.344.000) e leucócitos 146.004/µL (18.000–533.440). Os sinais e sintomas mais comuns na primeira consulta foram esplenomegalia (53,6%), perda ponderal (26,7%), febre (11,6%) e 21,7% eram assintomáticos. Apenas cinco pacientes não utilizaram hidroxiureia previamente ao início do imatinibe, e 65 (92,7%) permanecem em tratamento com ITK. O tempo médio entre o diagnóstico e o início do tratamento foi de 31,0 dias. A média de idade foi semelhante à descrita na literatura, com predomínio de adultos jovens e idosos. A maior presença da fase crônica no diagnóstico está em conformidade com dados da literatura. A expressão gênica mais dominante foi a p210 que está alinhada com outros estudos sobre LMC. Em relação aos parâmetros hematológicos, a média de hemoglobina foi discretamente inferior à reportada em alguns estudos, todos os pacientes tiveram trombocitose (três pacientes com plaquetas acima de 1.000.000/uL), e leucocitose compatível com o perfil proliferativo da LMC. Os sinais e sintomas mais prevalentes foram esplenomegalia, perda de peso e febre o que reforça a importância da investigação laboratorial, já que parte significativa dos pacientes é diagnosticada durante exames de rotina.Observou-se predominância da fase crônica no diagnóstico, alta frequência da expressão gênica p210 e número relevante de pacientes assintomáticos. A heterogeneidade nos parâmetros hematológicos e nas manifestações clínicas evidencia a importância do rastreamento laboratorial e da detecção precoce para iniciar a terapêutica com ITK.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104391
Primary Topic
Chronic Myeloid Leukemia Treatments
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ALL TIME
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PERFIL CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO DE PACIENTES DIAGNÓSTICADOS COM LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA NO HOSPITAL DE URGÊNCIA DE SERGIPE

JM Santos, Luís Almeida Santos, Beatriz Da Silva, MS Assis et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Chronic Myeloid Leukemia Treatments
article

PERFIL CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO DE PACIENTES DIAGNÓSTICADOS COM LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA NO HOSPITAL DE URGÊNCIA DE SERGIPE

JM Santos, Luís Almeida Santos, Beatriz Da Silva, MS Assis, J B R DE LIMA, DM Schimieguel, Caroline do Couto, J Brunow, V. M. C. Alves, CM Santos
article en

Abstract

A leucemia mieloide crônica (LMC) é uma neoplasia hematológica maligna caracterizada pela proliferação clonal das células-tronco pluripotentes causada por uma translocação recíproca entre os braços longos dos cromossomos (9;22) (q34;q11), o que resulta em uma anormalidade citogenética, o cromossomo Philadelphia (Ph1) e no oncogene BCR:ABL, gerando uma oncoproteína com atividade tirosina quinase constitutiva. A LMC pode ser estratificada em três fases: crônica, acelerada e blástica. O tratamento baseia-se em hidroxiureia para citoredução inicial, seguida de um inibidor de tirosina quinase (ITK), como imatinibe, nilotinibe, dasatinibe. Este trabalho teve como objetivo caracterizar o perfil clínico-epidemiológico de pacientes com LMC atendidos no Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE). Foi realizado um estudo descritivo observacional retrospectivo, empregando a coleta de dados de prontuários médicos de pacientes com o diagnóstico de LMC no HUSE, no período de 2002 a 2025. Em um questionário semiestruturado foram coletados: idade, sexo, data de nascimento, tempo médio do diagnóstico ao tratamento, sinais e sintomas na primeira consulta, hemograma no diagnóstico e BCR:ABL qualitativo (RT-PCR). Foram avaliados 69 pacientes adultos com LMC em uso de imatinibe. A idade média foi de 47,8 anos (19–85), com predominância do sexo feminino (53,6%). Todos encontram-se na fase crônica. O BCR:ABL identificou 68 pacientes (98,6%) com p210 e um (1,4%) com p190. No hemograma ao diagnóstico, a hemoglobina apresentou média de 11,0 g/dL (6,3–14,3), plaquetas 423.145/µL (139.000–1.344.000) e leucócitos 146.004/µL (18.000–533.440). Os sinais e sintomas mais comuns na primeira consulta foram esplenomegalia (53,6%), perda ponderal (26,7%), febre (11,6%) e 21,7% eram assintomáticos. Apenas cinco pacientes não utilizaram hidroxiureia previamente ao início do imatinibe, e 65 (92,7%) permanecem em tratamento com ITK. O tempo médio entre o diagnóstico e o início do tratamento foi de 31,0 dias. A média de idade foi semelhante à descrita na literatura, com predomínio de adultos jovens e idosos. A maior presença da fase crônica no diagnóstico está em conformidade com dados da literatura. A expressão gênica mais dominante foi a p210 que está alinhada com outros estudos sobre LMC. Em relação aos parâmetros hematológicos, a média de hemoglobina foi discretamente inferior à reportada em alguns estudos, todos os pacientes tiveram trombocitose (três pacientes com plaquetas acima de 1.000.000/uL), e leucocitose compatível com o perfil proliferativo da LMC. Os sinais e sintomas mais prevalentes foram esplenomegalia, perda de peso e febre o que reforça a importância da investigação laboratorial, já que parte significativa dos pacientes é diagnosticada durante exames de rotina.Observou-se predominância da fase crônica no diagnóstico, alta frequência da expressão gênica p210 e número relevante de pacientes assintomáticos. A heterogeneidade nos parâmetros hematológicos e nas manifestações clínicas evidencia a importância do rastreamento laboratorial e da detecção precoce para iniciar a terapêutica com ITK.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de Sergipe (BR)
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Chronic Myeloid Leukemia Treatments
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