CEFALOCROMINA EXIBE ATIVIDADE ANTILEUCÊMICA E POTENCIALIZA AGENTES QUIMIOTERÁPICOS EM MODELOS CELULARES DE LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é uma neoplasia hematológica maligna com altas taxas de refratariedade e recidiva em adultos. Nesse cenário, há demanda contínua por novas abordagens terapêuticas, sendo os produtos naturais fonte relevante de compostos bioativos já utilizados clinicamente, como os alcaloides da vinca, a doxorrubicina e a citarabina. Estudos com células de câncer de pulmão (A549) demonstraram que a cefalocromina (CPCR), derivada da fermentação do fungo Cosmospora vilior, apresenta atividade antiproliferativa e citotóxica por indução de parada do ciclo celular. Dados preliminares do nosso grupo mostraram redução da viabilidade celular em linhagens de LLA tratadas com CPCR. Investigar os mecanismos envolvidos no efeito da CPCR em modelos celulares de LLA, por meio de ensaios clonogênicos, de viabilidade, morte celular, ciclo celular e expressão gênica/proteica nas linhagens Jurkat (LLA-T), NALM6 (LLA-B) e REH (LLA não T/B), além de análises de sinergismo com citarabina (CITA), daunorrubicina (DAUNO) e vincristina (VINC). Os experimentos foram realizados com controle (veículo) e cefalocromina (CPCR) de 1,25 a 20 μM. O ensaio clonogênico ocorreu em metilcelulose, com coloração por MTT após 8 dias e quantificação pelo ImageJ. Apoptose (48 h) e ciclo celular (24 h) foram avaliados por citometria de fluxo, usando APC-anexina V/PI e iodeto de propídeo, respectivamente. A expressão das proteínas PARP1, γH2AX, survivina (24 e 48 h), LC3B e SQSTM1/p62 (24 h) foi analisada por Western blot. A expressão gênica de BIRC5, CDKN1A, CDKN1B, PMAIP1, BBC3 e GADD45A (24 h) foi quantificada por RT-qPCR. Viabilidade celular (72 h) foi medida por MTT em tratamentos isolados ou combinados com CITA, DAUNO ou VINC. As interações foram avaliadas pelo SynergyFinder (modelo ZIP): >10 sinergia forte; 5–10 moderada; −5 a 5 aditiva; ≤−5 antagonista. Análise estatística via ANOVA com pós-teste de Bonferroni (p < 0,05). A CPCR reduziu significativamente a formação de colônias (p < 0,01) nas linhagens Jurkat (>2,5 μM), NALM6 (>5 μM) e REH (>10 μM). Foi observado aumento nos marcadores de apoptose, incluindo PARP1 clivada e γH2AX, além de redução da expressão de survivina (48 h). A ativação da autofagia foi evidenciada pelo aumento de LC3B e pela diminuição de SQSTM1/p62. Houve aumento significativo de células apoptóticas (p < 0,01) em Jurkat e NALM6 (>1,25 μM) e em REH (>2,5 μM), bem como acúmulo na fase G0/G1 do ciclo celular (p < 0,01) em REH (>2,5 μM), NALM6 (>1,25 μM) e Jurkat (>20 μM). A CPCR também induziu a expressão de genes relacionados à apoptose (PMAIP1 e BBC3) e à inibição da progressão do ciclo celular (CDKN1A, CDKN1B e GADD45A), sem alterações em BIRC5 ou na proporção de células em fase G2. Por fim, foram observados fortes efeitos sinérgicos entre CPCR e agentes quimioterápicos, especialmente com DAUNO (ZIP: 10,1) e VINC (ZIP: 12,4) em Jurkat, e com VINC em NALM6 (ZIP: 20,2) e REH (ZIP: 10,6). Nossos resultados indicam que os danos ao DNA, a indução de apoptose e a ativação de autofagia contribuem para a redução da viabilidade celular promovida pela CPCR, que também potencializa os efeitos citotóxicos de quimioterápicos clinicamente utilizados em modelos celulares de LLA. FAPESP, CNPq e CAPES.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104515
Primary Topic
Acute Lymphoblastic Leukemia research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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ALL TIME
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CEFALOCROMINA EXIBE ATIVIDADE ANTILEUCÊMICA E POTENCIALIZA AGENTES QUIMIOTERÁPICOS EM MODELOS CELULARES DE LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

João Agostinho Machado‐Neto, HP Vicari, MJP Ferreira, Mabel Nascimento et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Lymphoblastic Leukemia research
article

