IDO1 COMO ALVO IMUNOGENÉTICO: EVIDÊNCIAS ATUAIS E LACUNAS NO CONTEXTO DAS NEOPLASIAS MIELOPROLIFERATIVAS

Neoplasias mieloproliferativas (NMPs) compreendem um grupo de neoplasias oncohematológicas caracterizadas por desordens clonais das células-tronco hematopoiéticas, associadas à inflamação crônica e ao escape imunológico. A enzima indoleamina 2,3-dioxigenase 1 (IDO1) se torna relevante nesse contexto, por sua atividade na depleção do triptofano gerando metabólitos imunossupressores, as quinureninas. Estudos em diferentes neoplasias demonstram que a expressão do gene IDO1 pode ser modulada por alterações epigenéticas e variantes genéticas na região promotora, região fundamental para a regulação transcricional, contribuindo para a progressão neoplásica e pior prognóstico. Todavia, há uma escassez de estudos que relacionam essas variantes no contexto das neoplasias mieloproliferativas. Analisar evidências científicas sobre o papel imunorregulador do gene IDO1 e sua potencial associação à imunogenética das neoplasias mieloproliferativas. O estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura científica realizada nas bases científicas: PubMed, Scielo e Google Acadêmico, utilizando os descritores “IDO1”, “polymorphisms”, “immune evasion”, “myeloproliferative neoplasms” e “promoter region”. A busca considerou artigos publicados entre 2015 e 2025, com ênfase em estudos que abordam a regulação genética de IDO1 , sua atuação imunológica em cânceres, incluindo neoplasias mieloproliferativas e possíveis correlações clínicas. Foram incluídos estudos originais experimentais e revisões redigidos em inglês, sendo excluídos relatos de caso e opiniões de especialistas. Ao todo, 40 artigos foram analisados, dos quais 15 atenderam aos critérios de inclusão e 25 foram excluídos. Os estudos analisados destacam a atuação imunossupressora da IDO1 em diferentes tipos de câncer, incluindo tumores sólidos e leucemias. Foi observada a presença de variantes funcionais na região promotora do gene IDO1 , associadas à modulação da expressão gênica, atividade enzimática reduzida e à supressão da resposta imune antitumoral. No entanto, não foram encontrados estudos que investiguem essas variantes em neoplasias mieloproliferativas, evidenciando uma lacuna na literatura. O IDO1 destaca-se como mediador-chave da evasão imune em neoplasias. Na leucemia mieloide aguda, sua superexpressão induz apoptose de células T efetoras, eleva os níveis de quinurenina e promove expansão de Tregs, favorecendo um microambiente tumoral tolerogênico. Em tumores sólidos, como câncer de pulmão e mama, alterações epigenéticas modulam sua expressão: a hipermetilação da região promotora, observada em tumores luminais ER+, associa-se à menor expressão e menor atividade imunossupressora do eixo IDO1–Kyn–AhR, enquanto a hipometilação de sítios CpG específicos (cg10262052, cg08465774) relaciona-se à maior expressão, ativação de vias imunológicas (T CD8+, processamento de antígenos, citotoxicidade, MHC-HLA) e enriquecimento de checkpoints, configurando um perfil imunorreativo com imunossupressão adaptativa. Esses achados sugerem que alterações genéticas e epigenéticas na IDO1 possam igualmente influenciar o microambiente das neoplasias mieloproliferativas, promovendo evasão imune, inflamação crônica e progressão da doença. Considerando a natureza inflamatória das NMPs e a função central da IDO1 na imunomodulação, a elucidação desse eixo imunogenético pode contribuir para a identificação de potenciais biomarcadores e para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas personalizadas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104388
Primary Topic
Tryptophan and brain disorders
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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article

IDO1 COMO ALVO IMUNOGENÉTICO: EVIDÊNCIAS ATUAIS E LACUNAS NO CONTEXTO DAS NEOPLASIAS MIELOPROLIFERATIVAS

Geraldo Bráz, Raquel Silva dos Santos, Gean Gustavo de Oliveira Silva, NP Garcia et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Tryptophan and brain disorders
article

