IMPACTO DO ESTADIAMENTO ISS E DAS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS NA SOBREVIDA DO MIELOMA MÚLTIPLO: EVIDÊNCIAS REAIS DE UM CENTRO PÚBLICO

Mieloma Múltiplo (MM) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação de clone de plasmócitos que encontram microambiente favorável na medula óssea com síntese de proteína monoclonal e danos a órgãos-alvo. O estadiamento é feito por meio do International Staging System (ISS), que tem relação indireta com a sobrevida. Estudar a correlação do estadiamento do MM de acordo com ISS e características clínicas ao diagnóstico com sobrevida global e sobrevida livre de progressão em um centro de referência em Feira de Santana-BA (UNACON). Estudo de coorte retrospectiva, por análise de 80 prontuários, selecionados ao acaso em um total de 247, no período de 2018 a 2025, da UNACON. Dados coletados foram: sexo, cidade de origem, idade, estadiamento ISS e grau de doença baseado nas características da doença ao diagnóstico (lesão óssea, anemia e disfunção renal) que foram caracterizados como doença leve, moderada e grave na presença de uma, duas ou três alterações. Os cálculos estatísticos foram realizados pelo software SPSS (versão 8) considerando o valor de significância (p < 0,05). A relação entre ISS e sobrevida foi avaliada por meio de ANOVA e coeficiente de correlação de Pearson. Dos 80 pacientes, 59% eram do sexo masculino e 41% do sexo feminino, com idade média ao diagnóstico de 64,5 anos para homens e 66,6 anos para mulheres. A cidade com maior número de casos foi Feira de Santana, com 53%, seguido de 5% de Amélia Rodrigues. Quanto ao estadiamento ISS 51% dos pacientes tinham esse dado no prontuário, 9% eram ISS 1, 14% ISS 2 e 29% ISS 3; em 49% dos casos, essa informação não fora disponibilizada em prontuário mostrando a dificuldade de acesso aos exames ao diagnóstico especialmente tratando-se de um serviço público. A análise de Pearson demonstrou uma correlação forte e negativa entre ISS e tempo de sobrevida (r=-0.75), indicando uma proporcionalidade inversa. Além disso, a análise de Pearson entre ISS e sobrevida livre de progressão (SLP) apresentou correlação moderada e negativa (r = -0,48), o que demonstra que quanto maior o ISS, menor a SLP. Em relação ao grau de doença e sobrevida, a análise por ANOVA mostrou diferença significativa quando comparados o grupo com grau de doença 1 e o grupo com grau 3 (p = 0,04), demonstrando que quanto maior o grau de doença pior é a evolução clínica. Os dados deste estudo reforçam o ISS como importante preditor prognóstico no MM, evidenciado pela correlação com tempo de sobrevida e SLP. Estágios mais avançados associam-se a piores desfechos, em concordância com os achados de Palumbo et al. (2015). A idade observada nesta pesquisa seguiu o padrão encontrado na literatura, de 65 a 70 anos, com predomínio masculino (55-60%) (Kyle & Rajkumar, 2008; Fonseca et al. 2004). A diferença significativa entre pacientes com doença em grau 1 e 3 (p = 0,04) foram destacados também no estudode D’Agostinho et al. 2022. A ausência de registro em 49% dos prontuários é uma limitação para este estudo, mas a análise em grupos de risco está em concordância com o que temos na literatura e no cenário de dificuldade para realização do ISS pode ser uma ferramenta de avaliação de risco. A análise reforça que uma documentação clínica completa é essencial para uma melhor estratificação de risco e que, mesmo sem o ISS, marcadores clínicos no diagnóstico podem ajudar a prever o desfecho do paciente.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104838
Primary Topic
Multiple Myeloma Research and Treatments
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

IMPACTO DO ESTADIAMENTO ISS E DAS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS NA SOBREVIDA DO MIELOMA MÚLTIPLO: EVIDÊNCIAS REAIS DE UM CENTRO PÚBLICO

Elson Barros Pires, Oscar Silva Neto, Márcio Pedro Carvalho Pataro de Queiroz, Marcelo Borges Rocha et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Multiple Myeloma Research and Treatments
article

