COAGULOPATIAS RARAS NO CENÁRIO BRASILEIRO: UM ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO

As coagulopatias raras são distúrbios hemorrágicos congênitos de baixa prevalência, frequentemente negligenciados nos sistemas de vigilância epidemiológica. Entre elas, destacam-se as deficiências dos fatores de coagulação II, X, XIII e do fibrinogênio (hipo e afibrinogenemia), cuja identificação precoce é essencial para o manejo adequado e prevenção de eventos hemorrágicos graves. No Brasil, a disponibilidade de dados epidemiológicos é limitada, sendo os últimos registros públicos provenientes do DataSUS em 2009 e 2010. Analisar os dados epidemiológicos nacionais disponíveis sobre as deficiências dos fatores II, X, XIII e do fibrinogênio nos anos de 2009 e 2010, identificando padrões regionais e distribuição por sexo. Estudo epidemiológico retrospectivo e descritivo, com dados obtidos do Ministério da Saúde/Coordenação da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados referente aos anos de 2009 e 2010. Foram incluídos os registros de pacientes com diagnóstico de deficiência isolada dos fatores II, X, XIII, hipofibrinogenemia e afibrinogenemia. As informações foram organizadas por unidade federativa, região geográfica e sexo. Foram identificados 10 casos de deficiência do Fator II, concentrados no Sudeste (principalmente SP e MG), com distribuição igualitária entre os sexos. A deficiência do Fator X foi a mais prevalente, com 101 casos em dois anos, 76% localizados na região Sudeste, especialmente nos estados de São Paulo (39 casos) e Rio de Janeiro (25). Houve leve predomínio do sexo Masculino (M), com 57, enquanto o sexo feminino (F) foi representado por 55 pacientes. Para a deficiência do Fator XIII, observaram-se 63 casos no período, sendo 73% da região Sudeste, com destaque para Minas Gerais e São Paulo. 60% dos casos eram homens. Em relação ao fibrinogênio, foram registrados 26 casos de hipofibrinogenemia (15F, 11M) e 47 de afibrinogenemia (26F, 21M). A maioria dos casos concentrou-se em São Paulo (63,8% da afibrinogenemia), seguido do Rio de Janeiro e Maranhão. A distribuição regional revela uma predominância marcante da região Sudeste para todas as coagulopatias estudadas, o que pode refletir tanto a maior concentração populacional e capacidade diagnóstica da região, quanto uma possível subnotificação em estados com menos recursos. A predominância masculina nas formas hipoproteicas pode estar relacionada a vieses de detecção, mas merece investigação adicional. A ausência de registros mais recentes compromete a vigilância epidemiológica e o planejamento de políticas públicas voltadas a essa população. É de extrema importância que o Brasil retome a publicação e atualização periódica desses dados, a fim de aprofundar o conhecimento sobre a realidade nacional das coagulopatias raras e promover assistência mais eficaz e equitativa aos pacientes.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104921
Primary Topic
Blood properties and coagulation
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ALL TIME
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article

COAGULOPATIAS RARAS NO CENÁRIO BRASILEIRO: UM ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO

Everson Baesso, Ithalo Ricardo Damasceno dos Santos, Jéferson Prietsch Machado, PRC Utsch et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood properties and coagulation
article

COAGULOPATIAS RARAS NO CENÁRIO BRASILEIRO: UM ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO

Everson Baesso, Ithalo Ricardo Damasceno dos Santos, Jéferson Prietsch Machado, PRC Utsch, VDN Ladeira, Lisneti Castro
article en

Abstract

As coagulopatias raras são distúrbios hemorrágicos congênitos de baixa prevalência, frequentemente negligenciados nos sistemas de vigilância epidemiológica. Entre elas, destacam-se as deficiências dos fatores de coagulação II, X, XIII e do fibrinogênio (hipo e afibrinogenemia), cuja identificação precoce é essencial para o manejo adequado e prevenção de eventos hemorrágicos graves. No Brasil, a disponibilidade de dados epidemiológicos é limitada, sendo os últimos registros públicos provenientes do DataSUS em 2009 e 2010. Analisar os dados epidemiológicos nacionais disponíveis sobre as deficiências dos fatores II, X, XIII e do fibrinogênio nos anos de 2009 e 2010, identificando padrões regionais e distribuição por sexo. Estudo epidemiológico retrospectivo e descritivo, com dados obtidos do Ministério da Saúde/Coordenação da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados referente aos anos de 2009 e 2010. Foram incluídos os registros de pacientes com diagnóstico de deficiência isolada dos fatores II, X, XIII, hipofibrinogenemia e afibrinogenemia. As informações foram organizadas por unidade federativa, região geográfica e sexo. Foram identificados 10 casos de deficiência do Fator II, concentrados no Sudeste (principalmente SP e MG), com distribuição igualitária entre os sexos. A deficiência do Fator X foi a mais prevalente, com 101 casos em dois anos, 76% localizados na região Sudeste, especialmente nos estados de São Paulo (39 casos) e Rio de Janeiro (25). Houve leve predomínio do sexo Masculino (M), com 57, enquanto o sexo feminino (F) foi representado por 55 pacientes. Para a deficiência do Fator XIII, observaram-se 63 casos no período, sendo 73% da região Sudeste, com destaque para Minas Gerais e São Paulo. 60% dos casos eram homens. Em relação ao fibrinogênio, foram registrados 26 casos de hipofibrinogenemia (15F, 11M) e 47 de afibrinogenemia (26F, 21M). A maioria dos casos concentrou-se em São Paulo (63,8% da afibrinogenemia), seguido do Rio de Janeiro e Maranhão. A distribuição regional revela uma predominância marcante da região Sudeste para todas as coagulopatias estudadas, o que pode refletir tanto a maior concentração populacional e capacidade diagnóstica da região, quanto uma possível subnotificação em estados com menos recursos. A predominância masculina nas formas hipoproteicas pode estar relacionada a vieses de detecção, mas merece investigação adicional. A ausência de registros mais recentes compromete a vigilância epidemiológica e o planejamento de políticas públicas voltadas a essa população. É de extrema importância que o Brasil retome a publicação e atualização periódica desses dados, a fim de aprofundar o conhecimento sobre a realidade nacional das coagulopatias raras e promover assistência mais eficaz e equitativa aos pacientes.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de Juiz de Fora (BR), Universidade Presidente Antônio Carlos (BR)
Openalex Percentile: Top 55%
Blood properties and coagulation
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