RELATO DE CASO: ENTIDADE RARA ENVOLVENDO O GENE FGFR1 EM LEUCEMIA AGUDA.

As leucemias agudas, tanto de linhagem mieloide quanto linfoide, são um grupo heterogêneo de neoplasias hematológicas com proliferação anormal de células imaturas que substituem a hematopoese normal. A identificação de anormalidades cromossômicas e genéticas tem ajudado na caracterização de subgrupos, no direcionamento de terapia e prognóstico. A identificação de alterações genéticas por meio do sequenciamento de nova geração (SNG) associado ao cariótipo convencional tem permitido classificar novos subtipos. Relatar o caso de uma paciente com rearranjo raro que envolve o gene FGFR1 com diagnóstico inicial de uma leucemia linfoblastica B (LLA-B) com progressão para leucemia mieloide aguda (LMA). Paciente feminina, 48 anos, com diagnóstico de LLA-B, Philadelphia negativa. Recebeu quimioterapia agressiva, mas a despeito disso, apareceram blastos em sangue periférico após seis meses. Foi solicitada a reavaliação medular. O mielograma mostrou-se hipercelular com 11,7% de blastos. A imunofenotipagem confirmou 8,5% de células de linhagem mieloide imaturas anômalas com expressão de antígenos mieloides CD13, CD33, MPO, CD117, CD34, HLA-DR e CD38. Além disso, havia a presença de 1,5% de células de linhagem B imaturas com os antígenos CD79a, CD19, CD10, CD34 e CD81, portanto havia presença de duas populações de blastos, ou seja, linhagem mieloide e linfoide. Adicionalmente, foi evidenciado na biópsia de medula óssea, hipercelularidade com um infiltrado de células blastoides positivas para MPO e lisozima. Na análise do cariótipo foi evidenciada a t(8;22)(p11.2;q11.2), em 20 metáfases. A pesquisa de mutações por sequenciamento de nova geração (SNG) mostrou uma variante provavelmente patogênica em RUNX1 (c.1036dup, p.Arg346Profs) com VAF 44% e a fusão oncogênica oncogênica BCR::FGFR1 , porém com baixos “reads”, o que suscitou à repetição do sequenciamento. Entretanto, como o cariótipo já havia demonstrado a translocação correspondente a tal rearranjo, envolvendo o gene FGFR1, foi possível adiantar informação relevante para a conduta clínica e elucidação do caso. De acordo com os exames informados ao diagnóstico, a paciente não apresentava alterações de prognóstico desfavorável, tais como, Philadelphia e mutação KMT2A , dentre outras. Foi submetida a tratamento, porém, antes de um ano, apareceram blastos, sugerindo recaída. Contudo, a reavaliação mostrou outro subtipo de leucemia, agora mieloide, caracterizada pela maior porcentagem de blastos mieloides. A transformação de LLA em LMA é extremante rara e pode se dar por determinadas alterações genéticas, a exemplo da t(8;22), detectada no presente caso. Essa translocação corresponde ao rearranjo BCR::FGFR1 e está descrita em <1% dos casos de neoplasia hematológica. Esse rearranjo é pouco frequente e foi recentemente reclassificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como Neoplasia Mieloide/Linfoide com rearranjo FGFR1 . Pode se manifestar com diversos fenótipos, incluindo neoplasia mieloproliferativa com eosinofilia, leucemia mieloide aguda, leucemia linfoblástica aguda T ou B e/ou a leucemia aguda bifenotípica. Diante disso, o cariótipo foi de fundamental importância nesse caso, pois ofereceu celeridade ao processo decisório assim como corroborou a informação obtida pelo SNG. Isso ressalta a importância da associação de exames ainda que, por vezes, redundantes, mas sem dúvida complementares.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104643
Primary Topic
Eosinophilic Disorders and Syndromes
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

RELATO DE CASO: ENTIDADE RARA ENVOLVENDO O GENE FGFR1 EM LEUCEMIA AGUDA.

ASB Perazzio, LGF Cortes, Figo García Santos, MC Azevedo et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Eosinophilic Disorders and Syndromes
article

RELATO DE CASO: ENTIDADE RARA ENVOLVENDO O GENE FGFR1 EM LEUCEMIA AGUDA.