IMPACTO DO ESTADIAMENTO ISS E DAS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS NA SOBREVIDA DO MIELOMA MÚLTIPLO: EVIDÊNCIAS REAIS DE UM CENTRO PÚBLICO

Elson Barros Pires, Oscar Silva Neto, Márcio Pedro Carvalho Pataro de Queiroz, Marcelo Borges Rocha, Camila Valgas Bastos, Loriene Dourado, Laura Rodrigues, Evellyn Cardoso Costa, I Moreira Carneiro, Rocha Silva
article en

Abstract

Mieloma Múltiplo (MM) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação de clone de plasmócitos que encontram microambiente favorável na medula óssea com síntese de proteína monoclonal e danos a órgãos-alvo. O estadiamento é feito por meio do International Staging System (ISS), que tem relação indireta com a sobrevida. Estudar a correlação do estadiamento do MM de acordo com ISS e características clínicas ao diagnóstico com sobrevida global e sobrevida livre de progressão em um centro de referência em Feira de Santana-BA (UNACON). Estudo de coorte retrospectiva, por análise de 80 prontuários, selecionados ao acaso em um total de 247, no período de 2018 a 2025, da UNACON. Dados coletados foram: sexo, cidade de origem, idade, estadiamento ISS e grau de doença baseado nas características da doença ao diagnóstico (lesão óssea, anemia e disfunção renal) que foram caracterizados como doença leve, moderada e grave na presença de uma, duas ou três alterações. Os cálculos estatísticos foram realizados pelo software SPSS (versão 8) considerando o valor de significância (p < 0,05). A relação entre ISS e sobrevida foi avaliada por meio de ANOVA e coeficiente de correlação de Pearson. Dos 80 pacientes, 59% eram do sexo masculino e 41% do sexo feminino, com idade média ao diagnóstico de 64,5 anos para homens e 66,6 anos para mulheres. A cidade com maior número de casos foi Feira de Santana, com 53%, seguido de 5% de Amélia Rodrigues. Quanto ao estadiamento ISS 51% dos pacientes tinham esse dado no prontuário, 9% eram ISS 1, 14% ISS 2 e 29% ISS 3; em 49% dos casos, essa informação não fora disponibilizada em prontuário mostrando a dificuldade de acesso aos exames ao diagnóstico especialmente tratando-se de um serviço público. A análise de Pearson demonstrou uma correlação forte e negativa entre ISS e tempo de sobrevida (r=-0.75), indicando uma proporcionalidade inversa. Além disso, a análise de Pearson entre ISS e sobrevida livre de progressão (SLP) apresentou correlação moderada e negativa (r = -0,48), o que demonstra que quanto maior o ISS, menor a SLP. Em relação ao grau de doença e sobrevida, a análise por ANOVA mostrou diferença significativa quando comparados o grupo com grau de doença 1 e o grupo com grau 3 (p = 0,04), demonstrando que quanto maior o grau de doença pior é a evolução clínica. Os dados deste estudo reforçam o ISS como importante preditor prognóstico no MM, evidenciado pela correlação com tempo de sobrevida e SLP. Estágios mais avançados associam-se a piores desfechos, em concordância com os achados de Palumbo et al. (2015). A idade observada nesta pesquisa seguiu o padrão encontrado na literatura, de 65 a 70 anos, com predomínio masculino (55-60%) (Kyle & Rajkumar, 2008; Fonseca et al. 2004). A diferença significativa entre pacientes com doença em grau 1 e 3 (p = 0,04) foram destacados também no estudode D’Agostinho et al. 2022. A ausência de registro em 49% dos prontuários é uma limitação para este estudo, mas a análise em grupos de risco está em concordância com o que temos na literatura e no cenário de dificuldade para realização do ISS pode ser uma ferramenta de avaliação de risco. A análise reforça que uma documentação clínica completa é essencial para uma melhor estratificação de risco e que, mesmo sem o ISS, marcadores clínicos no diagnóstico podem ajudar a prever o desfecho do paciente.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Feira de Santana (BR), Faculdade Única (BR)
Openalex Percentile: Top 59%
Multiple Myeloma Research and Treatments
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.