CROMOMICINA A2 EXIBE EFEITOS ANTILEUCÊMICOS POR MEIO DA INTERRUPÇÃO COORDENADA DE VIAS DE SOBREVIVÊNCIA CELULAR

Novas terapias contra leucemias agudas são urgentes devido à alta taxa de recidiva e à resistência aos tratamentos convencionais. A identificação de alvos moleculares específicos permite estratégias mais eficazes e menos tóxicas, com potencial para melhorar sobrevida e qualidade de vida. Subgrupos com prognóstico ruim podem se beneficiar de abordagens inovadoras. Dentro desse contexto, a classe da cromomicina surge como promissora por interferir na estrutura do DNA e modular vias de sobrevivência celular. Essas moléculas se ligam a regiões ricas em GC no DNA, intercalam-se na hélice e inibem a RNA polimerase, bloqueando síntese de RNA e expressão gênica. A cromomicina A2, especificamente, ainda é pouco explorada; embora tenha mostrado atividade antitumoral em modelos de melanoma e adenocarcinoma gástrico, seus efeitos em malignidades hematológicas ainda não haviam sido avaliados. Avaliamos os efeitos antineoplásicos da cromomicina A2 em um painel abrangente de neoplasias mieloides (n = 13) e linfoides (n = 9), incluindo linhagens com resistência adquirida ao venetoclax (n = 2), quizartinibe (n = 1) e ATRA (n = 1). A viabilidade celular foi medida por ensaio MTT, apoptose por coloração annexina V/PI e citometria de fluxo, e crescimento clonal autônomo em meio semissólido livre de citocinas. Também realizamos experimentos ex vivo com células primárias de pacientes adultos com LMA (n = 3) e LLA (n = 3). As análises moleculares envolveram PCR arrays com 22 genes relacionados a autofagia, ciclo celular, apoptose e dano ao DNA, além de Western blot. As comparações estatísticas foram feitas por ANOVA com post hoc de Bonferroni ou teste t de Student, considerando p < 0,05 como significativo. A cromomicina A2 reduziu a viabilidade de todas as linhagens leucêmicas em dose-dependente (IC50 de 0,40 a 4,42 nM). Linhagens resistentes apresentaram IC50 ligeiramente mais altas, mas ainda dentro de uma faixa de sensibilidade aceitável. A redução da viabilidade foi também dependente de tempo e associada à indução de apoptose proporcional à dose. O composto aboliu completamente o crescimento clonal autônomo de linhagens de LMA e LLA em concentrações ≥ 5 nM. Molecularmente, o tratamento inicial induziu marcadores de autofagia (acúmulo de LC3BII e degradação de SQSTM1/p62), reflexo de supressão transcricional e redução de sinais por fatores de crescimento. Em seguida, surgiram marcadores de apoptose (PARP1 clivado) e de dano ao DNA (γH2AX). A expressão gênica confirmou essa sequência: ativação precoce de genes de autofagia e parada do ciclo celular (6 h), seguida por indução de genes pró-apoptóticos (12 h). Análises de rede e enriquecimento por ontologia molecular destacaram ação em macroautofagia, apoptose mitocondrial e checkpoint de dano ao DNA G1 (FDR < 0,001). Nos ensaios ex vivo, os valores de IC50 variaram de 1,6 a 31,8 nM com eficácia de 81 % a 92 % em amostras primárias de LMA e LLA. A cromomicina A2 demonstrou potente atividade antileucêmica em linhagens e amostras ex vivo de LMA, inclusive em subtipos resistentes. Seus efeitos tempo- e dose-dependentes incluem indução de autofagia, apoptose e dano ao DNA, indicando ação sob múltiplos alvos. O composto também suprimiu o crescimento clonal autônomo, sugerindo ação sobre células-tronco/progenitoras e reforçando seu potencial terapêutico. FAPESP, CAPES e CNPq.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104521
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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OCT
article

CROMOMICINA A2 EXIBE EFEITOS ANTILEUCÊMICOS POR MEIO DA INTERRUPÇÃO COORDENADA DE VIAS DE SOBREVIVÊNCIA CELULAR

FL Nogueira, Eduardo Magalhães Rego, RC Cavaglieri, JA Machado-Neto et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