ASB Perazzio, LGF Cortes, Figo García Santos, MC Azevedo, F. R. F. Santos, JM Pessoa, MLLF Chauffaille
article en

Abstract

As leucemias agudas, tanto de linhagem mieloide quanto linfoide, são um grupo heterogêneo de neoplasias hematológicas com proliferação anormal de células imaturas que substituem a hematopoese normal. A identificação de anormalidades cromossômicas e genéticas tem ajudado na caracterização de subgrupos, no direcionamento de terapia e prognóstico. A identificação de alterações genéticas por meio do sequenciamento de nova geração (SNG) associado ao cariótipo convencional tem permitido classificar novos subtipos. Relatar o caso de uma paciente com rearranjo raro que envolve o gene FGFR1 com diagnóstico inicial de uma leucemia linfoblastica B (LLA-B) com progressão para leucemia mieloide aguda (LMA). Paciente feminina, 48 anos, com diagnóstico de LLA-B, Philadelphia negativa. Recebeu quimioterapia agressiva, mas a despeito disso, apareceram blastos em sangue periférico após seis meses. Foi solicitada a reavaliação medular. O mielograma mostrou-se hipercelular com 11,7% de blastos. A imunofenotipagem confirmou 8,5% de células de linhagem mieloide imaturas anômalas com expressão de antígenos mieloides CD13, CD33, MPO, CD117, CD34, HLA-DR e CD38. Além disso, havia a presença de 1,5% de células de linhagem B imaturas com os antígenos CD79a, CD19, CD10, CD34 e CD81, portanto havia presença de duas populações de blastos, ou seja, linhagem mieloide e linfoide. Adicionalmente, foi evidenciado na biópsia de medula óssea, hipercelularidade com um infiltrado de células blastoides positivas para MPO e lisozima. Na análise do cariótipo foi evidenciada a t(8;22)(p11.2;q11.2), em 20 metáfases. A pesquisa de mutações por sequenciamento de nova geração (SNG) mostrou uma variante provavelmente patogênica em RUNX1 (c.1036dup, p.Arg346Profs) com VAF 44% e a fusão oncogênica oncogênica BCR::FGFR1 , porém com baixos “reads”, o que suscitou à repetição do sequenciamento. Entretanto, como o cariótipo já havia demonstrado a translocação correspondente a tal rearranjo, envolvendo o gene FGFR1, foi possível adiantar informação relevante para a conduta clínica e elucidação do caso. De acordo com os exames informados ao diagnóstico, a paciente não apresentava alterações de prognóstico desfavorável, tais como, Philadelphia e mutação KMT2A , dentre outras. Foi submetida a tratamento, porém, antes de um ano, apareceram blastos, sugerindo recaída. Contudo, a reavaliação mostrou outro subtipo de leucemia, agora mieloide, caracterizada pela maior porcentagem de blastos mieloides. A transformação de LLA em LMA é extremante rara e pode se dar por determinadas alterações genéticas, a exemplo da t(8;22), detectada no presente caso. Essa translocação corresponde ao rearranjo BCR::FGFR1 e está descrita em <1% dos casos de neoplasia hematológica. Esse rearranjo é pouco frequente e foi recentemente reclassificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como Neoplasia Mieloide/Linfoide com rearranjo FGFR1 . Pode se manifestar com diversos fenótipos, incluindo neoplasia mieloproliferativa com eosinofilia, leucemia mieloide aguda, leucemia linfoblástica aguda T ou B e/ou a leucemia aguda bifenotípica. Diante disso, o cariótipo foi de fundamental importância nesse caso, pois ofereceu celeridade ao processo decisório assim como corroborou a informação obtida pelo SNG. Isso ressalta a importância da associação de exames ainda que, por vezes, redundantes, mas sem dúvida complementares.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Genesis HealthCare (US), Beneficência Portuguesa de São Paulo (BR), Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (BR), Genesis Medical Center (US), Fleury S.A. (Brazil) (BR)
Openalex Percentile: Top 55%
Eosinophilic Disorders and Syndromes
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.