INTEGRAÇÃO DA ESTRATIFICAÇÃO MOLECULAR NA LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA RECÉM DIAGNOSTICADA: USO DE FLAG-IDA + GENTUZUMABE OZAGAMICINA PARA OTIMIZAÇÃO DA RESPOSTA EM MUTAÇÕES NPM1 E FLT3-ITD

A leucemia mieloide aguda (LMA) é uma neoplasia decorrente de um distúrbio proliferativo clonal de precursores imaturos mieloides da medula óssea (MO). Sua incidência aumenta com a idade com pico em torno dos 60 anos. O diagnóstico é feito por meio da identificação de blastos (20% ou mais) no sangue periférico ou MO, na presença de mutações associadas à mielodisplasia o mutação de TP53 quando blastos entre 10-19%. Após o diagnóstico, é fundamental a estratificação de risco, que é feita por estudo genético e molecular, impactando na decisão terapêutica prognóstico clínico. L.L.F., feminina, 39 anos, previamente hígida. Há 3 meses iniciou fadiga com piora progressiva associada à pancitopenia. Mielograma com infiltrado por blastos (40% da celularidade total), imunofenotipagem da MO compatível com LMA sem maturação. Iniciada quimioterapia (QT) intensiva: protocolo 7 + 3, coletados painel de mutações mieloides - NGS e cariótipo par estratificação prognóstica. Diante de resultado parcial de NGS com presença de mutação FLT3-ITD, foi classificada como risco intermediário e associada Midostaurina à 1ª indução, com remissão completa (RC) ao término. Só então foi liberado resultado final de NGS: mutações FLT3-ITL NPM1, NRAS; cariótipo 46XX. Diante desses resultados, foi realizada 2ª indução com esquema FLAG-Ida e Gemtuzumabe Ozogamicina (GO), apresentando RC na avaliação de doença residual mensurável (DRM) e pesquisa de mutação do gene FLT3 por PCR não detectada. Em seguida, submetida a 2 ciclos de consolidação com Citarabina, mantendo RC com DRM negativa, em seguimento ambulatorial e monitorização molecular trimestral, não indicado transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas (TCTH). Pacientes portadores de LMA e idade inferior a 50 anos, independentemente do risco citogenético, recebem QT de indução com protocolo 7 + 3, como realizado nesse caso. Após identificada a presença de mutação FLT3-ITD, foi associada Midostaurina ao esquema terapêutico, de acordo com o estudo Ratify, que mostrou que essa associação possibilita aumento de sobrevida. Assim sendo, a programação inicial seria QT intensiva, avaliação de TCTH e manutenção com Midostaurina por 12 meses, tratamento mais prolongado e intenso. Todavia, com resultado final de NGS, foi constatada mutação de bom prognóstico (NPM1), superando os efeitos de mau prognóstico das outras mutações, o que possibilitou intensificar QT na indução, conforme descrito em literatura. Diante disso, foi possível modificar protocolo quimioterápico da 2ª indução para FLAG-Ida e GO, além de 2 ciclos de consolidação com Citarabina, resultando em menor tempo de tratamento. Conforme literatura atualizada, pacientes com mutação NPM1 tratados com FLAG-Ida e GO tiveram resposta mais rápida e profunda, além de maior sobrevida livre de progressão e menor risco de recidiva, independente da mutação FLT3. Além disso, esse esquema terapêutico está associado a níveis menores de DRM, possibilitando redução na indicação de TCTH. Todavia, no Brasil o resultado de NGS demanda maior tempo para liberação, o que impossibilitou início de QT de indução com FLAG-Ida e GO, como preconizado. O caso relatado demonstra a importância do estudo citogenético e molecular para escolha do regime de quimioterapia de indução e programação do tratamento. O atraso no acesso aos resultados pode implicar tratamento mais prolongados e intensivos, que demandam indicação de TCTH.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104556
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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INTEGRAÇÃO DA ESTRATIFICAÇÃO MOLECULAR NA LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA RECÉM DIAGNOSTICADA: USO DE FLAG-IDA + GENTUZUMABE OZAGAMICINA PARA OTIMIZAÇÃO DA RESPOSTA EM MUTAÇÕES NPM1 E FLT3-ITD

LGR Barbosa, MP Luizon, Deocleciano Cassiano de Santana Neto, LWC Branco et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

