LEUCEMIA PROLINFOCÍTICA T BICLONAL ASSOCIADO A LINFOCITOSE B MONOCLONAL DE SIGNIFICADO INDETERMINADO COM FENÓTIPO DE LEUCEMIA LINFOCITICA CRÔNICA

A Leucemia Prolinfocítica T (T-PLL), conforme classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma neoplasia linfoproliferativa rara e altamente agressiva, caracterizada pela expansão clonal de linfócitos T com imunofenótipo maduro, embora morfologicamente classificados como prolinfócitos. Corresponde a aproximadamente 2% das leucemias linfocíticas maduras em adultos, acometendo predominantemente indivíduos do sexo masculino (relação M:F de 2:1), com média de idade ao diagnóstico de 65 anos. A sobrevida global varia entre 12 e 24 meses. A apresentação clínica é heterogênea, sendo frequentemente marcada por sintomas constitucionais (sintomas B), linfocitose acentuada (geralmente superior a 100 × 10⁹/L), hepatoesplenomegalia e linfadenomegalia. O envolvimento extranodal é comum, com ocorrência de derrames pleurais ou peritoneais em aproximadamente 25% dos casos e comprometimento do sistema nervoso central em cerca de 10% dos casos. O diagnóstico é baseado na integração de achados morfológicos, imunofenotípicos, citogenéticos e clínicos, com a citometria de fluxo desempenhando papel central na caracterização imunológica das células neoplásicas. O início do tratamento é indicado na presença de doença ativa, sendo a resposta terapêutica ao alemtuzumabe o principal fator prognóstico. A presença de envolvimento extramedular está associada a menor taxa de resposta ao tratamento. O diagnóstico diferencial deve incluir outras entidades linfoproliferativas T, como a leucemia de grandes células T com linfócitos granulares, linfoma/leucemia de células T do adulto e leucemia linfocítica crônica. VDS, masculino, 54 anos, sem comorbidades, encaminhado para investigação de linfocitose Ao exame físico apresentava linfonodomegalia cervical bilateral e esplenomegalia. Negava sintomas B. Realizado hemograma que mostrava Hb: 12,8/40, leucócitos de 190.900 com 1229 neutrófilos/mm 3 , 127.302 linfócitos/mm 3 , 1229 monócitos/mm 3 e 89.000 plaquetas/mm 3 . A imunofenotipagem de sangue periférico mostrou 91,55 % linfócitos T monoclonais anômalos divididos em 2 subpopulações: a população maioritária (66,8%) apresentava CD45 forte, CD8+, CD5+, CD3+, CD7+, TCR a/b +, CD2 parcial, TRBC1 negativo e a população minoritária (24,69%) caracterizada por CD45 forte, CD4+, CD8+, CD5+, CD3+, CD7+ CD2+, TCR a/b+, TRBC1 negativo e 1,6% de linfócitos B monoclonais kappa com fenótipo CD45 forte, CD19+, CD20+ fraco, CD5+, CD23+, CD200+, CD43 fraco, Kappa negativo e lambda negativo. A biópsia de medula óssea mostrou infiltração difusa por linfoma não Hodgkin de baixo grau histológico e a imunohistoquímica positiva para CD5, CD7, CD2, CD3, negativo BCL6 e TdT. As sorologias negativas. Realizado PET-CT que evidenciou hipercaptação e linfonodomegalias supra e infra diafragmática, com maior SUV de 9. Iniciado Alentuzumabe em julho de 2025. Este relato descreve uma associação incomum entre T-PLL com dois clones distintos e um terceiro clone compatível com leucemia linfocítica crônica (LLC). Essa tríplice apresentação clonal é extremamente rara na literatura, destacando-se pela sua complexidade diagnóstica. O caso reforça o papel essencial da citometria de fluxo na detecção e caracterização de clones minoritários, ferramenta fundamental para o diagnóstico preciso quanto para o monitoramento. Embora neoplasias linfoproliferativas estejam associadas ao surgimento de neoplasias secundárias, os achados deste caso sugerem a coexistência simultânea de múltiplos clones malignos.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104336
Primary Topic
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

LEUCEMIA PROLINFOCÍTICA T BICLONAL ASSOCIADO A LINFOCITOSE B MONOCLONAL DE SIGNIFICADO INDETERMINADO COM FENÓTIPO DE LEUCEMIA LINFOCITICA CRÔNICA

