PADRÕES DINÂMICOS DO HEMOGRAMA COMO FERRAMENTA DE MONITORAMENTO CLÍNICO DA DENGUE

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, a doença tem caráter endêmico, com surtos epidêmicos frequentes que demandam estratégias eficazes de diagnóstico e manejo. O hemograma é uma ferramenta de baixo custo e alta acessibilidade que se destaca no acompanhamento desses pacientes, fornecendo informações valiosas sobre a evolução da infecção. Na região do Oeste do Paraná, a alta incidência de casos nos últimos anos reforça a necessidade de estudos locais que aprofundem o entendimento das manifestações clínicas e laboratoriais da dengue. Avaliar a frequência e a evolução das alterações hematológicas em pacientes com diagnóstico confirmado de dengue, buscando identificar padrões que possam auxiliar na tomada de decisão clínica e otimizar o manejo dos casos atendidos em um hospital terciário da região. Trata-se de um estudo retrospectivo, realizado a partir da revisão de prontuários eletrônicos de 185 pacientes submetidos à testagem para dengue entre 01/01/2024 e 31/12/2024. Os pacientes foram testados por diversas metodologias contando com os exames de antígeno NS1, IgM e IgG e biologia molecular por RT-qPCR. Coletaram-se informações demográficas e laboratoriais, com os exames hematológicos realizados em contador automatizado e posterior revisão microscópica. A tabulação e análise de dados foi conduzida no Microsoft Excel®. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer n° 7.610.099. Dos 185 pacientes que haviam sido testados para dengue em alguma das metodologias, 121 (65,4%) tiveram diagnóstico confirmado. A maioria era do sexo feminino (58%) e da faixa etária jovem, com 54 pacientes com até 18 anos. O Pronto Socorro foi a principal porta de entrada no hospital, contando com 49% dos casos atendidos de Dengue. A plaquetopenia foi a alteração hematológica mais prevalente, presente em 67% dos pacientes no período mais crítico da infecção (entre o 11° e o 15° dia de sintomas), com posterior tendência à normalização, caindo para 40% após o 16° dia após o início dos sintomas. Em relação à série branca, a leucopenia predominou nas fases iniciais da infecção (31% entre 1 e 5 dias), enquanto a leucocitose tornou-se mais frequente em fases tardias. Quanto ao desfecho dos atendimentos, observou-se que a maioria dos pacientes, 107 indivíduos (88%), evoluíram de forma favorável e receberam alta hospitalar. No entanto, um total de 14 pacientes (12%) evoluíram para óbito, evidenciando a gravidade da infecção. Esses dados ressaltam a importância do acompanhamento clínico rigoroso, especialmente em pacientes com fatores de risco para complicações. Os achados reforçam o papel do hemograma como um valioso instrumento de monitoramento. O padrão dinâmico de leucopenia inicial, seguida de possível leucocitose tardia, sugere que o hemograma pode ser um interessante indicador da fase da doença, sendo também importante aliado no acompanhamento e avaliação da gravidade do quadro dos pacientes. A alta prevalência e a recuperação gradual da plaquetopenia são dados cruciais para a estratificação de risco de hemorragias e para a tomada de decisão clínica. Em suma, a análise do perfil hematológico dos pacientes com dengue demonstrou padrões evolutivos clinicamente relevantes. Esses achados reforçam a importância do monitoramento seriado do hemograma como um guia para o manejo mais eficiente e a redução de desfechos desfavoráveis na infecção por dengue.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104298
Primary Topic
Leptospirosis research and findings
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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PADRÕES DINÂMICOS DO HEMOGRAMA COMO FERRAMENTA DE MONITORAMENTO CLÍNICO DA DENGUE

RA Sri Martini, MAF Chaves, RAT Takaes, JM Teodoro
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Leptospirosis research and findings
article

PADRÕES DINÂMICOS DO HEMOGRAMA COMO FERRAMENTA DE MONITORAMENTO CLÍNICO DA DENGUE

RA Sri Martini, MAF Chaves, RAT Takaes, JM Teodoro
article en

Abstract

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, a doença tem caráter endêmico, com surtos epidêmicos frequentes que demandam estratégias eficazes de diagnóstico e manejo. O hemograma é uma ferramenta de baixo custo e alta acessibilidade que se destaca no acompanhamento desses pacientes, fornecendo informações valiosas sobre a evolução da infecção. Na região do Oeste do Paraná, a alta incidência de casos nos últimos anos reforça a necessidade de estudos locais que aprofundem o entendimento das manifestações clínicas e laboratoriais da dengue. Avaliar a frequência e a evolução das alterações hematológicas em pacientes com diagnóstico confirmado de dengue, buscando identificar padrões que possam auxiliar na tomada de decisão clínica e otimizar o manejo dos casos atendidos em um hospital terciário da região. Trata-se de um estudo retrospectivo, realizado a partir da revisão de prontuários eletrônicos de 185 pacientes submetidos à testagem para dengue entre 01/01/2024 e 31/12/2024. Os pacientes foram testados por diversas metodologias contando com os exames de antígeno NS1, IgM e IgG e biologia molecular por RT-qPCR. Coletaram-se informações demográficas e laboratoriais, com os exames hematológicos realizados em contador automatizado e posterior revisão microscópica. A tabulação e análise de dados foi conduzida no Microsoft Excel®. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer n° 7.610.099. Dos 185 pacientes que haviam sido testados para dengue em alguma das metodologias, 121 (65,4%) tiveram diagnóstico confirmado. A maioria era do sexo feminino (58%) e da faixa etária jovem, com 54 pacientes com até 18 anos. O Pronto Socorro foi a principal porta de entrada no hospital, contando com 49% dos casos atendidos de Dengue. A plaquetopenia foi a alteração hematológica mais prevalente, presente em 67% dos pacientes no período mais crítico da infecção (entre o 11° e o 15° dia de sintomas), com posterior tendência à normalização, caindo para 40% após o 16° dia após o início dos sintomas. Em relação à série branca, a leucopenia predominou nas fases iniciais da infecção (31% entre 1 e 5 dias), enquanto a leucocitose tornou-se mais frequente em fases tardias. Quanto ao desfecho dos atendimentos, observou-se que a maioria dos pacientes, 107 indivíduos (88%), evoluíram de forma favorável e receberam alta hospitalar. No entanto, um total de 14 pacientes (12%) evoluíram para óbito, evidenciando a gravidade da infecção. Esses dados ressaltam a importância do acompanhamento clínico rigoroso, especialmente em pacientes com fatores de risco para complicações. Os achados reforçam o papel do hemograma como um valioso instrumento de monitoramento. O padrão dinâmico de leucopenia inicial, seguida de possível leucocitose tardia, sugere que o hemograma pode ser um interessante indicador da fase da doença, sendo também importante aliado no acompanhamento e avaliação da gravidade do quadro dos pacientes. A alta prevalência e a recuperação gradual da plaquetopenia são dados cruciais para a estratificação de risco de hemorragias e para a tomada de decisão clínica. Em suma, a análise do perfil hematológico dos pacientes com dengue demonstrou padrões evolutivos clinicamente relevantes. Esses achados reforçam a importância do monitoramento seriado do hemograma como um guia para o manejo mais eficiente e a redução de desfechos desfavoráveis na infecção por dengue.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (BR)
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Leptospirosis research and findings
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