INTEGRAÇÃO DA ESTRATIFICAÇÃO MOLECULAR NA LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA RECÉM DIAGNOSTICADA: USO DE FLAG-IDA + GENTUZUMABE OZAGAMICINA PARA OTIMIZAÇÃO DA RESPOSTA EM MUTAÇÕES NPM1 E FLT3-ITD

LGR Barbosa, MP Luizon, Deocleciano Cassiano de Santana Neto, LWC Branco, CP Oliveira, Márcia Regina Eches Perugini, ÉR Mattos, MM Paulo, EJW Franco
article en

Abstract

A leucemia mieloide aguda (LMA) é uma neoplasia decorrente de um distúrbio proliferativo clonal de precursores imaturos mieloides da medula óssea (MO). Sua incidência aumenta com a idade com pico em torno dos 60 anos. O diagnóstico é feito por meio da identificação de blastos (20% ou mais) no sangue periférico ou MO, na presença de mutações associadas à mielodisplasia o mutação de TP53 quando blastos entre 10-19%. Após o diagnóstico, é fundamental a estratificação de risco, que é feita por estudo genético e molecular, impactando na decisão terapêutica prognóstico clínico. L.L.F., feminina, 39 anos, previamente hígida. Há 3 meses iniciou fadiga com piora progressiva associada à pancitopenia. Mielograma com infiltrado por blastos (40% da celularidade total), imunofenotipagem da MO compatível com LMA sem maturação. Iniciada quimioterapia (QT) intensiva: protocolo 7 + 3, coletados painel de mutações mieloides - NGS e cariótipo par estratificação prognóstica. Diante de resultado parcial de NGS com presença de mutação FLT3-ITD, foi classificada como risco intermediário e associada Midostaurina à 1ª indução, com remissão completa (RC) ao término. Só então foi liberado resultado final de NGS: mutações FLT3-ITL NPM1, NRAS; cariótipo 46XX. Diante desses resultados, foi realizada 2ª indução com esquema FLAG-Ida e Gemtuzumabe Ozogamicina (GO), apresentando RC na avaliação de doença residual mensurável (DRM) e pesquisa de mutação do gene FLT3 por PCR não detectada. Em seguida, submetida a 2 ciclos de consolidação com Citarabina, mantendo RC com DRM negativa, em seguimento ambulatorial e monitorização molecular trimestral, não indicado transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas (TCTH). Pacientes portadores de LMA e idade inferior a 50 anos, independentemente do risco citogenético, recebem QT de indução com protocolo 7 + 3, como realizado nesse caso. Após identificada a presença de mutação FLT3-ITD, foi associada Midostaurina ao esquema terapêutico, de acordo com o estudo Ratify, que mostrou que essa associação possibilita aumento de sobrevida. Assim sendo, a programação inicial seria QT intensiva, avaliação de TCTH e manutenção com Midostaurina por 12 meses, tratamento mais prolongado e intenso. Todavia, com resultado final de NGS, foi constatada mutação de bom prognóstico (NPM1), superando os efeitos de mau prognóstico das outras mutações, o que possibilitou intensificar QT na indução, conforme descrito em literatura. Diante disso, foi possível modificar protocolo quimioterápico da 2ª indução para FLAG-Ida e GO, além de 2 ciclos de consolidação com Citarabina, resultando em menor tempo de tratamento. Conforme literatura atualizada, pacientes com mutação NPM1 tratados com FLAG-Ida e GO tiveram resposta mais rápida e profunda, além de maior sobrevida livre de progressão e menor risco de recidiva, independente da mutação FLT3. Além disso, esse esquema terapêutico está associado a níveis menores de DRM, possibilitando redução na indicação de TCTH. Todavia, no Brasil o resultado de NGS demanda maior tempo para liberação, o que impossibilitou início de QT de indução com FLAG-Ida e GO, como preconizado. O caso relatado demonstra a importância do estudo citogenético e molecular para escolha do regime de quimioterapia de indução e programação do tratamento. O atraso no acesso aos resultados pode implicar tratamento mais prolongados e intensivos, que demandam indicação de TCTH.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Hospital Amaral Carvalho (BR)
Openalex Percentile: Top 59%
Acute Myeloid Leukemia Research
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