R. H. C. Souza, ILGHL Metze, T. H. S. Almeida, Humberto Salgado Filho et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
article

LEUCEMIA PROLINFOCÍTICA T BICLONAL ASSOCIADO A LINFOCITOSE B MONOCLONAL DE SIGNIFICADO INDETERMINADO COM FENÓTIPO DE LEUCEMIA LINFOCITICA CRÔNICA

R. H. C. Souza, ILGHL Metze, T. H. S. Almeida, Humberto Salgado Filho, GO Duarte, TC Calunga, KOB Bortolotti
article en

Abstract

A Leucemia Prolinfocítica T (T-PLL), conforme classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma neoplasia linfoproliferativa rara e altamente agressiva, caracterizada pela expansão clonal de linfócitos T com imunofenótipo maduro, embora morfologicamente classificados como prolinfócitos. Corresponde a aproximadamente 2% das leucemias linfocíticas maduras em adultos, acometendo predominantemente indivíduos do sexo masculino (relação M:F de 2:1), com média de idade ao diagnóstico de 65 anos. A sobrevida global varia entre 12 e 24 meses. A apresentação clínica é heterogênea, sendo frequentemente marcada por sintomas constitucionais (sintomas B), linfocitose acentuada (geralmente superior a 100 × 10⁹/L), hepatoesplenomegalia e linfadenomegalia. O envolvimento extranodal é comum, com ocorrência de derrames pleurais ou peritoneais em aproximadamente 25% dos casos e comprometimento do sistema nervoso central em cerca de 10% dos casos. O diagnóstico é baseado na integração de achados morfológicos, imunofenotípicos, citogenéticos e clínicos, com a citometria de fluxo desempenhando papel central na caracterização imunológica das células neoplásicas. O início do tratamento é indicado na presença de doença ativa, sendo a resposta terapêutica ao alemtuzumabe o principal fator prognóstico. A presença de envolvimento extramedular está associada a menor taxa de resposta ao tratamento. O diagnóstico diferencial deve incluir outras entidades linfoproliferativas T, como a leucemia de grandes células T com linfócitos granulares, linfoma/leucemia de células T do adulto e leucemia linfocítica crônica. VDS, masculino, 54 anos, sem comorbidades, encaminhado para investigação de linfocitose Ao exame físico apresentava linfonodomegalia cervical bilateral e esplenomegalia. Negava sintomas B. Realizado hemograma que mostrava Hb: 12,8/40, leucócitos de 190.900 com 1229 neutrófilos/mm 3 , 127.302 linfócitos/mm 3 , 1229 monócitos/mm 3 e 89.000 plaquetas/mm 3 . A imunofenotipagem de sangue periférico mostrou 91,55 % linfócitos T monoclonais anômalos divididos em 2 subpopulações: a população maioritária (66,8%) apresentava CD45 forte, CD8+, CD5+, CD3+, CD7+, TCR a/b +, CD2 parcial, TRBC1 negativo e a população minoritária (24,69%) caracterizada por CD45 forte, CD4+, CD8+, CD5+, CD3+, CD7+ CD2+, TCR a/b+, TRBC1 negativo e 1,6% de linfócitos B monoclonais kappa com fenótipo CD45 forte, CD19+, CD20+ fraco, CD5+, CD23+, CD200+, CD43 fraco, Kappa negativo e lambda negativo. A biópsia de medula óssea mostrou infiltração difusa por linfoma não Hodgkin de baixo grau histológico e a imunohistoquímica positiva para CD5, CD7, CD2, CD3, negativo BCL6 e TdT. As sorologias negativas. Realizado PET-CT que evidenciou hipercaptação e linfonodomegalias supra e infra diafragmática, com maior SUV de 9. Iniciado Alentuzumabe em julho de 2025. Este relato descreve uma associação incomum entre T-PLL com dois clones distintos e um terceiro clone compatível com leucemia linfocítica crônica (LLC). Essa tríplice apresentação clonal é extremamente rara na literatura, destacando-se pela sua complexidade diagnóstica. O caso reforça o papel essencial da citometria de fluxo na detecção e caracterização de clones minoritários, ferramenta fundamental para o diagnóstico preciso quanto para o monitoramento. Embora neoplasias linfoproliferativas estejam associadas ao surgimento de neoplasias secundárias, os achados deste caso sugerem a coexistência simultânea de múltiplos clones malignos.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (BR)
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Chronic Lymphocytic Leukemia Research
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