PREVALÊNCIA DE HEMOGLOBINA S EM DOADORES DE SANGUE EM 2024 NO HEMONORTE E SUA IMPORTÂNCIA PARA A SEGURANÇA TRANSFUSIONAL

A hemoglobina S (HbS), variante anormal da hemoglobina, está associada à doença falciforme e ao traço falciforme, condição hereditária comum em populações afrodescendentes. Sua presença em hemocomponentes representa risco para determinados receptores e pode gerar perdas técnicas durante o processamento. A Portaria GM/MS n° 5/2017 estabelece critérios específicos para o uso dessas bolsas, restringindo sua aplicação em grupos vulneráveis. A triagem adequada desses doadores é uma medida fundamental para garantir a segurança transfusional e o aproveitamento racional dos estoques. No ano de 2024, um total de 46.238 doadores de sangue foram triados em um serviço público de hemoterapia. Desses, 960 (2,08%) apresentaram resultado positivo para HbS, identificado por eletroforese de hemoglobina. Esses doadores, classificados como portadores do traço falciforme ou, mais raramente, da forma homozigótica da hemoglobina S, tiveram suas bolsas classificadas com restrição de uso. Conforme a Portaria GM/MS n° 5/2017, bolsas com hemácias contendo HbS não devem ser destinadas a recém-nascidos, pacientes imunodeprimidos ou portadores de hemoglobinopatias. Em tais situações, o risco de falcização das hemácias transfundidas, hipoperfusão tecidual e eventos adversos é elevado. Por isso, essas bolsas só podem ser utilizadas em adultos imunocompetentes, com critérios clínicos específicos. Além das implicações clínicas, há também consequências técnicas. Quando essas bolsas são submetidas à filtragem para leucorredução ‒ processo essencial em várias indicações transfusionais ‒ ocorre frequentemente obstrução dos filtros, devido às características deformáveis das hemácias HbS. Esse entupimento inviabiliza o processo, levando ao descarte do hemocomponente mesmo quando o uso seria permitido. Essa perda operacional destaca a importância de identificar previamente os doadores com HbS, permitindo direcionamento adequado das bolsas e evitando desperdícios. A triagem de hemoglobina S em doadores de sangue é essencial não apenas para proteger pacientes vulneráveis, mas também para preservar a qualidade técnica dos processos transfusionais. A prevalência de 2,08% de HbS entre os doadores reforça a necessidade de manutenção e valorização desse procedimento nos serviços de hemoterapia. A correta identificação e classificação dessas bolsas garante segurança ao receptor, evita perdas técnicas e contribui para o uso racional dos recursos disponíveis.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.106042
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

PREVALÊNCIA DE HEMOGLOBINA S EM DOADORES DE SANGUE EM 2024 NO HEMONORTE E SUA IMPORTÂNCIA PARA A SEGURANÇA TRANSFUSIONAL

MSC Bandierini, LSS Oliveira, Andeson Carlos Santos Morais, LN Miranda et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

PREVALÊNCIA DE HEMOGLOBINA S EM DOADORES DE SANGUE EM 2024 NO HEMONORTE E SUA IMPORTÂNCIA PARA A SEGURANÇA TRANSFUSIONAL

MSC Bandierini, LSS Oliveira, Andeson Carlos Santos Morais, LN Miranda, LRM Bezerra, RT Silva, F. T. VIEIRA, EC Barbosa, IPD Oliveira, KKP Bezerra
article en

Abstract

A hemoglobina S (HbS), variante anormal da hemoglobina, está associada à doença falciforme e ao traço falciforme, condição hereditária comum em populações afrodescendentes. Sua presença em hemocomponentes representa risco para determinados receptores e pode gerar perdas técnicas durante o processamento. A Portaria GM/MS n° 5/2017 estabelece critérios específicos para o uso dessas bolsas, restringindo sua aplicação em grupos vulneráveis. A triagem adequada desses doadores é uma medida fundamental para garantir a segurança transfusional e o aproveitamento racional dos estoques. No ano de 2024, um total de 46.238 doadores de sangue foram triados em um serviço público de hemoterapia. Desses, 960 (2,08%) apresentaram resultado positivo para HbS, identificado por eletroforese de hemoglobina. Esses doadores, classificados como portadores do traço falciforme ou, mais raramente, da forma homozigótica da hemoglobina S, tiveram suas bolsas classificadas com restrição de uso. Conforme a Portaria GM/MS n° 5/2017, bolsas com hemácias contendo HbS não devem ser destinadas a recém-nascidos, pacientes imunodeprimidos ou portadores de hemoglobinopatias. Em tais situações, o risco de falcização das hemácias transfundidas, hipoperfusão tecidual e eventos adversos é elevado. Por isso, essas bolsas só podem ser utilizadas em adultos imunocompetentes, com critérios clínicos específicos. Além das implicações clínicas, há também consequências técnicas. Quando essas bolsas são submetidas à filtragem para leucorredução ‒ processo essencial em várias indicações transfusionais ‒ ocorre frequentemente obstrução dos filtros, devido às características deformáveis das hemácias HbS. Esse entupimento inviabiliza o processo, levando ao descarte do hemocomponente mesmo quando o uso seria permitido. Essa perda operacional destaca a importância de identificar previamente os doadores com HbS, permitindo direcionamento adequado das bolsas e evitando desperdícios. A triagem de hemoglobina S em doadores de sangue é essencial não apenas para proteger pacientes vulneráveis, mas também para preservar a qualidade técnica dos processos transfusionais. A prevalência de 2,08% de HbS entre os doadores reforça a necessidade de manutenção e valorização desse procedimento nos serviços de hemoterapia. A correta identificação e classificação dessas bolsas garante segurança ao receptor, evita perdas técnicas e contribui para o uso racional dos recursos disponíveis.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (BR)
Openalex Percentile: Top 58%
Blood donation and transfusion practices
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.