PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO DA ANEMIA FERROPRIVA NO BRASIL NA ÚLTIMA DÉCADA

A anemia ferropriva é uma condição caracterizada pela diminuição na produção de hemoglobina em decorrência da deficiência de ferro, podendo ter múltiplas causas, como deficiências alimentares, alterações na absorção, distúrbios metabólicos ou distributivos, além de perdas sanguíneas e aumento das demandas fisiológicas ou patológicas do organismo. Analisar o perfil epidemiológico da anemia ferropriva no Brasil na última década. Foi realizado um estudo descritivo, quantitativo, de caráter retrospectivo e com recorte transversal, através de dados coletados no sistema de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), no endereço eletrônico ( https://datasus.saude.gov.br/ ). Os dados obtidos são referentes ao perfil epidemiológico da anemia por deficiência de ferro no Brasil ao longo dos anos de 2014 à 2024. Entre 2014 e 2024, foram registradas 135988 internações decorrentes de anemia ferropriva no Brasil, sendo que as regiões Sudeste (54460) e Nordeste (38039), totalizando 68% do número de casos. Em relação ao sexo, as mulheres apresentaram maior número (78819, o que correspondendo a 58%) em comparação aos homens (57169, equivalendo a 42%). Por sua vez, a faixa etária com maior número de casos foi a de 80 ou mais anos com 23369 internações (17,1%). Vale ressaltar que a população geriátrica foi a que apresentou o maior número de casos: indivíduos com idade maior ou igual a 60 anos totalizaram 66719 (49%). Já em relação à etnia, os indivíduos pardos (55056) e caucasianos (46367) corresponderam a 74.5% do total. Quanto à mortalidade, registrou-se um total de 5946 óbitos, também sendo liderados pelas regiões Nordeste (1953) e Sudeste (2495). No período analisado foram registradas 135988 internações e 5946 óbitos decorrentes da anemia ferropriva no Brasil. Essa condição se mostrou mais prevalente no sexo feminino, na população idosa, nas etnias branca e parda, concentrando-se nas regiões nordeste e sudeste. Portanto, os dados evidenciam a relevância da anemia ferropriva como um problema de saúde pública, que exige estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, especialmente voltadas aos grupos mais vulneráveis. Além disso, vale destacar que o presente trabalho não conseguiu discernir sobre as principais etiologias da doença pela falta de dados da plataforma DATASUS, o que torna imperativo também a melhoria das ferramentas epidemiológicas do SUS e a realização de outros estudos voltados para essa temática.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104085
Primary Topic
Iron Metabolism and Disorders
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO DA ANEMIA FERROPRIVA NO BRASIL NA ÚLTIMA DÉCADA

Maycon Rayonne Alves de Sousa Júnior, Isabel Henriques, Monique Maria de Souza Costa, Paulo Fernandes et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Iron Metabolism and Disorders
article

PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO DA ANEMIA FERROPRIVA NO BRASIL NA ÚLTIMA DÉCADA

Maycon Rayonne Alves de Sousa Júnior, Isabel Henriques, Monique Maria de Souza Costa, Paulo Fernandes, Ana Luísa Alves, MC de Oliveira Belarmino, ME de Oliveira Belarmino
article en

Abstract

A anemia ferropriva é uma condição caracterizada pela diminuição na produção de hemoglobina em decorrência da deficiência de ferro, podendo ter múltiplas causas, como deficiências alimentares, alterações na absorção, distúrbios metabólicos ou distributivos, além de perdas sanguíneas e aumento das demandas fisiológicas ou patológicas do organismo. Analisar o perfil epidemiológico da anemia ferropriva no Brasil na última década. Foi realizado um estudo descritivo, quantitativo, de caráter retrospectivo e com recorte transversal, através de dados coletados no sistema de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), no endereço eletrônico ( https://datasus.saude.gov.br/ ). Os dados obtidos são referentes ao perfil epidemiológico da anemia por deficiência de ferro no Brasil ao longo dos anos de 2014 à 2024. Entre 2014 e 2024, foram registradas 135988 internações decorrentes de anemia ferropriva no Brasil, sendo que as regiões Sudeste (54460) e Nordeste (38039), totalizando 68% do número de casos. Em relação ao sexo, as mulheres apresentaram maior número (78819, o que correspondendo a 58%) em comparação aos homens (57169, equivalendo a 42%). Por sua vez, a faixa etária com maior número de casos foi a de 80 ou mais anos com 23369 internações (17,1%). Vale ressaltar que a população geriátrica foi a que apresentou o maior número de casos: indivíduos com idade maior ou igual a 60 anos totalizaram 66719 (49%). Já em relação à etnia, os indivíduos pardos (55056) e caucasianos (46367) corresponderam a 74.5% do total. Quanto à mortalidade, registrou-se um total de 5946 óbitos, também sendo liderados pelas regiões Nordeste (1953) e Sudeste (2495). No período analisado foram registradas 135988 internações e 5946 óbitos decorrentes da anemia ferropriva no Brasil. Essa condição se mostrou mais prevalente no sexo feminino, na população idosa, nas etnias branca e parda, concentrando-se nas regiões nordeste e sudeste. Portanto, os dados evidenciam a relevância da anemia ferropriva como um problema de saúde pública, que exige estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, especialmente voltadas aos grupos mais vulneráveis. Além disso, vale destacar que o presente trabalho não conseguiu discernir sobre as principais etiologias da doença pela falta de dados da plataforma DATASUS, o que torna imperativo também a melhoria das ferramentas epidemiológicas do SUS e a realização de outros estudos voltados para essa temática.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (BR)
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Iron Metabolism and Disorders
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