VESÍCULAS EXTRACELULARES (VES) E MICRORNAS NA LEUCEMIA LINFOCÍTICA CRÔNICA: IMPACTO NA IMUNOMODULAÇÃO DE CÉLULAS DENDRÍTICAS

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela acúmulo de linfócitos B maduros, mas funcionalmente anormais, que afetam a medula óssea, o sangue e os tecidos linfáticos. A interação dessas células com o microambiente tumoral é fundamental para sua sobrevivência, destacando-se as vesículas extracelulares (VEs) como mediadoras centrais dessa comunicação. As VEs transportam diversas moléculas bioativas, incluindo microRNAs (miRNAs), que influenciam processos como proliferação, apoptose e modulação da resposta imune. Em especial, a interação entre VEs e células dendríticas (DCs) pode comprometer a ativação de linfócitos T e favorecer a evasão imunológica, contribuindo para a progressão da LLC. Investigar, por meio de uma revisão integrativa, o papel das vesículas extracelulares (VEs) e de seus microRNAs (miRNAs) na modulação imunológica em pacientes com Leucemia Linfocítica Crônica (LLC), com ênfase na interação com células dendríticas (DCs). Trata-se de uma revisão integrativa baseada em artigos publicados entre 2005 e 2024, na base de dados PubMed. Utilizaram-se os descritores: "extracellular vesicles", "microRNAs", "chronic lymphocytic leukemia" e "dendritic cells". A busca resultou inicialmente em 102 publicações. Após leitura dos títulos, resumos e critérios de elegibilidade, como foco temático, acesso ao texto completo e relevância para a temática proposta, foram selecionados 35 artigos para análise aprofundada e discussão. Os estudos revisados demonstram que VEs derivadas de células leucêmicas contêm miRNAs como miR-21, miR-150, miR-155 e miR-181, que interferem diretamente na ativação, fenótipo e função de DCs. Esses miRNAs estão associados à supressão da apresentação de antígenos, evasão imunológica e progressão tumoral. Estratégias terapêuticas envolvendo antagomirs mostraram potencial em restaurar a função das DCs, ativar linfócitos T e reverter a imunossupressão. Evidências apontam que a manipulação da carga vesicular ou o bloqueio da biogênese das VEs pode ser uma via promissora no tratamento da LLC. A análise integrativa da literatura evidencia que as VEs funcionam como importantes veículos de sinalização entre as células tumorais e o sistema imunológico. Os miRNAs transportados por essas vesículas desempenham papéis duplos, podendo promover imunossupressão ou inflamação, dependendo do contexto molecular e celular. A modulação negativa das DCs por miRNAs oncogênicos favorece a tolerância imunológica, dificultando o reconhecimento das células leucêmicas pelo sistema imune. Por outro lado, o bloqueio desses miRNAs por antagomirs pode restaurar a capacidade das DCs de ativar linfócitos T e promover uma resposta imune eficaz. Esses achados reforçam o potencial terapêutico da manipulação de VEs como ferramenta para redirecionar a resposta imunológica em pacientes com LLC. As VEs atuam como mediadoras importantes da comunicação intercelular na LLC, modulando respostas imunológicas via transferência de miRNAs. A compreensão dessas interações revela oportunidades para terapias direcionadas, especialmente por meio da inibição seletiva de miRNAs oncogênicos. A literatura evidencia que as VEs e seus miRNAs representam alvos viáveis para estratégias terapêuticas inovadoras na LLC.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104387
Primary Topic
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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VESÍCULAS EXTRACELULARES (VES) E MICRORNAS NA LEUCEMIA LINFOCÍTICA CRÔNICA: IMPACTO NA IMUNOMODULAÇÃO DE CÉLULAS DENDRÍTICAS

Luciano Santos Xavier, Mamede de Carvalho, Mayara De Oliveira Jardim, D. Coutinho et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
article

VESÍCULAS EXTRACELULARES (VES) E MICRORNAS NA LEUCEMIA LINFOCÍTICA CRÔNICA: IMPACTO NA IMUNOMODULAÇÃO DE CÉLULAS DENDRÍTICAS

Luciano Santos Xavier, Mamede de Carvalho, Mayara De Oliveira Jardim, D. Coutinho, Sérgio Henrique Rodrigues Ribeiro, AdP Sabino, LKC Neves, S. M. Nolasco, CMdC Paraguai
article en

Abstract

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela acúmulo de linfócitos B maduros, mas funcionalmente anormais, que afetam a medula óssea, o sangue e os tecidos linfáticos. A interação dessas células com o microambiente tumoral é fundamental para sua sobrevivência, destacando-se as vesículas extracelulares (VEs) como mediadoras centrais dessa comunicação. As VEs transportam diversas moléculas bioativas, incluindo microRNAs (miRNAs), que influenciam processos como proliferação, apoptose e modulação da resposta imune. Em especial, a interação entre VEs e células dendríticas (DCs) pode comprometer a ativação de linfócitos T e favorecer a evasão imunológica, contribuindo para a progressão da LLC. Investigar, por meio de uma revisão integrativa, o papel das vesículas extracelulares (VEs) e de seus microRNAs (miRNAs) na modulação imunológica em pacientes com Leucemia Linfocítica Crônica (LLC), com ênfase na interação com células dendríticas (DCs). Trata-se de uma revisão integrativa baseada em artigos publicados entre 2005 e 2024, na base de dados PubMed. Utilizaram-se os descritores: "extracellular vesicles", "microRNAs", "chronic lymphocytic leukemia" e "dendritic cells". A busca resultou inicialmente em 102 publicações. Após leitura dos títulos, resumos e critérios de elegibilidade, como foco temático, acesso ao texto completo e relevância para a temática proposta, foram selecionados 35 artigos para análise aprofundada e discussão. Os estudos revisados demonstram que VEs derivadas de células leucêmicas contêm miRNAs como miR-21, miR-150, miR-155 e miR-181, que interferem diretamente na ativação, fenótipo e função de DCs. Esses miRNAs estão associados à supressão da apresentação de antígenos, evasão imunológica e progressão tumoral. Estratégias terapêuticas envolvendo antagomirs mostraram potencial em restaurar a função das DCs, ativar linfócitos T e reverter a imunossupressão. Evidências apontam que a manipulação da carga vesicular ou o bloqueio da biogênese das VEs pode ser uma via promissora no tratamento da LLC. A análise integrativa da literatura evidencia que as VEs funcionam como importantes veículos de sinalização entre as células tumorais e o sistema imunológico. Os miRNAs transportados por essas vesículas desempenham papéis duplos, podendo promover imunossupressão ou inflamação, dependendo do contexto molecular e celular. A modulação negativa das DCs por miRNAs oncogênicos favorece a tolerância imunológica, dificultando o reconhecimento das células leucêmicas pelo sistema imune. Por outro lado, o bloqueio desses miRNAs por antagomirs pode restaurar a capacidade das DCs de ativar linfócitos T e promover uma resposta imune eficaz. Esses achados reforçam o potencial terapêutico da manipulação de VEs como ferramenta para redirecionar a resposta imunológica em pacientes com LLC. As VEs atuam como mediadoras importantes da comunicação intercelular na LLC, modulando respostas imunológicas via transferência de miRNAs. A compreensão dessas interações revela oportunidades para terapias direcionadas, especialmente por meio da inibição seletiva de miRNAs oncogênicos. A literatura evidencia que as VEs e seus miRNAs representam alvos viáveis para estratégias terapêuticas inovadoras na LLC.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de Minas Gerais (BR)
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Chronic Lymphocytic Leukemia Research
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