CEFALOCROMINA EXIBE ATIVIDADE ANTILEUCÊMICA E POTENCIALIZA AGENTES QUIMIOTERÁPICOS EM MODELOS CELULARES DE LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

João Agostinho Machado‐Neto, HP Vicari, MJP Ferreira, Mabel Nascimento, Eduardo Magalhães Rego, G.M. De Lima, Keli Lima, CSM Serra, Letícia V. Costa‐Lotufo
article en

Abstract

A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é uma neoplasia hematológica maligna com altas taxas de refratariedade e recidiva em adultos. Nesse cenário, há demanda contínua por novas abordagens terapêuticas, sendo os produtos naturais fonte relevante de compostos bioativos já utilizados clinicamente, como os alcaloides da vinca, a doxorrubicina e a citarabina. Estudos com células de câncer de pulmão (A549) demonstraram que a cefalocromina (CPCR), derivada da fermentação do fungo Cosmospora vilior, apresenta atividade antiproliferativa e citotóxica por indução de parada do ciclo celular. Dados preliminares do nosso grupo mostraram redução da viabilidade celular em linhagens de LLA tratadas com CPCR. Investigar os mecanismos envolvidos no efeito da CPCR em modelos celulares de LLA, por meio de ensaios clonogênicos, de viabilidade, morte celular, ciclo celular e expressão gênica/proteica nas linhagens Jurkat (LLA-T), NALM6 (LLA-B) e REH (LLA não T/B), além de análises de sinergismo com citarabina (CITA), daunorrubicina (DAUNO) e vincristina (VINC). Os experimentos foram realizados com controle (veículo) e cefalocromina (CPCR) de 1,25 a 20 μM. O ensaio clonogênico ocorreu em metilcelulose, com coloração por MTT após 8 dias e quantificação pelo ImageJ. Apoptose (48 h) e ciclo celular (24 h) foram avaliados por citometria de fluxo, usando APC-anexina V/PI e iodeto de propídeo, respectivamente. A expressão das proteínas PARP1, γH2AX, survivina (24 e 48 h), LC3B e SQSTM1/p62 (24 h) foi analisada por Western blot. A expressão gênica de BIRC5, CDKN1A, CDKN1B, PMAIP1, BBC3 e GADD45A (24 h) foi quantificada por RT-qPCR. Viabilidade celular (72 h) foi medida por MTT em tratamentos isolados ou combinados com CITA, DAUNO ou VINC. As interações foram avaliadas pelo SynergyFinder (modelo ZIP): >10 sinergia forte; 5–10 moderada; −5 a 5 aditiva; ≤−5 antagonista. Análise estatística via ANOVA com pós-teste de Bonferroni (p < 0,05). A CPCR reduziu significativamente a formação de colônias (p < 0,01) nas linhagens Jurkat (>2,5 μM), NALM6 (>5 μM) e REH (>10 μM). Foi observado aumento nos marcadores de apoptose, incluindo PARP1 clivada e γH2AX, além de redução da expressão de survivina (48 h). A ativação da autofagia foi evidenciada pelo aumento de LC3B e pela diminuição de SQSTM1/p62. Houve aumento significativo de células apoptóticas (p < 0,01) em Jurkat e NALM6 (>1,25 μM) e em REH (>2,5 μM), bem como acúmulo na fase G0/G1 do ciclo celular (p < 0,01) em REH (>2,5 μM), NALM6 (>1,25 μM) e Jurkat (>20 μM). A CPCR também induziu a expressão de genes relacionados à apoptose (PMAIP1 e BBC3) e à inibição da progressão do ciclo celular (CDKN1A, CDKN1B e GADD45A), sem alterações em BIRC5 ou na proporção de células em fase G2. Por fim, foram observados fortes efeitos sinérgicos entre CPCR e agentes quimioterápicos, especialmente com DAUNO (ZIP: 10,1) e VINC (ZIP: 12,4) em Jurkat, e com VINC em NALM6 (ZIP: 20,2) e REH (ZIP: 10,6). Nossos resultados indicam que os danos ao DNA, a indução de apoptose e a ativação de autofagia contribuem para a redução da viabilidade celular promovida pela CPCR, que também potencializa os efeitos citotóxicos de quimioterápicos clinicamente utilizados em modelos celulares de LLA. FAPESP, CNPq e CAPES.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade de São Paulo (BR)
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Acute Lymphoblastic Leukemia research
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