ANÁLISE DE RNA-SEQ REVELA QUE EPIGALOCATEQUINA-3-GALATO INDUZ SUPRESSÃO INFLAMATÓRIA NA MEDULA ÓSSEA ACOMPANHADA DE ATIVAÇÃO NEUTRÓFILICA NO BAÇO DE CAMUNDONGOS COM SINDROME MIELODISPLÁSICA

As síndromes mielodisplásicas (SMD) são neoplasias hematopoéticas caracterizadas por hematopoese ineficaz e inflamação crônica, que comprometem células- tronco, promovem apoptose de progenitores e ativam o compartimento mieloide de forma anômala. Enquanto a medula óssea exibe citocinas pró-inflamatórias e estresse oxidativo, o baço apresenta hematopoiese extramedular e ativação imune exacerbada. Este estudo avaliou os efeitos do polifenol anti-inflamatório epigalocatequina-3-galato (EGCG), do chá-verde, no transcriptoma de camundongos com SMD, visando entender seu impacto em vias inflamatórias e imunes. Caracterizar os efeitos da EGCG sobre a expressão gênica em camundongos com síndrome mielodisplásica, por meio da análise de RNA-seq na medula óssea e no baço. Sete camundongos transgênicos C57BL/6 modelo de SMD (quatro tratados com EGCG e três controles) receberam tratamento intraperitoneal com EGCG (50 mg/kg/dia) por 5 dias, durante 4 semanas. Amostras de medula óssea e baço foram coletadas para extração de RNA. O RNA-seq foi realizado em células Lin⁻ da medula e baço total na plataforma NovaSeq (2×100 bp, leitura pareada), com profundidade média de 25 milhões de leituras por amostra. Os reads foram alinhados ao genoma Mus musculus (mm10) com STAR, quantificados com Salmon e analisados com edgeR, DESeq2 e Limma-voom, considerando significativos genes com |log2FC| > 1 e p < 0,05. DEGs comuns entre medula e baço tratados foram analisados hierarquicamente e visualizados em heatmaps. Comparações foram realizadas com dados públicos de células progenitoras e baço normal, e os DEGs submetidos à análise funcional (GO e vias biológicas) via DAVID. A análise diferencial de expressão identificou 538 DEGs na medula óssea (279 reduzidos e 259 aumentados) e 642 no baço (280 reduzidos e 362 aumentados), com maior resposta transcritômica no baço, refletindo seu papel na hematopoiese extramedular e ativação imune na SMD. Dos 45 genes comuns aos dois tecidos, padrões divergentes foram observados: genes como Mast2, H2-T22, Gtse1, Adi1 e Zswim3 mostraram maior expressão na medula e redução no baço, sugerindo proteção na medula e inibição no baço, enquanto genes como Ltf, S100a8, S100a9, Tyrobp, Ly6g, Itgam, Cd177, Pik3cb e Flot2 estavam aumentados no baço, indicando ativação mieloide e inflamatória específica. S100a8/a9 (calprotectina) são marcadores de inflamação estéril, enquanto Itgam, Ly6g, Cd177 e Flot2 refletem ativação de granulócitos. Tyrobp sugere ativação pró- inflamatória via TLRs. O baço também exibiu indução de vias relacionadas à produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), formação de NETs e danos celulares, impulsionadas por Pik3cb e Tyrobp, ao contrário do controle da ativação progenitora observado na medula. O tratamento com epigalocatequina-3-galato (EGCG) reorganiza o ambiente imuno-inflamatório em camundongos com síndrome mielodisplásica (SMD), atuando distintamente na medula óssea e no baço. Na medula, reduz a expressão de genes mieloides (S100a8, S100a9, Itgam), preservando progenitores hematopoéticos ao conter a inflamação estéril. No baço, ativa genes pró-inflamatórios (Ly6g, Cd177, Tyrobp, Pik3cb), além de vias associadas a ROS e NETs, promovendo redistribuição funcional da ativação mieloide. Estudos futuros devem investigar a dinâmica dessas respostas e seus impactos na carga clonal e função das células-tronco.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104877
Primary Topic
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ANÁLISE DE RNA-SEQ REVELA QUE EPIGALOCATEQUINA-3-GALATO INDUZ SUPRESSÃO INFLAMATÓRIA NA MEDULA ÓSSEA ACOMPANHADA DE ATIVAÇÃO NEUTRÓFILICA NO BAÇO DE CAMUNDONGOS COM SINDROME MIELODISPLÁSICA