CROMOMICINA A2 EXIBE EFEITOS ANTILEUCÊMICOS POR MEIO DA INTERRUPÇÃO COORDENADA DE VIAS DE SOBREVIVÊNCIA CELULAR

FL Nogueira, Eduardo Magalhães Rego, RC Cavaglieri, JA Machado-Neto, Letícia V. Costa‐Lotufo, Eduarda Vieira, K Lima
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Abstract

Novas terapias contra leucemias agudas são urgentes devido à alta taxa de recidiva e à resistência aos tratamentos convencionais. A identificação de alvos moleculares específicos permite estratégias mais eficazes e menos tóxicas, com potencial para melhorar sobrevida e qualidade de vida. Subgrupos com prognóstico ruim podem se beneficiar de abordagens inovadoras. Dentro desse contexto, a classe da cromomicina surge como promissora por interferir na estrutura do DNA e modular vias de sobrevivência celular. Essas moléculas se ligam a regiões ricas em GC no DNA, intercalam-se na hélice e inibem a RNA polimerase, bloqueando síntese de RNA e expressão gênica. A cromomicina A2, especificamente, ainda é pouco explorada; embora tenha mostrado atividade antitumoral em modelos de melanoma e adenocarcinoma gástrico, seus efeitos em malignidades hematológicas ainda não haviam sido avaliados. Avaliamos os efeitos antineoplásicos da cromomicina A2 em um painel abrangente de neoplasias mieloides (n = 13) e linfoides (n = 9), incluindo linhagens com resistência adquirida ao venetoclax (n = 2), quizartinibe (n = 1) e ATRA (n = 1). A viabilidade celular foi medida por ensaio MTT, apoptose por coloração annexina V/PI e citometria de fluxo, e crescimento clonal autônomo em meio semissólido livre de citocinas. Também realizamos experimentos ex vivo com células primárias de pacientes adultos com LMA (n = 3) e LLA (n = 3). As análises moleculares envolveram PCR arrays com 22 genes relacionados a autofagia, ciclo celular, apoptose e dano ao DNA, além de Western blot. As comparações estatísticas foram feitas por ANOVA com post hoc de Bonferroni ou teste t de Student, considerando p < 0,05 como significativo. A cromomicina A2 reduziu a viabilidade de todas as linhagens leucêmicas em dose-dependente (IC50 de 0,40 a 4,42 nM). Linhagens resistentes apresentaram IC50 ligeiramente mais altas, mas ainda dentro de uma faixa de sensibilidade aceitável. A redução da viabilidade foi também dependente de tempo e associada à indução de apoptose proporcional à dose. O composto aboliu completamente o crescimento clonal autônomo de linhagens de LMA e LLA em concentrações ≥ 5 nM. Molecularmente, o tratamento inicial induziu marcadores de autofagia (acúmulo de LC3BII e degradação de SQSTM1/p62), reflexo de supressão transcricional e redução de sinais por fatores de crescimento. Em seguida, surgiram marcadores de apoptose (PARP1 clivado) e de dano ao DNA (γH2AX). A expressão gênica confirmou essa sequência: ativação precoce de genes de autofagia e parada do ciclo celular (6 h), seguida por indução de genes pró-apoptóticos (12 h). Análises de rede e enriquecimento por ontologia molecular destacaram ação em macroautofagia, apoptose mitocondrial e checkpoint de dano ao DNA G1 (FDR < 0,001). Nos ensaios ex vivo, os valores de IC50 variaram de 1,6 a 31,8 nM com eficácia de 81 % a 92 % em amostras primárias de LMA e LLA. A cromomicina A2 demonstrou potente atividade antileucêmica em linhagens e amostras ex vivo de LMA, inclusive em subtipos resistentes. Seus efeitos tempo- e dose-dependentes incluem indução de autofagia, apoptose e dano ao DNA, indicando ação sob múltiplos alvos. O composto também suprimiu o crescimento clonal autônomo, sugerindo ação sobre células-tronco/progenitoras e reforçando seu potencial terapêutico. FAPESP, CAPES e CNPq.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade de São Paulo (BR), Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (BR)
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Acute Myeloid Leukemia Research
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