LINFOMA LINFOBLÁSTICO PRÓ-B COM ENVOLVIMENTO FACIAL EXCLUSIVO: UM RELATO DE CASO

O Linfoma Linfoblástico (LBL) é a manifestação tumoral da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), sendo o subtipo de células B menos comum que o de células T. Dentro dos LBL-B, o imunofenótipo Pró-B (ou B-I), caracterizado pela ausência de CD10, constitui um subgrupo particular, frequentemente associado a perfis genéticos complexos. A estratificação e o tratamento baseiam-se em protocolos de quimioterapia intensiva, semelhantes aos utilizados na LLA. Paciente masculino, 17 anos, previamente hígido, iniciou em outubro de 2024 quadro de massa com crescimento progressivo em hemiface direita, tratada inicialmente como celulite. Admitido em fevereiro de 2025 para investigação, foi submetido à biópsia, que confirmou LBL-B. A imuno-histoquímica foi positiva para PAX-5, TdT, CD34 e c-myc, com Ki-67 de 70%. A imunofenotipagem evidenciou perfil B-I (CD19+, CD34+, cyCD79a+), expressão aberrante de CD13 e CD33, e ausência de CD10 e CD20. O estadiamento mostrou PET-CT com lesão única hipermetabólica na hemiface direita (6,2 cm; SUVmax 6,3), sem outras captações. Mielograma e análise do líquor foram negativos para infiltração neoplásica, confirmando doença localizada. Análise molecular (FoundationOne Heme) detectou mutações patogênicas em TBL1XR1 e PIK3R1. Iniciado protocolo GRAALL-2005, com evolução rápida e satisfatória: PET-CT pós-indução evidenciou resposta metabólica completa. As reavaliações ao final das Consolidações 1 e 2 mantiveram Deauville 1, e a medula óssea permaneceu negativa para Doença Residual Mensurável (DRM). Com análise de líquor negativa para infiltração, recebeu quimioterapia intratecal profilática. Atualmente, segue assintomático, em excelente estado geral, no Bloco 7 da Consolidação 3, com programação para continuidade do protocolo. Trata-se, portanto, de apresentação rara de LBL-B com envolvimento exclusivamente extramedular e imunofenótipo Pró-B, associada a alterações genéticas potencialmente desfavoráveis. Mutações de perda de função em TBL1XR1 podem estar ligadas à resistência a glicocorticoides e desregulação transcricional, enquanto alterações em PIK3R1 ativam constitutivamente a via PI3K/AKT/mTOR, favorecendo proliferação e sobrevivência celular. Apesar deste perfil molecular adverso, o paciente apresentou quimiossensibilidade notável, alcançando e mantendo resposta completa e DRM negativa com tratamento intensivo. Nessa conjuntura, este caso reforça a relevância da avaliação molecular na estratificação e mostra que a quimioterapia adaptada da LLA pode superar a biologia desfavorável, especialmente quando aplicada de forma precoce e sistemática. A abordagem integrada, combinando histologia, imunofenotipagem, PET-CT e análise molecular, é fundamental para a classificação e o estadiamento precisos do LBL. O presente caso demonstra que protocolos intensivos da LLA podem proporcionar excelentes desfechos mesmo em subtipos raros e com perfil genômico complexo.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104605
Primary Topic
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
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MAR
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MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

LINFOMA LINFOBLÁSTICO PRÓ-B COM ENVOLVIMENTO FACIAL EXCLUSIVO: UM RELATO DE CASO

Cristina Pereira, Lisbeth Silva, L Ribeiro de Matos, Nelson Knak Neto et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
article

LINFOMA LINFOBLÁSTICO PRÓ-B COM ENVOLVIMENTO FACIAL EXCLUSIVO: UM RELATO DE CASO

Cristina Pereira, Lisbeth Silva, L Ribeiro de Matos, Nelson Knak Neto, Leandro Fonseca, EC Chapchap, TS Datoguia, Layla Honorato, N Hamerschlak, Sandra Custódio
article en

Abstract

O Linfoma Linfoblástico (LBL) é a manifestação tumoral da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), sendo o subtipo de células B menos comum que o de células T. Dentro dos LBL-B, o imunofenótipo Pró-B (ou B-I), caracterizado pela ausência de CD10, constitui um subgrupo particular, frequentemente associado a perfis genéticos complexos. A estratificação e o tratamento baseiam-se em protocolos de quimioterapia intensiva, semelhantes aos utilizados na LLA. Paciente masculino, 17 anos, previamente hígido, iniciou em outubro de 2024 quadro de massa com crescimento progressivo em hemiface direita, tratada inicialmente como celulite. Admitido em fevereiro de 2025 para investigação, foi submetido à biópsia, que confirmou LBL-B. A imuno-histoquímica foi positiva para PAX-5, TdT, CD34 e c-myc, com Ki-67 de 70%. A imunofenotipagem evidenciou perfil B-I (CD19+, CD34+, cyCD79a+), expressão aberrante de CD13 e CD33, e ausência de CD10 e CD20. O estadiamento mostrou PET-CT com lesão única hipermetabólica na hemiface direita (6,2 cm; SUVmax 6,3), sem outras captações. Mielograma e análise do líquor foram negativos para infiltração neoplásica, confirmando doença localizada. Análise molecular (FoundationOne Heme) detectou mutações patogênicas em TBL1XR1 e PIK3R1. Iniciado protocolo GRAALL-2005, com evolução rápida e satisfatória: PET-CT pós-indução evidenciou resposta metabólica completa. As reavaliações ao final das Consolidações 1 e 2 mantiveram Deauville 1, e a medula óssea permaneceu negativa para Doença Residual Mensurável (DRM). Com análise de líquor negativa para infiltração, recebeu quimioterapia intratecal profilática. Atualmente, segue assintomático, em excelente estado geral, no Bloco 7 da Consolidação 3, com programação para continuidade do protocolo. Trata-se, portanto, de apresentação rara de LBL-B com envolvimento exclusivamente extramedular e imunofenótipo Pró-B, associada a alterações genéticas potencialmente desfavoráveis. Mutações de perda de função em TBL1XR1 podem estar ligadas à resistência a glicocorticoides e desregulação transcricional, enquanto alterações em PIK3R1 ativam constitutivamente a via PI3K/AKT/mTOR, favorecendo proliferação e sobrevivência celular. Apesar deste perfil molecular adverso, o paciente apresentou quimiossensibilidade notável, alcançando e mantendo resposta completa e DRM negativa com tratamento intensivo. Nessa conjuntura, este caso reforça a relevância da avaliação molecular na estratificação e mostra que a quimioterapia adaptada da LLA pode superar a biologia desfavorável, especialmente quando aplicada de forma precoce e sistemática. A abordagem integrada, combinando histologia, imunofenotipagem, PET-CT e análise molecular, é fundamental para a classificação e o estadiamento precisos do LBL. O presente caso demonstra que protocolos intensivos da LLA podem proporcionar excelentes desfechos mesmo em subtipos raros e com perfil genômico complexo.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Hospital Israelita Albert Einstein (BR)
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Chronic Lymphocytic Leukemia Research
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