PERFIL DE ANTICORPOS ERITROCITÁRIOS EVANESCENTES EM PACIENTES TRANSFUNDIDOS
A transfusão de concentrado de hemácias é uma prática amplamente utilizada na medicina para o tratamento de diversas condições clínicas. No entanto, esta prática não está isenta de complicações, sendo a aloimunização eritrocitária uma das principais. Um fator relevante é o comportamento dos aloanticorpos, especialmente em relação à sua evanescência, pois a reexposição a antígenos previamente sensibilizantes pode resultar em reações hemolíticas tardias graves. Portanto, a correlação entre a aloimunização e a evanescência dos anticorpos é essencial para o manejo seguro de pacientes transfundidos. O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento do perfil de evanescência dos anticorpos dos principais sistemas, previamente identificados pelo laboratório de Imunohematologia. Foi realizado um estudo retrospectivo, no período de outubro de 2024 a maio de 2025, envolvendo pacientes com necessidade transfusional e resultado negativo na pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) realizada em tubo e que apresentavam anticorpos previamente detectados. Durante o período analisado, foram registradas 268 solicitações transfusionais para pacientes com pesquisa de anticorpos atual negativa, porém com histórico de um ou mais anticorpos, totalizando 430 anticorpos evanescentes. O sistema Rh foi o mais representativo, correspondendo a 57% dos casos. Dentro deste sistema, destacaram-se os seguintes anticorpos: anti-E (27,4%), anti-D (11,0%), anti-C (7,5%), anti-c (6,6%), anti-Cw (2,8%), anti-e (1,9%) e anti-f (0,2%). O sistema Kell representou 18% dos casos, com predomínio do anti-K (12,6%) e anti-Kpa (4,9%). O sistema Lewis foi responsável por 10% das ocorrências, com predominância do anti-Lea (9,5%) e, em menor proporção, do anti-Leb (0,9%). O sistema Kidd esteve presente em 5% dos casos, com o anti-Jka (2,5%) e o anti-Jkb (2,1%) como principais aloanticorpos. Já o sistema MNS apresentou 3%, sendo o anti-S (1,4%) o mais frequente, seguido do anti-M e anti-s (0,7%). O sistema Duffy também respondeu por 3% dos casos, com destaque para o anti-Fya (2,1%) e o anti- Fyb (0,5%). Por fim, os sistemas Diego (4%) e P (1%) apresentaram menor prevalência no conjunto analisado. A evanescência de anticorpos pode levar à sua não detecção em testes atuais, porém a reexposição ao antígeno correspondente pode desencadear reações hemolíticas tardias graves. Sendo assim, o histórico imuno-hematológico atualizado é uma ferramenta indispensável para a seleção adequada de hemocomponentes, contribuindo significativamente para a prevenção de eventos adversos e para a segurança transfusional.
Authors
- GF Devides
- FRM Latini
- TAP Vendrame
- CP Arnoni
- AJP Cortez
Institutions
- Colsan - Associação Beneficente de Coleta de Sangue (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105670
- Primary Topic
- Blood transfusion and management
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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