REFRATARIEDADE E USO DE IMUNOTERAPIA NO LINFOMA DE HODGKIN NA SANTA CASA DA BAHIA

A despeito das excelentes taxas de resposta e chances de cura no Linfoma de Hodgkin (LH) aproximadamente 20-30% dos casos apresentam falha de resposta ou recidiva após o tratamento de primeira linha (1). O Pembrolizumabe, um inibidor de PD1, tem mostrado eficácia em casos de LH que falharam em múltiplas linhas de terapia resgate, com taxas de resposta superiores a quimioterapia tradicional (2). Os inibidores de checkpoint (IC) ainda não foram incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para uso no LH refratário, e a busca de equidade no tratamento entre o sistema de saúde suplementar e o SUS é uma das principais metas da ABHH. O presente estudo retrospectivo tem como objetivo avaliar entre os casos de LH tratados no Hospital Santa Izabel (uma unidade filantrópica com perfil de pacientes tratados através do sistema público e privado) entre janeiro de 2019 e janeiro de 2024, o percentual de refratariedade ao tratamento de primeira linha e a sobrevida global destes pacientes. As informações desse trabalho foram adquiridas através da revisão de prontuário eletrônico da instituição, dos pacientes acompanhados entre janeiro de 2019 e janeiro de 2024. A análise estatística foi realizada através do software SPSS versão 25. A média e mediana de sobrevida foi calculada pela curva de Kaplan-Meier. Foram avaliados 67 casos de pacientes, com média de idade de 37 anos. O número de recidivados/refratários (R/R) foi de 27 (40%). Desses, apenas 12 (44%) tiveram acesso à IC. A mediana da sobrevida global (SG) do grupo completo não foi atingida, com mais de 80% dos pacientes vivos em 5 anos. A média de SG no grupo que teve acesso à IC foi de 74 meses, enquanto a média do grupo sem acesso foi de 52m (p = 0,17), não estatisticamente relevante devido tamanho da amostra. Porém, quando avaliamos o subgrupo de R/R, a taxa de SG é superior no grupo refratário com acesso ao IC (90%) em relação ao grupo de pacientes tratados com quimioterapia de resgate convencional (60%) em 5 anos. Os dados apresentados representam uma casuística com percentual elevado de casos de LH R/R (maior que dados apresentados em outros estudos). Além disso, esse subgrupo apresentou melhores dados de SG quando teve acesso ao IC. Acreditamos que conhecer nossa população e demostrar as diferenças nas taxas de sobrevida é um passo importante na busca pela equidade no sistema público de saúde, viabilizando análises de custo e trilhando o caminho para reduzir as diferenças no acesso as novas terapias.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104690
Primary Topic
Women's cancer prevention and management
Type
article
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article

REFRATARIEDADE E USO DE IMUNOTERAPIA NO LINFOMA DE HODGKIN NA SANTA CASA DA BAHIA

Margarita Romeo, MS Simões, Lucas dos Anjos, V. R. V. dos Santos et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Women's cancer prevention and management
article

REFRATARIEDADE E USO DE IMUNOTERAPIA NO LINFOMA DE HODGKIN NA SANTA CASA DA BAHIA

Margarita Romeo, MS Simões, Lucas dos Anjos, V. R. V. dos Santos, H. R. da Silva, LH dos Santos de Assis, SR Simões
article en

Abstract

A despeito das excelentes taxas de resposta e chances de cura no Linfoma de Hodgkin (LH) aproximadamente 20-30% dos casos apresentam falha de resposta ou recidiva após o tratamento de primeira linha (1). O Pembrolizumabe, um inibidor de PD1, tem mostrado eficácia em casos de LH que falharam em múltiplas linhas de terapia resgate, com taxas de resposta superiores a quimioterapia tradicional (2). Os inibidores de checkpoint (IC) ainda não foram incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para uso no LH refratário, e a busca de equidade no tratamento entre o sistema de saúde suplementar e o SUS é uma das principais metas da ABHH. O presente estudo retrospectivo tem como objetivo avaliar entre os casos de LH tratados no Hospital Santa Izabel (uma unidade filantrópica com perfil de pacientes tratados através do sistema público e privado) entre janeiro de 2019 e janeiro de 2024, o percentual de refratariedade ao tratamento de primeira linha e a sobrevida global destes pacientes. As informações desse trabalho foram adquiridas através da revisão de prontuário eletrônico da instituição, dos pacientes acompanhados entre janeiro de 2019 e janeiro de 2024. A análise estatística foi realizada através do software SPSS versão 25. A média e mediana de sobrevida foi calculada pela curva de Kaplan-Meier. Foram avaliados 67 casos de pacientes, com média de idade de 37 anos. O número de recidivados/refratários (R/R) foi de 27 (40%). Desses, apenas 12 (44%) tiveram acesso à IC. A mediana da sobrevida global (SG) do grupo completo não foi atingida, com mais de 80% dos pacientes vivos em 5 anos. A média de SG no grupo que teve acesso à IC foi de 74 meses, enquanto a média do grupo sem acesso foi de 52m (p = 0,17), não estatisticamente relevante devido tamanho da amostra. Porém, quando avaliamos o subgrupo de R/R, a taxa de SG é superior no grupo refratário com acesso ao IC (90%) em relação ao grupo de pacientes tratados com quimioterapia de resgate convencional (60%) em 5 anos. Os dados apresentados representam uma casuística com percentual elevado de casos de LH R/R (maior que dados apresentados em outros estudos). Além disso, esse subgrupo apresentou melhores dados de SG quando teve acesso ao IC. Acreditamos que conhecer nossa população e demostrar as diferenças nas taxas de sobrevida é um passo importante na busca pela equidade no sistema público de saúde, viabilizando análises de custo e trilhando o caminho para reduzir as diferenças no acesso as novas terapias.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Hospital Santa Izabel (BR)
Openalex Percentile: Top 58%
Women's cancer prevention and management
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