FI Della Via, NG Amôr, Jersey Heitor da Silva Maués, MC Alvarez et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
article

ANÁLISE DE RNA-SEQ REVELA QUE EPIGALOCATEQUINA-3-GALATO INDUZ SUPRESSÃO INFLAMATÓRIA NA MEDULA ÓSSEA ACOMPANHADA DE ATIVAÇÃO NEUTRÓFILICA NO BAÇO DE CAMUNDONGOS COM SINDROME MIELODISPLÁSICA

FI Della Via, NG Amôr, Jersey Heitor da Silva Maués, MC Alvarez, F Niemann, Sofian A.A. Saad, KP Ferro, M.Kom Lutfi.
article en

Abstract

As síndromes mielodisplásicas (SMD) são neoplasias hematopoéticas caracterizadas por hematopoese ineficaz e inflamação crônica, que comprometem células- tronco, promovem apoptose de progenitores e ativam o compartimento mieloide de forma anômala. Enquanto a medula óssea exibe citocinas pró-inflamatórias e estresse oxidativo, o baço apresenta hematopoiese extramedular e ativação imune exacerbada. Este estudo avaliou os efeitos do polifenol anti-inflamatório epigalocatequina-3-galato (EGCG), do chá-verde, no transcriptoma de camundongos com SMD, visando entender seu impacto em vias inflamatórias e imunes. Caracterizar os efeitos da EGCG sobre a expressão gênica em camundongos com síndrome mielodisplásica, por meio da análise de RNA-seq na medula óssea e no baço. Sete camundongos transgênicos C57BL/6 modelo de SMD (quatro tratados com EGCG e três controles) receberam tratamento intraperitoneal com EGCG (50 mg/kg/dia) por 5 dias, durante 4 semanas. Amostras de medula óssea e baço foram coletadas para extração de RNA. O RNA-seq foi realizado em células Lin⁻ da medula e baço total na plataforma NovaSeq (2×100 bp, leitura pareada), com profundidade média de 25 milhões de leituras por amostra. Os reads foram alinhados ao genoma Mus musculus (mm10) com STAR, quantificados com Salmon e analisados com edgeR, DESeq2 e Limma-voom, considerando significativos genes com |log2FC| > 1 e p < 0,05. DEGs comuns entre medula e baço tratados foram analisados hierarquicamente e visualizados em heatmaps. Comparações foram realizadas com dados públicos de células progenitoras e baço normal, e os DEGs submetidos à análise funcional (GO e vias biológicas) via DAVID. A análise diferencial de expressão identificou 538 DEGs na medula óssea (279 reduzidos e 259 aumentados) e 642 no baço (280 reduzidos e 362 aumentados), com maior resposta transcritômica no baço, refletindo seu papel na hematopoiese extramedular e ativação imune na SMD. Dos 45 genes comuns aos dois tecidos, padrões divergentes foram observados: genes como Mast2, H2-T22, Gtse1, Adi1 e Zswim3 mostraram maior expressão na medula e redução no baço, sugerindo proteção na medula e inibição no baço, enquanto genes como Ltf, S100a8, S100a9, Tyrobp, Ly6g, Itgam, Cd177, Pik3cb e Flot2 estavam aumentados no baço, indicando ativação mieloide e inflamatória específica. S100a8/a9 (calprotectina) são marcadores de inflamação estéril, enquanto Itgam, Ly6g, Cd177 e Flot2 refletem ativação de granulócitos. Tyrobp sugere ativação pró- inflamatória via TLRs. O baço também exibiu indução de vias relacionadas à produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), formação de NETs e danos celulares, impulsionadas por Pik3cb e Tyrobp, ao contrário do controle da ativação progenitora observado na medula. O tratamento com epigalocatequina-3-galato (EGCG) reorganiza o ambiente imuno-inflamatório em camundongos com síndrome mielodisplásica (SMD), atuando distintamente na medula óssea e no baço. Na medula, reduz a expressão de genes mieloides (S100a8, S100a9, Itgam), preservando progenitores hematopoéticos ao conter a inflamação estéril. No baço, ativa genes pró-inflamatórios (Ly6g, Cd177, Tyrobp, Pik3cb), além de vias associadas a ROS e NETs, promovendo redistribuição funcional da ativação mieloide. Estudos futuros devem investigar a dinâmica dessas respostas e seus impactos na carga clonal e função das células-tronco.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (BR), Universidade São Francisco (BR)
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Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
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