IDO1 COMO ALVO IMUNOGENÉTICO: EVIDÊNCIAS ATUAIS E LACUNAS NO CONTEXTO DAS NEOPLASIAS MIELOPROLIFERATIVAS

Geraldo Bráz, Raquel Silva dos Santos, Gean Gustavo de Oliveira Silva, NP Garcia, JF Paes, P. Conceiçao, AM Tarragô, VC Costa, Juliana Nunes da Rocha, Tayná Santos, WH Laranjeira
article en

Abstract

Neoplasias mieloproliferativas (NMPs) compreendem um grupo de neoplasias oncohematológicas caracterizadas por desordens clonais das células-tronco hematopoiéticas, associadas à inflamação crônica e ao escape imunológico. A enzima indoleamina 2,3-dioxigenase 1 (IDO1) se torna relevante nesse contexto, por sua atividade na depleção do triptofano gerando metabólitos imunossupressores, as quinureninas. Estudos em diferentes neoplasias demonstram que a expressão do gene IDO1 pode ser modulada por alterações epigenéticas e variantes genéticas na região promotora, região fundamental para a regulação transcricional, contribuindo para a progressão neoplásica e pior prognóstico. Todavia, há uma escassez de estudos que relacionam essas variantes no contexto das neoplasias mieloproliferativas. Analisar evidências científicas sobre o papel imunorregulador do gene IDO1 e sua potencial associação à imunogenética das neoplasias mieloproliferativas. O estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura científica realizada nas bases científicas: PubMed, Scielo e Google Acadêmico, utilizando os descritores “IDO1”, “polymorphisms”, “immune evasion”, “myeloproliferative neoplasms” e “promoter region”. A busca considerou artigos publicados entre 2015 e 2025, com ênfase em estudos que abordam a regulação genética de IDO1 , sua atuação imunológica em cânceres, incluindo neoplasias mieloproliferativas e possíveis correlações clínicas. Foram incluídos estudos originais experimentais e revisões redigidos em inglês, sendo excluídos relatos de caso e opiniões de especialistas. Ao todo, 40 artigos foram analisados, dos quais 15 atenderam aos critérios de inclusão e 25 foram excluídos. Os estudos analisados destacam a atuação imunossupressora da IDO1 em diferentes tipos de câncer, incluindo tumores sólidos e leucemias. Foi observada a presença de variantes funcionais na região promotora do gene IDO1 , associadas à modulação da expressão gênica, atividade enzimática reduzida e à supressão da resposta imune antitumoral. No entanto, não foram encontrados estudos que investiguem essas variantes em neoplasias mieloproliferativas, evidenciando uma lacuna na literatura. O IDO1 destaca-se como mediador-chave da evasão imune em neoplasias. Na leucemia mieloide aguda, sua superexpressão induz apoptose de células T efetoras, eleva os níveis de quinurenina e promove expansão de Tregs, favorecendo um microambiente tumoral tolerogênico. Em tumores sólidos, como câncer de pulmão e mama, alterações epigenéticas modulam sua expressão: a hipermetilação da região promotora, observada em tumores luminais ER+, associa-se à menor expressão e menor atividade imunossupressora do eixo IDO1–Kyn–AhR, enquanto a hipometilação de sítios CpG específicos (cg10262052, cg08465774) relaciona-se à maior expressão, ativação de vias imunológicas (T CD8+, processamento de antígenos, citotoxicidade, MHC-HLA) e enriquecimento de checkpoints, configurando um perfil imunorreativo com imunossupressão adaptativa. Esses achados sugerem que alterações genéticas e epigenéticas na IDO1 possam igualmente influenciar o microambiente das neoplasias mieloproliferativas, promovendo evasão imune, inflamação crônica e progressão da doença. Considerando a natureza inflamatória das NMPs e a função central da IDO1 na imunomodulação, a elucidação desse eixo imunogenético pode contribuir para a identificação de potenciais biomarcadores e para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas personalizadas.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (BR), Universidade Federal do Amazonas (BR)
Openalex Percentile: Top 68%
Tryptophan and brain disorders
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