PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES POR LINFOMA NÃO HODGKIN NA REGIÃO NORTE DO BRASIL (2015-2024)

O Linfoma não Hodgkin (LNH) é uma neoplasia maligna que acomete tecidos linfoides, principalmente os linfonodos. Sua incidência aumenta com a idade, sendo a faixa etária um importante fator de risco. Além disso, fatores sociodemográficos como região, raça/cor e sexo influenciam diretamente o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, especialmente em áreas com menor infraestrutura de saúde, como a Região Norte do Brasil. Analisar o perfil das internações por LNH na Região Norte do Brasil entre 2015 e 2024, considerando variáveis sociodemográficas e epidemiológicas. Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo e quantitativo. Os dados epidemiológicos foram obtidos na seção "Morbidade Hospitalar" do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Foram considerados registros de internações com diagnóstico principal de LNH na Região Norte entre 2015 e 2024. Foram registradas 169.626 internações por LNH no Brasil entre 2015 e 2024. A Região Sudeste concentrou o maior número, com 79.521 internações (46,8%), enquanto a Região Norte apresentou o menor quantitativo, com 6.851 internações (4%). Dentro da Região Norte, o Pará se destacou com 2.102 internações (30,6%). A faixa etária com maior número de internações foi de 50 a 59 anos, com 1.104 casos. A população parda representou o maior grupo acometido, com 4.974 internações (72,6%). Do total de casos da Região Norte foram registradas 4.367 (63,75%) internações para homens e 2.484 (36,25%) para mulheres. No total, o número de óbitos no Brasil por LNH foi de 14.127, sendo o Sudeste responsável por 6.318 (44,7%) e o Norte por 625 (4,4%). Esses dados indicam disparidades regionais, com maior concentração na Região Sudeste, o que pode ser atribuído à maior densidade populacional, melhor infraestrutura e acesso aos serviços de saúde. A Região Norte, com menor número absoluto de internações e óbitos, provavelmente reflete subnotificação ou dificuldades de acesso ao diagnóstico, especialmente em áreas geograficamente isoladas. O Pará dentro da região evidencia que, mesmo em contextos de limitações estruturais, a presença de serviços especializados pode ampliar o diagnóstico e o tratamento. A predominância de internações em adultos de 50 a 59 anos reforça o papel do envelhecimento como fator de risco. A prevalência entre pessoas pardas pode refletir a composição demográfica local, sendo esse o grupo mais atingido. O maior número de internações e óbitos entre homens pode estar relacionado tanto a fatores biológicos quanto comportamentais, como menor procura por atendimento precoce e baixa adesão aos protocolos terapêuticos. Dessa forma, entende-se que as disparidades regionais observadas evidenciam desigualdades no acesso à saúde e na disponibilidade de infraestrutura diagnóstica. O destaque do Pará dentro da Região Norte reforça a importância de centros regionais de referência no enfrentamento da doença. A predominância de casos na faixa etária de 50 a 59 anos e entre indivíduos pardos evidencia a necessidade de estratégias de saúde pública direcionadas a grupos vulneráveis. Além disso, a maior proporção de internações e óbitos no sexo masculino ressalta a importância de ações específicas voltadas para ampliar a adesão ao tratamento e incentivar a busca por diagnóstico precoce entre os homens.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104694
Primary Topic
Women's cancer prevention and management
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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article

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES POR LINFOMA NÃO HODGKIN NA REGIÃO NORTE DO BRASIL (2015-2024)

AS Khayat, Carine Fortes Aragão, Juliane de Oliveira, Adrián Andrade et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Women's cancer prevention and management
article

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES POR LINFOMA NÃO HODGKIN NA REGIÃO NORTE DO BRASIL (2015-2024)

AS Khayat, Carine Fortes Aragão, Juliane de Oliveira, Adrián Andrade, Marília Oliveira
article en

Abstract

O Linfoma não Hodgkin (LNH) é uma neoplasia maligna que acomete tecidos linfoides, principalmente os linfonodos. Sua incidência aumenta com a idade, sendo a faixa etária um importante fator de risco. Além disso, fatores sociodemográficos como região, raça/cor e sexo influenciam diretamente o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, especialmente em áreas com menor infraestrutura de saúde, como a Região Norte do Brasil. Analisar o perfil das internações por LNH na Região Norte do Brasil entre 2015 e 2024, considerando variáveis sociodemográficas e epidemiológicas. Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo e quantitativo. Os dados epidemiológicos foram obtidos na seção "Morbidade Hospitalar" do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Foram considerados registros de internações com diagnóstico principal de LNH na Região Norte entre 2015 e 2024. Foram registradas 169.626 internações por LNH no Brasil entre 2015 e 2024. A Região Sudeste concentrou o maior número, com 79.521 internações (46,8%), enquanto a Região Norte apresentou o menor quantitativo, com 6.851 internações (4%). Dentro da Região Norte, o Pará se destacou com 2.102 internações (30,6%). A faixa etária com maior número de internações foi de 50 a 59 anos, com 1.104 casos. A população parda representou o maior grupo acometido, com 4.974 internações (72,6%). Do total de casos da Região Norte foram registradas 4.367 (63,75%) internações para homens e 2.484 (36,25%) para mulheres. No total, o número de óbitos no Brasil por LNH foi de 14.127, sendo o Sudeste responsável por 6.318 (44,7%) e o Norte por 625 (4,4%). Esses dados indicam disparidades regionais, com maior concentração na Região Sudeste, o que pode ser atribuído à maior densidade populacional, melhor infraestrutura e acesso aos serviços de saúde. A Região Norte, com menor número absoluto de internações e óbitos, provavelmente reflete subnotificação ou dificuldades de acesso ao diagnóstico, especialmente em áreas geograficamente isoladas. O Pará dentro da região evidencia que, mesmo em contextos de limitações estruturais, a presença de serviços especializados pode ampliar o diagnóstico e o tratamento. A predominância de internações em adultos de 50 a 59 anos reforça o papel do envelhecimento como fator de risco. A prevalência entre pessoas pardas pode refletir a composição demográfica local, sendo esse o grupo mais atingido. O maior número de internações e óbitos entre homens pode estar relacionado tanto a fatores biológicos quanto comportamentais, como menor procura por atendimento precoce e baixa adesão aos protocolos terapêuticos. Dessa forma, entende-se que as disparidades regionais observadas evidenciam desigualdades no acesso à saúde e na disponibilidade de infraestrutura diagnóstica. O destaque do Pará dentro da Região Norte reforça a importância de centros regionais de referência no enfrentamento da doença. A predominância de casos na faixa etária de 50 a 59 anos e entre indivíduos pardos evidencia a necessidade de estratégias de saúde pública direcionadas a grupos vulneráveis. Além disso, a maior proporção de internações e óbitos no sexo masculino ressalta a importância de ações específicas voltadas para ampliar a adesão ao tratamento e incentivar a busca por diagnóstico precoce entre os homens.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade do Estado do Pará (BR), Centro de Pesquisas Oncológicas (BR)
Openalex Percentile: Top 58%
Women's cancer prevention and management
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