PERFIL DOS IMPEDIMENTOS PARA DOAÇÃO DE SANGUE EM UM HEMOCENTRO: UMA ANÁLISE RETROSPECTIVA

O sangue é essencial para funções vitais e não possui substituto artificial. Em casos de necessidade transfusional, a doação é a principal fonte de hemocomponentes e hemoderivados. Embora a OMS recomende que 3 a 5% da população doe, no Brasil menos de 2% doa regularmente. Por isso, além de conhecer o número de doadores, é fundamental compreender os dados de inaptidão, devido ao seu impacto na saúde pública. O objetivo deste estudo é identificar as principais causas de inaptidão da doação de sangue em um Hemocentro de Sergipe nos últimos 5 anos. Estudo observacional, retrospectivo, quantitativo e descritivo, baseado na análise de dados secundários do Hemose (2020–2024), avaliando médias anuais de voluntários cadastrados e casos de inaptidão para doação sanguínea, classificados em fisiológicos, comportamentais e sexuais. Entre 2020 e 2024, o Hemocentro registrou 29.300 casos de inaptidão clínica para doação de sangue, aumentando de 4.492 em 2020 para 6.506 em 2024. A maioria das inaptidões esteve ligada a impedimentos fisiológicos, principalmente alterações laboratoriais de hematócrito/hemoglobina baixos (7.704) e altos (1.130), hipertensão arterial (2.496), uso recente de medicamentos (1.504), jejum inadequado (1.189), uso de antibióticos (1.286) e pulso elevado (1.456). Condições temporárias como estado gripal (734) e repouso insuficiente (634) também influenciaram. Impedimentos comportamentais incluíram tatuagens ou piercings recentes (1.750), relações sexuais sem preservativo com parceiro não habitual (868), uso recente de cigarro (50) e consumo de álcool antes da triagem (55). Em menor número, foram registrados casos relacionados a doenças crônicas, transmissíveis, uso de drogas ilícitas e outros fatores, indicando a necessidade de ações educativas para reduzir essas causas e aumentar o número de doadores aptos. A maioria das inaptidões esteve ligada a fatores fisiológicos, muitas evitáveis com orientações prévias aos candidatos. Impedimentos comportamentais, como tatuagens recentes e práticas sexuais de risco, revelam necessidade de melhor informação. Condições crônicas e doenças transmissíveis, embora menos frequentes, permanecem relevantes pela gravidade. O cenário destaca a importância da triagem criteriosa, de ações educativas e preventivas e da divulgação dessas informações para reduzir inaptidões e ampliar os estoques de sangue nos hemocentros.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105769
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
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PERFIL DOS IMPEDIMENTOS PARA DOAÇÃO DE SANGUE EM UM HEMOCENTRO: UMA ANÁLISE RETROSPECTIVA

Francisco Tomaz de Oliveira, I. da R. Lordelo, JM de Menezes, B. O. da Rocha et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

PERFIL DOS IMPEDIMENTOS PARA DOAÇÃO DE SANGUE EM UM HEMOCENTRO: UMA ANÁLISE RETROSPECTIVA

Francisco Tomaz de Oliveira, I. da R. Lordelo, JM de Menezes, B. O. da Rocha, APBP Silva, I. Cruz, WdS Teles
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Abstract

O sangue é essencial para funções vitais e não possui substituto artificial. Em casos de necessidade transfusional, a doação é a principal fonte de hemocomponentes e hemoderivados. Embora a OMS recomende que 3 a 5% da população doe, no Brasil menos de 2% doa regularmente. Por isso, além de conhecer o número de doadores, é fundamental compreender os dados de inaptidão, devido ao seu impacto na saúde pública. O objetivo deste estudo é identificar as principais causas de inaptidão da doação de sangue em um Hemocentro de Sergipe nos últimos 5 anos. Estudo observacional, retrospectivo, quantitativo e descritivo, baseado na análise de dados secundários do Hemose (2020–2024), avaliando médias anuais de voluntários cadastrados e casos de inaptidão para doação sanguínea, classificados em fisiológicos, comportamentais e sexuais. Entre 2020 e 2024, o Hemocentro registrou 29.300 casos de inaptidão clínica para doação de sangue, aumentando de 4.492 em 2020 para 6.506 em 2024. A maioria das inaptidões esteve ligada a impedimentos fisiológicos, principalmente alterações laboratoriais de hematócrito/hemoglobina baixos (7.704) e altos (1.130), hipertensão arterial (2.496), uso recente de medicamentos (1.504), jejum inadequado (1.189), uso de antibióticos (1.286) e pulso elevado (1.456). Condições temporárias como estado gripal (734) e repouso insuficiente (634) também influenciaram. Impedimentos comportamentais incluíram tatuagens ou piercings recentes (1.750), relações sexuais sem preservativo com parceiro não habitual (868), uso recente de cigarro (50) e consumo de álcool antes da triagem (55). Em menor número, foram registrados casos relacionados a doenças crônicas, transmissíveis, uso de drogas ilícitas e outros fatores, indicando a necessidade de ações educativas para reduzir essas causas e aumentar o número de doadores aptos. A maioria das inaptidões esteve ligada a fatores fisiológicos, muitas evitáveis com orientações prévias aos candidatos. Impedimentos comportamentais, como tatuagens recentes e práticas sexuais de risco, revelam necessidade de melhor informação. Condições crônicas e doenças transmissíveis, embora menos frequentes, permanecem relevantes pela gravidade. O cenário destaca a importância da triagem criteriosa, de ações educativas e preventivas e da divulgação dessas informações para reduzir inaptidões e ampliar os estoques de sangue nos hemocentros.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Blood donation and transfusion practices
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