ANÁLISE CLÍNICA E EPIDEMIOLÓGICA DOS PACIENTES COM MIELOFIBROSE PRIMÁRIA EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO RIO DE JANEIRO

A mielofibrose primária (MFP) é uma doença mieloproliferativa crônica e complexa que se manifesta predominantemente em idosos, caracterizando-se por fibrose medular progressiva, extramedulação hematopoiética e um espectro variável de sintomas sistêmicos. Afeta principalmente idosos e apresenta prognóstico heterogêneo, influenciado por mutações genéticas e parâmetros clínico-laboratoriais. O conhecimento do perfil epidemiológico e das características clínicas é essencial para otimizar o manejo e direcionar estratégias terapêuticas, especialmente em cenários de recursos limitados. Analisar as características clínicas, laboratoriais e epidemiológicas, mutações genéticas, índice Dynamic International Prognostic Scoring System (DIPSS) e tratamento, de pacientes diagnosticados com MFP atendidos no ambulatório de Hematologia de um hospital universitário do Rio de Janeiro. Estudo observacional retrospectivo, realizado entre junho de 2018 e dezembro de 2023, por meio da revisão de prontuários médicos. Dados epidemiológicos e laboratoriais, como idade, sexo, presença de mutações genéticas, critérios diagnósticos, complicações clínicas e tratamentos foram analisados com o uso do software Excel. Foram incluídos 23 pacientes, com predomínio masculino (56,5%) e etnia parda (43,4%). A média de idade ao diagnóstico foi de 66,7 anos. Esplenomegalia foi observada em 34,8% dos pacientes, associada a maior incidência de citopenias. Mutações genéticas, especialmente JAK2V617F (73,9%), foram frequentes. A hidroxiureia foi a terapia predominante, utilizada por 78,3% dos pacientes, enquanto ruxolitinibe foi prescrito em 13% dos casos. Apesar de melhoras laboratoriais modestas, anemia e trombocitose persistiram em uma parcela significativa. O índice DIPSS identificou a maioria dos pacientes como de risco intermediário (73,9%), com sobrevida média de 1,7 anos. A análise de 23 pacientes com MFP revelou predominância do sexo masculino e média de idade ao diagnóstico de 66,7 anos, confirmando o perfil descrito na literatura. A mutação JAK2V617F foi a mais prevalente, presente em 73,9% dos casos, enquanto a esplenomegalia e os sintomas constitucionais foram menos frequentes do que em estudos internacionais. O tratamento foi baseado, majoritariamente, na hidroxiureia, com controle parcial de sintomas e parâmetros laboratoriais, refletindo limitações terapêuticas da rede pública. O uso restrito de terapias-alvo, como ruxolitinibe, e a ausência de análises moleculares mais amplas dificultaram a estratificação prognóstica e a indivudialização do tratamento. A falta de padronização no monitoramento clínico, aliada à escassez de recursos diagnósticos e terapêuticos, reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura e acesso a terapias modificadoras da história natural da doença, especialmente em populações vulneráveis. O estudo revelou desafios relacionados ao diagnóstico, limitações no acesso a terapias avançadas e a necessidade de estratégias que ampliem o uso de tratamentos-alvo. Embora avanços terapêuticos tenham melhorado a qualidade de vida de alguns pacientes, o manejo da doença permanece um desafio em serviços públicos brasileiros, demandando maior investimento e pesquisa.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104875
Primary Topic
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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Controls
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ALL TIME
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ANÁLISE CLÍNICA E EPIDEMIOLÓGICA DOS PACIENTES COM MIELOFIBROSE PRIMÁRIA EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO RIO DE JANEIRO

Jorge B. Torres, EB Riscarolli, Raphael Rodrigues, KG Frigotto et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
article

ANÁLISE CLÍNICA E EPIDEMIOLÓGICA DOS PACIENTES COM MIELOFIBROSE PRIMÁRIA EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO RIO DE JANEIRO

Jorge B. Torres, EB Riscarolli, Raphael Rodrigues, KG Frigotto, ICR Diogo, LN Veloso, Josué Francisco da Silva Júnior, PS Barroso, BPd Santos, VRGdA Valviessse
article en

Abstract

A mielofibrose primária (MFP) é uma doença mieloproliferativa crônica e complexa que se manifesta predominantemente em idosos, caracterizando-se por fibrose medular progressiva, extramedulação hematopoiética e um espectro variável de sintomas sistêmicos. Afeta principalmente idosos e apresenta prognóstico heterogêneo, influenciado por mutações genéticas e parâmetros clínico-laboratoriais. O conhecimento do perfil epidemiológico e das características clínicas é essencial para otimizar o manejo e direcionar estratégias terapêuticas, especialmente em cenários de recursos limitados. Analisar as características clínicas, laboratoriais e epidemiológicas, mutações genéticas, índice Dynamic International Prognostic Scoring System (DIPSS) e tratamento, de pacientes diagnosticados com MFP atendidos no ambulatório de Hematologia de um hospital universitário do Rio de Janeiro. Estudo observacional retrospectivo, realizado entre junho de 2018 e dezembro de 2023, por meio da revisão de prontuários médicos. Dados epidemiológicos e laboratoriais, como idade, sexo, presença de mutações genéticas, critérios diagnósticos, complicações clínicas e tratamentos foram analisados com o uso do software Excel. Foram incluídos 23 pacientes, com predomínio masculino (56,5%) e etnia parda (43,4%). A média de idade ao diagnóstico foi de 66,7 anos. Esplenomegalia foi observada em 34,8% dos pacientes, associada a maior incidência de citopenias. Mutações genéticas, especialmente JAK2V617F (73,9%), foram frequentes. A hidroxiureia foi a terapia predominante, utilizada por 78,3% dos pacientes, enquanto ruxolitinibe foi prescrito em 13% dos casos. Apesar de melhoras laboratoriais modestas, anemia e trombocitose persistiram em uma parcela significativa. O índice DIPSS identificou a maioria dos pacientes como de risco intermediário (73,9%), com sobrevida média de 1,7 anos. A análise de 23 pacientes com MFP revelou predominância do sexo masculino e média de idade ao diagnóstico de 66,7 anos, confirmando o perfil descrito na literatura. A mutação JAK2V617F foi a mais prevalente, presente em 73,9% dos casos, enquanto a esplenomegalia e os sintomas constitucionais foram menos frequentes do que em estudos internacionais. O tratamento foi baseado, majoritariamente, na hidroxiureia, com controle parcial de sintomas e parâmetros laboratoriais, refletindo limitações terapêuticas da rede pública. O uso restrito de terapias-alvo, como ruxolitinibe, e a ausência de análises moleculares mais amplas dificultaram a estratificação prognóstica e a indivudialização do tratamento. A falta de padronização no monitoramento clínico, aliada à escassez de recursos diagnósticos e terapêuticos, reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura e acesso a terapias modificadoras da história natural da doença, especialmente em populações vulneráveis. O estudo revelou desafios relacionados ao diagnóstico, limitações no acesso a terapias avançadas e a necessidade de estratégias que ampliem o uso de tratamentos-alvo. Embora avanços terapêuticos tenham melhorado a qualidade de vida de alguns pacientes, o manejo da doença permanece um desafio em serviços públicos brasileiros, demandando maior investimento e pesquisa.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Rio de Janeiro (BR), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (BR)
Openalex Percentile: Top 56%
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
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