DESENVOLVIMENTO DE UM FLUXOGRAMA INTERNO PARA RESOLUÇÃO MOLECULAR DE DISCREPÂNCIAS NA TIPAGEM RHD: UMA ESTRATÉGIA PARA AGILIDADE DIAGNÓSTICA E REDUÇÃO DE CUSTOS

As discrepâncias sorológicas no sistema RhD representam desafios significativos na prática laboratorial, especialmente devido à grande quantidade de variantes D fraco, D parcial e Del. A correta elucidação desses casos é essencial para garantir a segurança transfusional e prevenir aloimunizações. No entanto, a ausência de protocolos padronizados para a investigação molecular dessas discrepâncias resulta em processos mais demorados e com menor eficiência. Desenvolver um fluxograma interno para a investigação molecular de discrepâncias no sistema RhD, com foco na otimização do tempo, padronização dos processos e redução de custos laboratoriais. Foram incluídas no estudo 60 amostras de doadores de sangue selecionadas no período de jan/2023 a dez/2024 com discrepâncias na tipagem RhD ou com tipagem inconclusiva. Foram analisados dados sorológicos do equipamento automatizado Neo Immucor, incluindo reatividade na tipagem RhD (aglutinação em microplaca) e no teste confirmatório (fase sólida) e a fenotipagem RhCE. Os testes moleculares necessários para conclusão de cada amostra e os genótipos encontrados foram listados e correlacionados com os dados sorológicos. A partir desse levantamento, definiram-se critérios técnicos para a construção do fluxograma. O genótipo RHD*01N.01 foi detectado em 23 amostras (38,3%). Todas essas amostras apresentaram resultado inconclusivo na doação atual, com reatividade muito fraca no teste confirmatório e foram concluídas com uma reação de multiplex. Doadores caracterizados como D fraco tipo 38 e D fraco/parcial tipo 11 foram identificado em 23 amostras (38,3%) e 8 amostras (13,3%) respectivamente. Todas as amostras tinham o fenótipo Ccee e apresentaram resultado negativo na tipagem RhD em microplaca e positivo fraco no teste confirmatório. As 6 amostras (10%) restantes apresentaram reatividade fraca na microplaca e foram concluídas com sequenciamento dos exons do gene RHD, com exceção de 2 amostras concluídas com PCR-RFLP que foram classificadas como D fraco tipo 1 (C+) e D fraco tipo 2 (E+). O Fluxograma proposto: 1. Amostras com resultado negativo em microplaca, inconclusivo com baixa reatividade em fase sólida e fenotipagem C-E-: Multiplex intron4/Exon7. Resultado positivo segue para sequenciamento. 2. Amostra com resultado negativo em microplaca, inconclusivo ou positivo em fase sólida e fenotipagem C+: PCR-RFLP para D fraco tipo 38 e 11. Exclusão de ambas variantes, seguir para sequenciamento. 3. Amostra com positivo fraco em microplaca e fenotipagem C+ ou E+: seguir para PCR-RFLP para D fraco tipo 1 e 3 ou PCR-RFLP para D fraco tipo 2 respectivamente. Amostras que não se enquadram nos perfis acima seguir para sequenciamento de DNA. O modelo demonstrou-se efetivo para a elucidação de 91,67% dos casos utilizando apenas os testes PCR-RFLP e Multiplex, sendo necessária a genotipagem completa por sequenciamento em apenas 8,33% dos casos. Os resultados obtidos demonstram que a aplicação do fluxograma proposto, utilizando inicialmente PCR-RFLP e PCR Multiplex, é suficiente para elucidar a maioria dos casos de discrepâncias no sistema RhD, reduzindo a necessidade do sequenciamento completo, que apresenta maior custo e demanda técnica. A alta frequência do D fraco tipo 38 (38,3%) reforça a importância de sua triagem molecular, uma vez que sua detecção sorológica nem sempre é consistente, podendo impactar na classificação do fenótipo RhD.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105630
Primary Topic
Blood groups and transfusion
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ALL TIME
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DESENVOLVIMENTO DE UM FLUXOGRAMA INTERNO PARA RESOLUÇÃO MOLECULAR DE DISCREPÂNCIAS NA TIPAGEM RHD: UMA ESTRATÉGIA PARA AGILIDADE DIAGNÓSTICA E REDUÇÃO DE CUSTOS

