CHECKLIST DE SEGURANÇA PARA ENVIO E RECEPÇÃO DE AMOSTRAS: ESTRATÉGIA DE MITIGAÇÃO DE RISCOS

A segurança no transporte e recebimento de amostras para testes imuno-hematológicos pré-transfusionais é essencial para garantir a rastreabilidade, integridade e efetividade do cuidado transfusional. Em 2024, a análise dos relatórios de não conformidades (RNCs) na Hemorrede Regional evidenciou fragilidades recorrentes nas etapas realizadas pelas agências transfusionais (ATs), como dados incompletos, amostras mal identificadas e falhas na conservação. Diante desse cenário, foi elaborado um checklist como barreira ativa de segurança e estratégia de mitigação de riscos. Desenvolver e implementar o uso de um checklist padronizado para envio e recepção de amostras entre ATs e Hemocentro, com base nas falhas mais incidentes registradas nos RNCs de 2024. A proposta visa reduzir erros, ampliar a rastreabilidade e fortalecer a cultura de segurança transfusional. Estudo descritivo documental baseado na análise das RNCs registradas entre janeiro e dezembro de 2024. As equipes da Administração da Qualidade (AQ) e Hemorrede, categorizaram os desvios por tipo e frequência. Com base nas causas raízes mais frequentes, foi elaborado um checklist com 28 itens críticos, agrupados em quatro blocos: Requisições (baseado em requisitos do Anexo IV da Portaria Consolidada n° 5/2017), Identificação do Paciente, Identificação e Embalagem das Amostras e Transporte. O checklist contempla dupla verificação (saída e chegada) e foi implantado de forma piloto em cinco ATs no segundo trimestre de 2025. Em 2024, foram identificadas 15 RNCs classificadas como “quase erro”, com os seguintes desvios: falha na identificação da amostra (5; 33%), falha de requisição (5; 33%), amostra hemolisada (2; 13%), falha de requisição e ausência de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (1; 6,7%), falha combinada de requisição, TCLE e identificação (1; 6,7%), e troca do tubo indicado (1; 6,7%). Cerca de 60% das RNCs estavam relacionadas a problemas com amostras, evidenciando uma área crítica para intervenção. O checklist foi validado nas cinco ATs participantes do piloto e, após análise, expandido para toda a Hemorrede. Sua adoção promoveu redução de desvios e maior engajamento das equipes assistenciais nas etapas de conferência. A implantação do checklist como barreira de segurança viabiliza padronização operacional e atuação preventiva frente a falhas recorrentes. A simplicidade da ferramenta, aliada à clareza dos critérios e à dupla checagem (envio e recepção), fortalece a comunicação entre serviços e valoriza o protagonismo das equipes assistenciais. Como produto de um processo de escuta ativa das fragilidades reais, o checklist contribui para a cultura justa e promove aprendizado organizacional a partir das não conformidades. Trata-se de uma solução de baixo custo, fácil implementação e alto impacto. O uso de checklist de segurança tem demonstrado ser uma intervenção eficaz para mitigar riscos operacionais no envio e recepção de amostras hemoterápicas, com impacto direto na segurança transfusional e conformidade regulatória. Sua aplicação poderá ser expandida para toda a Hemorrede e adaptada a outros processos críticos da cadeia produtiva do sangue. A iniciativa reforça a importância dos sistemas de notificação e análise de RNCs como base estratégica para ações de melhoria contínua e segurança do paciente.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105277
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
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CHECKLIST DE SEGURANÇA PARA ENVIO E RECEPÇÃO DE AMOSTRAS: ESTRATÉGIA DE MITIGAÇÃO DE RISCOS

Victória Ribeiro de Sousa Marques, Marcelo Addas‐Carvalho, Hernán Campos, P. H. M. DIAN et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

CHECKLIST DE SEGURANÇA PARA ENVIO E RECEPÇÃO DE AMOSTRAS: ESTRATÉGIA DE MITIGAÇÃO DE RISCOS

Victória Ribeiro de Sousa Marques, Marcelo Addas‐Carvalho, Hernán Campos, P. H. M. DIAN, MK Sankako, ANCP Roscani, TV Cusato, KCSZ Cerri, FP Bíscaro
article en

Abstract

A segurança no transporte e recebimento de amostras para testes imuno-hematológicos pré-transfusionais é essencial para garantir a rastreabilidade, integridade e efetividade do cuidado transfusional. Em 2024, a análise dos relatórios de não conformidades (RNCs) na Hemorrede Regional evidenciou fragilidades recorrentes nas etapas realizadas pelas agências transfusionais (ATs), como dados incompletos, amostras mal identificadas e falhas na conservação. Diante desse cenário, foi elaborado um checklist como barreira ativa de segurança e estratégia de mitigação de riscos. Desenvolver e implementar o uso de um checklist padronizado para envio e recepção de amostras entre ATs e Hemocentro, com base nas falhas mais incidentes registradas nos RNCs de 2024. A proposta visa reduzir erros, ampliar a rastreabilidade e fortalecer a cultura de segurança transfusional. Estudo descritivo documental baseado na análise das RNCs registradas entre janeiro e dezembro de 2024. As equipes da Administração da Qualidade (AQ) e Hemorrede, categorizaram os desvios por tipo e frequência. Com base nas causas raízes mais frequentes, foi elaborado um checklist com 28 itens críticos, agrupados em quatro blocos: Requisições (baseado em requisitos do Anexo IV da Portaria Consolidada n° 5/2017), Identificação do Paciente, Identificação e Embalagem das Amostras e Transporte. O checklist contempla dupla verificação (saída e chegada) e foi implantado de forma piloto em cinco ATs no segundo trimestre de 2025. Em 2024, foram identificadas 15 RNCs classificadas como “quase erro”, com os seguintes desvios: falha na identificação da amostra (5; 33%), falha de requisição (5; 33%), amostra hemolisada (2; 13%), falha de requisição e ausência de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (1; 6,7%), falha combinada de requisição, TCLE e identificação (1; 6,7%), e troca do tubo indicado (1; 6,7%). Cerca de 60% das RNCs estavam relacionadas a problemas com amostras, evidenciando uma área crítica para intervenção. O checklist foi validado nas cinco ATs participantes do piloto e, após análise, expandido para toda a Hemorrede. Sua adoção promoveu redução de desvios e maior engajamento das equipes assistenciais nas etapas de conferência. A implantação do checklist como barreira de segurança viabiliza padronização operacional e atuação preventiva frente a falhas recorrentes. A simplicidade da ferramenta, aliada à clareza dos critérios e à dupla checagem (envio e recepção), fortalece a comunicação entre serviços e valoriza o protagonismo das equipes assistenciais. Como produto de um processo de escuta ativa das fragilidades reais, o checklist contribui para a cultura justa e promove aprendizado organizacional a partir das não conformidades. Trata-se de uma solução de baixo custo, fácil implementação e alto impacto. O uso de checklist de segurança tem demonstrado ser uma intervenção eficaz para mitigar riscos operacionais no envio e recepção de amostras hemoterápicas, com impacto direto na segurança transfusional e conformidade regulatória. Sua aplicação poderá ser expandida para toda a Hemorrede e adaptada a outros processos críticos da cadeia produtiva do sangue. A iniciativa reforça a importância dos sistemas de notificação e análise de RNCs como base estratégica para ações de melhoria contínua e segurança do paciente.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (BR)
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Blood donation and transfusion practices
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