VIDAS QUE NASCEM: ACOLHIMENTO E COMPARTILHAMENTO DE EXPERIÊNCIAS COM GESTANTES E PUÉRPERAS COM DOENÇA FALCIFORME

A gestação em mulheres com doença falciforme (DF) apresenta desafios específicos que impactam tanto a saúde física quanto emocional. O acompanhamento multiprofissional e o suporte psicossocial são fundamentais para fortalecer vínculos, promover o autocuidado e favorecer uma vivência mais segura da maternidade. Diante disso, a realização de grupos educativos e reflexivos pode contribuir para o acolhimento e o empoderamento dessas mulheres. Trata-se de uma intervenção psicossocial em formato de roda de conversa, conduzida por psicólogas, assistentes sociais e médicas do ambulatório da Fundação Hemominas – Belo Horizonte. A iniciativa teve como objetivos acolher gestantes e puérperas com doença falciforme, promover a criação de vínculos com a equipe multiprofissional, favorecer o compartilhamento de vivências, oferecer orientações sobre o tratamento e estimular reflexões sobre expectativas, sentimentos e os desafios relacionados à experiência da maternidade. A seleção das participantes foi realizada a partir de um levantamento prévio das gestantes e puérperas em acompanhamento, com convites feitos por contato telefônico. A atividade foi estruturada em cinco momentos: (1) apresentação das participantes por meio da dinâmica “Minha Jornada Começa Assim”, estimulando o compartilhamento de experiências relacionadas à gestação e maternidade; (2) exibição de vídeo educativo sobre gravidez na doença falciforme, seguida de espaço para esclarecimento de dúvidas; (3) roda de conversa orientada por perguntas norteadoras, abordando vivências com a doença, tratamento, sentimentos, expectativas e desafios na maternidade; (4) dinâmica “Na Minha Mala de Mãe”, em que as participantes registraram, em cartões, sentimentos e aprendizados que desejavam levar para a jornada da maternidade, com compartilhamento voluntário; e (5) encerramento com lanche coletivo, promovendo integração e acolhimento. Foram identificadas 20 gestantes/puérperas: 7 confirmaram presença, 2 ficaram de confirmar, 2 informaram impossibilidade de comparecimento e, com as 7 restantes, não foi possível estabelecer contato. No dia da atividade, compareceram 4 pacientes e 1 acompanhante – sendo 1 gestante e 3 puérperas acompanhadas de seus bebês. O encontro proporcionou espaço de fala e escuta, promovendo acolhimento e fortalecimento dos vínculos entre as participantes e com a equipe. Foram abordadas questões como o desencorajamento, por parte de alguns profissionais de saúde, para engravidar e a ausência de rede de apoio no enfrentamento da maternidade. A dinâmica da mala mostrou-se especialmente potente para expressão simbólica e valorização das histórias individuais. Rodas de conversa e ações educativas voltadas a gestantes e puérperas com DF contribuem significativamente para a humanização do cuidado, o fortalecimento da adesão ao tratamento e a melhora da saúde emocional. O grupo mostrou-se uma estratégia viável e eficaz no cuidado integral à gestante com DF, promovendo empoderamento, suporte social e acolhimento. Iniciativas como esta devem ser incentivadas nos Centros de Tratamento que atendem esse público, como forma de ampliar a escuta qualificada e o cuidado integral.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105371
Primary Topic
Maternal and Neonatal Healthcare
Type
article
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VIDAS QUE NASCEM: ACOLHIMENTO E COMPARTILHAMENTO DE EXPERIÊNCIAS COM GESTANTES E PUÉRPERAS COM DOENÇA FALCIFORME

R. S. da Silva, ND Silva, L. J. M. Campos, David V.C. Brito et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Maternal and Neonatal Healthcare
article

VIDAS QUE NASCEM: ACOLHIMENTO E COMPARTILHAMENTO DE EXPERIÊNCIAS COM GESTANTES E PUÉRPERAS COM DOENÇA FALCIFORME

R. S. da Silva, ND Silva, L. J. M. Campos, David V.C. Brito, AP Sousa, AOR Sacramento, DS Zoauin, JCC Bastista
article en

Abstract

A gestação em mulheres com doença falciforme (DF) apresenta desafios específicos que impactam tanto a saúde física quanto emocional. O acompanhamento multiprofissional e o suporte psicossocial são fundamentais para fortalecer vínculos, promover o autocuidado e favorecer uma vivência mais segura da maternidade. Diante disso, a realização de grupos educativos e reflexivos pode contribuir para o acolhimento e o empoderamento dessas mulheres. Trata-se de uma intervenção psicossocial em formato de roda de conversa, conduzida por psicólogas, assistentes sociais e médicas do ambulatório da Fundação Hemominas – Belo Horizonte. A iniciativa teve como objetivos acolher gestantes e puérperas com doença falciforme, promover a criação de vínculos com a equipe multiprofissional, favorecer o compartilhamento de vivências, oferecer orientações sobre o tratamento e estimular reflexões sobre expectativas, sentimentos e os desafios relacionados à experiência da maternidade. A seleção das participantes foi realizada a partir de um levantamento prévio das gestantes e puérperas em acompanhamento, com convites feitos por contato telefônico. A atividade foi estruturada em cinco momentos: (1) apresentação das participantes por meio da dinâmica “Minha Jornada Começa Assim”, estimulando o compartilhamento de experiências relacionadas à gestação e maternidade; (2) exibição de vídeo educativo sobre gravidez na doença falciforme, seguida de espaço para esclarecimento de dúvidas; (3) roda de conversa orientada por perguntas norteadoras, abordando vivências com a doença, tratamento, sentimentos, expectativas e desafios na maternidade; (4) dinâmica “Na Minha Mala de Mãe”, em que as participantes registraram, em cartões, sentimentos e aprendizados que desejavam levar para a jornada da maternidade, com compartilhamento voluntário; e (5) encerramento com lanche coletivo, promovendo integração e acolhimento. Foram identificadas 20 gestantes/puérperas: 7 confirmaram presença, 2 ficaram de confirmar, 2 informaram impossibilidade de comparecimento e, com as 7 restantes, não foi possível estabelecer contato. No dia da atividade, compareceram 4 pacientes e 1 acompanhante – sendo 1 gestante e 3 puérperas acompanhadas de seus bebês. O encontro proporcionou espaço de fala e escuta, promovendo acolhimento e fortalecimento dos vínculos entre as participantes e com a equipe. Foram abordadas questões como o desencorajamento, por parte de alguns profissionais de saúde, para engravidar e a ausência de rede de apoio no enfrentamento da maternidade. A dinâmica da mala mostrou-se especialmente potente para expressão simbólica e valorização das histórias individuais. Rodas de conversa e ações educativas voltadas a gestantes e puérperas com DF contribuem significativamente para a humanização do cuidado, o fortalecimento da adesão ao tratamento e a melhora da saúde emocional. O grupo mostrou-se uma estratégia viável e eficaz no cuidado integral à gestante com DF, promovendo empoderamento, suporte social e acolhimento. Iniciativas como esta devem ser incentivadas nos Centros de Tratamento que atendem esse público, como forma de ampliar a escuta qualificada e o cuidado integral.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (BR)
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Maternal and Neonatal Healthcare
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