NM Silva, FRM Latini, Adriana Cortéz, CP Arnoni
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood groups and transfusion
article

DESENVOLVIMENTO DE UM FLUXOGRAMA INTERNO PARA RESOLUÇÃO MOLECULAR DE DISCREPÂNCIAS NA TIPAGEM RHD: UMA ESTRATÉGIA PARA AGILIDADE DIAGNÓSTICA E REDUÇÃO DE CUSTOS

NM Silva, FRM Latini, Adriana Cortéz, CP Arnoni
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Abstract

As discrepâncias sorológicas no sistema RhD representam desafios significativos na prática laboratorial, especialmente devido à grande quantidade de variantes D fraco, D parcial e Del. A correta elucidação desses casos é essencial para garantir a segurança transfusional e prevenir aloimunizações. No entanto, a ausência de protocolos padronizados para a investigação molecular dessas discrepâncias resulta em processos mais demorados e com menor eficiência. Desenvolver um fluxograma interno para a investigação molecular de discrepâncias no sistema RhD, com foco na otimização do tempo, padronização dos processos e redução de custos laboratoriais. Foram incluídas no estudo 60 amostras de doadores de sangue selecionadas no período de jan/2023 a dez/2024 com discrepâncias na tipagem RhD ou com tipagem inconclusiva. Foram analisados dados sorológicos do equipamento automatizado Neo Immucor, incluindo reatividade na tipagem RhD (aglutinação em microplaca) e no teste confirmatório (fase sólida) e a fenotipagem RhCE. Os testes moleculares necessários para conclusão de cada amostra e os genótipos encontrados foram listados e correlacionados com os dados sorológicos. A partir desse levantamento, definiram-se critérios técnicos para a construção do fluxograma. O genótipo RHD*01N.01 foi detectado em 23 amostras (38,3%). Todas essas amostras apresentaram resultado inconclusivo na doação atual, com reatividade muito fraca no teste confirmatório e foram concluídas com uma reação de multiplex. Doadores caracterizados como D fraco tipo 38 e D fraco/parcial tipo 11 foram identificado em 23 amostras (38,3%) e 8 amostras (13,3%) respectivamente. Todas as amostras tinham o fenótipo Ccee e apresentaram resultado negativo na tipagem RhD em microplaca e positivo fraco no teste confirmatório. As 6 amostras (10%) restantes apresentaram reatividade fraca na microplaca e foram concluídas com sequenciamento dos exons do gene RHD, com exceção de 2 amostras concluídas com PCR-RFLP que foram classificadas como D fraco tipo 1 (C+) e D fraco tipo 2 (E+). O Fluxograma proposto: 1. Amostras com resultado negativo em microplaca, inconclusivo com baixa reatividade em fase sólida e fenotipagem C-E-: Multiplex intron4/Exon7. Resultado positivo segue para sequenciamento. 2. Amostra com resultado negativo em microplaca, inconclusivo ou positivo em fase sólida e fenotipagem C+: PCR-RFLP para D fraco tipo 38 e 11. Exclusão de ambas variantes, seguir para sequenciamento. 3. Amostra com positivo fraco em microplaca e fenotipagem C+ ou E+: seguir para PCR-RFLP para D fraco tipo 1 e 3 ou PCR-RFLP para D fraco tipo 2 respectivamente. Amostras que não se enquadram nos perfis acima seguir para sequenciamento de DNA. O modelo demonstrou-se efetivo para a elucidação de 91,67% dos casos utilizando apenas os testes PCR-RFLP e Multiplex, sendo necessária a genotipagem completa por sequenciamento em apenas 8,33% dos casos. Os resultados obtidos demonstram que a aplicação do fluxograma proposto, utilizando inicialmente PCR-RFLP e PCR Multiplex, é suficiente para elucidar a maioria dos casos de discrepâncias no sistema RhD, reduzindo a necessidade do sequenciamento completo, que apresenta maior custo e demanda técnica. A alta frequência do D fraco tipo 38 (38,3%) reforça a importância de sua triagem molecular, uma vez que sua detecção sorológica nem sempre é consistente, podendo impactar na classificação do fenótipo RhD.

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