MARCADORES LABORATORIAIS ASSOCIADOS AO FENÓTIPO DE ALTO RISCO NA LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA: UM ESTUDO EM PACIENTES DO SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE BRASILEIRO
A estratificação de risco inical na leucemia promielocítica aguda (LPA) orienta decisões terapêuticas precoces e influencia diretamente o prognóstico desses pacientes. Embora a contagem de leucócitos seja o principal critério para definição de alto risco, a identificação de biomarcadores laboratoriais acessíveis que se associem a esse fenótipo, pode oferecer subsídios adicionais à estratificação inicial, especialmente em cenários do sistema público de saúde. Investigar a associação entre parâmetros laboratoriais admissionais e a classificação de risco na LPA, com foco na identificação de biomarcadores relacionados ao fenótipo de alto risco. Estudo retrospectivo, conduzido em um hospital público universitário, que incluiu pacientes adultos diagnosticados com LPA entre 2013 e 2025. A coleta de dados ocorreu por meio da revisão de prontuários médicos vinculados ao banco institucional do serviço (UNIFESP, CAAE: 87215625.4.0000.5505). O processamento de dados incluiu, inicialmente, a análise univariada comparativa entre grupos definidos pela contagem leucocitária ao diagnóstico (alto risco: ≥10.000/mm 3 ; não alto risco: <10.000/mm 3 ). Parâmetros com significância estatística foram submetidos à análise de colinearidade e correlacionados à contagem de leucócitos pelo teste de Spearman. Foram incluídos 68 pacientes no estudo, dos quais 57,4% eram do sexo masculino, com mediana de idade de 40 anos na população total. O grupo de alto risco correspondeu a 33,8% da amostra. Entre os parâmetros laboratoriais admissionais, destacaram-se maior percentual de blastos periféricos (37,5% vs. 1,3%; p < 0,05) e níveis mais elevados de lactato desidrogenase (LDH) (648,0 vs. 340,0 U/L; p < 0,05) no grupo de alto risco, além de menor tempo de protrombina (TP) (58,0% vs. 68,0%; p < 0,05). As variáveis com diferença estatística (p < 0,05) foram submetidas à avaliação de colinearidade, tendo LDH e TP resultados indicativos de relativa independência (VIF<5), enquanto os demais marcadores apresentaram colinearidade significativa ou perfeita, refletindo sobreposição entre parâmetros hematológicos. Análises de correlação demonstraram associação positiva entre LDH e a contagem de leucócitos (ρ= 0,52; p < 0,001), enquanto o TP associou-se negativamente a esse parâmetro (ρ= –0,46; p < 0,001). Os achados reforçam que biomarcadores simples e acessíveis, como LDH e TP, podem refletir características adicionais ao fenótipo de alto risco na LPA. Esses biomarcadores, quando analisados em conjunto com a contagem de leucócitos, podem contribuir para uma estratificação inicial mais refinada, auxiliando sob a definição prognóstica dos casos, especialmente em contextos com limitação de recursos.
Authors
- FR Kerbauy
- Rita Suely Bacuri de Queiroz (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0680-1485)
- P. Torres Pérez (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8769-3521)
- EC Chapchap
- Hugo Ribeiro (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6623-7420)
- AF Sandes
- TA Carmo
- L Meloti
- L Arraes
- ML Dourado
Institutions
- Hospital Israelita Albert Einstein (BR)
- Universidade Federal de São Paulo (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104609
- Primary Topic
- Acute Lymphoblastic Leukemia research
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
- 0.00