PADRONIZAÇÃO DE TÉCNICAS SOROLÓGICAS COMPLEMENTARES: UMA FERRAMENTA ESSENCIAL NA DETECÇÃO DE ANTI-CH/RG

O sistema de grupo sanguíneo Chido/Rodgers, designado pelo número ISBT 017, é composto por nove antígenos de alta prevalência, que são antigenicamente, estruturalmente e geneticamente relacionados ao quarto componente do complemento (C4). Os anticorpos anti-Ch/Rg são, em sua maioria, da classe IgG, e costumam apresentar padrões de reatividade fraca e/ou variável, o que dificulta a sua detecção e identificação nos testes de rotina. Embora os achados na literatura apontem que estes anticorpos não apresentam importância clínica, a sua correta identificação é de extrema importância. Diante desse cenário, a padronização e o uso de técnicas sorológicas complementares, como o tratamento enzimático, a titulação de anticorpos e o teste de neutralização plasmática, são essenciais para o esclarecimento dos casos e para a exclusão de aloanticorpos clinicamente significativos. O objetivo deste trabalho foi descrever os casos com presença de anticorpos anti-Ch/Rg identificados após a implementação do teste de neutralização plasmática na rotina imuno- hematológica de nosso serviço de janeiro de 2024 à maio de 2025. Foi realizado um levantamento de pacientes nos quais, após a utilização de técnicas complementares, foi possível identificar a presença de anticorpos anti-Ch/Rg. A consulta dos testes e resultados encontrados ocorreu no sistema informatizado Eblood. Em todos os casos, os testes pré-transfusionais foram inicialmente realizados pela metodologia em gel, que apresentaram reações de aglutinação fraco-variáveis apenas em LISS/Coombs. Para elucidação dos casos, foi necessária a realização de testes complementares. O tratamento de hemácias com enzimas proteolíticas apresentou um padrão específico de reatividade, resistente ao DTT e sensível à papaína, tripsina e α-quimiotripsina. Já a titulação, um teste de rotina que contribui na determinação do título e avidez do anticorpo, apresentou variação de titulação 1/1 à 1/8. O teste de neutralização plasmática é considerado de simples execução, sendo realizado com pool de 6 plasmas de doadores do tipo do paciente ou AB. As proteínas plasmáticas presentes são capazes de neutralizar os anticorpos anti-Ch/Rg no soro do paciente, resultando na ausência de aglutinação após o tratamento. Para validação da neutralização, foi utilizado um controle em meio com albumina a 6%, que, após o período de incubação, manteve a reatividade positiva esperada. Após a realização dos testes complementares, foi possível identificar a presença de anticorpos anti- Ch/Rg em 11 pacientes, dos quais 6 apresentaram apenas este anticorpo e 5 apresentaram um ou mais aloanticorpos associados, sendo dos sistemas Rh, Kell, Kidd, Duffy e MNS. Nos casos em que os testes imunohematológicos iniciais não permitem a determinação da especificidade do anticorpo, a padronização e implementação de técnicas complementares como tratamento enzimático, titulação e neutralização tornam-se fundamentais para a elucidação dos casos. Esses recursos contribuem para a correta identificação e exclusão de possíveis aloanticorpos clinicamente significativos, permitindo maior segurança no processo transfusional.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105668
Primary Topic
Blood groups and transfusion
Type
article
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PADRONIZAÇÃO DE TÉCNICAS SOROLÓGICAS COMPLEMENTARES: UMA FERRAMENTA ESSENCIAL NA DETECÇÃO DE ANTI-CH/RG

GF Devides, FRM Latini, Thiago M. Santos, TAP Vendrame et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood groups and transfusion
article

PADRONIZAÇÃO DE TÉCNICAS SOROLÓGICAS COMPLEMENTARES: UMA FERRAMENTA ESSENCIAL NA DETECÇÃO DE ANTI-CH/RG

GF Devides, FRM Latini, Thiago M. Santos, TAP Vendrame, CP Arnoni, AJP Cortez
article en

Abstract

O sistema de grupo sanguíneo Chido/Rodgers, designado pelo número ISBT 017, é composto por nove antígenos de alta prevalência, que são antigenicamente, estruturalmente e geneticamente relacionados ao quarto componente do complemento (C4). Os anticorpos anti-Ch/Rg são, em sua maioria, da classe IgG, e costumam apresentar padrões de reatividade fraca e/ou variável, o que dificulta a sua detecção e identificação nos testes de rotina. Embora os achados na literatura apontem que estes anticorpos não apresentam importância clínica, a sua correta identificação é de extrema importância. Diante desse cenário, a padronização e o uso de técnicas sorológicas complementares, como o tratamento enzimático, a titulação de anticorpos e o teste de neutralização plasmática, são essenciais para o esclarecimento dos casos e para a exclusão de aloanticorpos clinicamente significativos. O objetivo deste trabalho foi descrever os casos com presença de anticorpos anti-Ch/Rg identificados após a implementação do teste de neutralização plasmática na rotina imuno- hematológica de nosso serviço de janeiro de 2024 à maio de 2025. Foi realizado um levantamento de pacientes nos quais, após a utilização de técnicas complementares, foi possível identificar a presença de anticorpos anti-Ch/Rg. A consulta dos testes e resultados encontrados ocorreu no sistema informatizado Eblood. Em todos os casos, os testes pré-transfusionais foram inicialmente realizados pela metodologia em gel, que apresentaram reações de aglutinação fraco-variáveis apenas em LISS/Coombs. Para elucidação dos casos, foi necessária a realização de testes complementares. O tratamento de hemácias com enzimas proteolíticas apresentou um padrão específico de reatividade, resistente ao DTT e sensível à papaína, tripsina e α-quimiotripsina. Já a titulação, um teste de rotina que contribui na determinação do título e avidez do anticorpo, apresentou variação de titulação 1/1 à 1/8. O teste de neutralização plasmática é considerado de simples execução, sendo realizado com pool de 6 plasmas de doadores do tipo do paciente ou AB. As proteínas plasmáticas presentes são capazes de neutralizar os anticorpos anti-Ch/Rg no soro do paciente, resultando na ausência de aglutinação após o tratamento. Para validação da neutralização, foi utilizado um controle em meio com albumina a 6%, que, após o período de incubação, manteve a reatividade positiva esperada. Após a realização dos testes complementares, foi possível identificar a presença de anticorpos anti- Ch/Rg em 11 pacientes, dos quais 6 apresentaram apenas este anticorpo e 5 apresentaram um ou mais aloanticorpos associados, sendo dos sistemas Rh, Kell, Kidd, Duffy e MNS. Nos casos em que os testes imunohematológicos iniciais não permitem a determinação da especificidade do anticorpo, a padronização e implementação de técnicas complementares como tratamento enzimático, titulação e neutralização tornam-se fundamentais para a elucidação dos casos. Esses recursos contribuem para a correta identificação e exclusão de possíveis aloanticorpos clinicamente significativos, permitindo maior segurança no processo transfusional.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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