DESAFIANDO O PARADIGMA PROGNÓSTICO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA COM T(8;21): RELATO DE CASOS QUE APRESENTARAM RECAÍDAS PRECOCES COM CLOROMA

A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é caracterizada pela presença de mutações que atuam modificando o fenótipo, a resposta terapêutica e o prognóstico. A presença da translocação envolvendo os cromossomos 8 e 21 t(8;21) é associada à fusão dos genes RUNX1 e RUNX1t1, com alta taxa de resposta terapêutica, remissão completa e cura. Entretanto, quando associada a outras alterações moleculares tais como: Mutação da FLT3, Nucleofosmina e c-kit, o prognóstico não é favorável. Paciente 01: Masculino, 42 anos, internado por astenia extrema, diagnosticado com LMA subtipo M2, t(8,21), hemoglobina 4,4 g/dL, leucócitos 40900(/uL), plaquetas 39 mil, imunofenotipagem FLT3-ITD não mutado e NPM1 não mutado, recaída precoce, com cloroma paravertebral, infiltração de medula espinhal e paraplegia simétrica bilateral, após nove meses do término da quimioterapia. Evoluiu a óbito após 40 dias de internação hospitalar. Paciente 02: Masculino, 20 anos, interna com quadro de neutropenia febril e fissura anal, foi diagnosticado com LMA t(8,21), hemoglobina 6 g/dL, leucócitos 2600(/uL), plaquetas 6 mil, imunofenotipagem com 20% de blastos, perfil positivo para CD45 (fraco a negativo), CD34, CD117, CD38, HLA-DR, CD15 (parcial heterogêneo), CD33 (fraco). Foi submetido a QT, e após 11 meses, recaiu com presença de cloroma em espaço pré-sacral, refratário a novo esquema de QT. Evoluiu a óbito após 22 dias de internação hospitalar. Nos casos supracitados, o citomorfológico da medula óssea foi compatível com LMA M2, confirmado pela imunofenotipagem. As análises citogenética e molecular revelaram a t(8;21) e a fusão RUNX1/RUNX1t1. As recaídas ocorreram logo após a terapia de intensificação, com cloromas paravertebrais e infiltração de medula espinhal e paraplegia. Os pacientes foram refratários à terapia de reindução e óbito por sepses e doença em atividades. Apesar de ser considerada de prognóstico favorável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a LMA M2 com fusão RUNX1/RUNX1t1 mostrou, nos casos, prognóstico ruim. É provável que outras variáveis, não detectadas no diagnóstico, impactaram de forma decisiva na evolução dos pacientes.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104522
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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article

DESAFIANDO O PARADIGMA PROGNÓSTICO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA COM T(8;21): RELATO DE CASOS QUE APRESENTARAM RECAÍDAS PRECOCES COM CLOROMA

Adriana Rodrigues Fonseca, Sheila Knupp Feitosa de Oliveira, Juliano de Souza, IP Matosinhos
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

DESAFIANDO O PARADIGMA PROGNÓSTICO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA COM T(8;21): RELATO DE CASOS QUE APRESENTARAM RECAÍDAS PRECOCES COM CLOROMA

Adriana Rodrigues Fonseca, Sheila Knupp Feitosa de Oliveira, Juliano de Souza, IP Matosinhos
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Abstract

A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é caracterizada pela presença de mutações que atuam modificando o fenótipo, a resposta terapêutica e o prognóstico. A presença da translocação envolvendo os cromossomos 8 e 21 t(8;21) é associada à fusão dos genes RUNX1 e RUNX1t1, com alta taxa de resposta terapêutica, remissão completa e cura. Entretanto, quando associada a outras alterações moleculares tais como: Mutação da FLT3, Nucleofosmina e c-kit, o prognóstico não é favorável. Paciente 01: Masculino, 42 anos, internado por astenia extrema, diagnosticado com LMA subtipo M2, t(8,21), hemoglobina 4,4 g/dL, leucócitos 40900(/uL), plaquetas 39 mil, imunofenotipagem FLT3-ITD não mutado e NPM1 não mutado, recaída precoce, com cloroma paravertebral, infiltração de medula espinhal e paraplegia simétrica bilateral, após nove meses do término da quimioterapia. Evoluiu a óbito após 40 dias de internação hospitalar. Paciente 02: Masculino, 20 anos, interna com quadro de neutropenia febril e fissura anal, foi diagnosticado com LMA t(8,21), hemoglobina 6 g/dL, leucócitos 2600(/uL), plaquetas 6 mil, imunofenotipagem com 20% de blastos, perfil positivo para CD45 (fraco a negativo), CD34, CD117, CD38, HLA-DR, CD15 (parcial heterogêneo), CD33 (fraco). Foi submetido a QT, e após 11 meses, recaiu com presença de cloroma em espaço pré-sacral, refratário a novo esquema de QT. Evoluiu a óbito após 22 dias de internação hospitalar. Nos casos supracitados, o citomorfológico da medula óssea foi compatível com LMA M2, confirmado pela imunofenotipagem. As análises citogenética e molecular revelaram a t(8;21) e a fusão RUNX1/RUNX1t1. As recaídas ocorreram logo após a terapia de intensificação, com cloromas paravertebrais e infiltração de medula espinhal e paraplegia. Os pacientes foram refratários à terapia de reindução e óbito por sepses e doença em atividades. Apesar de ser considerada de prognóstico favorável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a LMA M2 com fusão RUNX1/RUNX1t1 mostrou, nos casos, prognóstico ruim. É provável que outras variáveis, não detectadas no diagnóstico, impactaram de forma decisiva na evolução dos pacientes.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Hospital Federal dos Servidores do Estado (BR)
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Acute Myeloid Leukemia Research
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