AVALIAÇÃO DO IMPACTO DA CONSERVAÇÃO DE SANGUE INTRAOPERATÓRIA EM CIRURGIAS CARDÍACAS: ANÁLISE COMPARATIVA DE DOIS PERÍODOS CONSECUTIVOS (2023–2025)

Dados da literatura indicam que uma minoria dos pacientes em cirurgias cardíacas consome mais de 80% dos produtos sanguíneos utilizados. Devido à alta previsibilidade de sangramento nesse perfil cirúrgico, é fundamental reservar hemocomponentes e adotar estratégias que minimizem transfusões alogênicas, como a técnica de recuperação intraoperatória de sangue (Cell Saver). Avaliar a eficácia da recuperação intraoperatória de sangue (Cell Saver) na redução da necessidade de transfusões alogênicas em cirurgias cardíacas, comparando a utilização de concentrado de hemácias (CH), tempo de internação e desfechos clínicos entre pacientes que utilizaram e não utilizaram a técnica, em dois períodos consecutivos. Estudo retrospectivo e comparativo, realizado com pacientes submetidos a cirurgias cardíacas em dois hospitais de alta complexidade em São Paulo, entre junho de 2023 e junho de 2025. Os pacientes foram divididos em dois grupos: • Grupo A: Pacientes que utilizaram Cell Saver (398 em 2023–2024 e 366 em 2024–2025) • Grupo B: Pacientes que não utilizaram a técnica (173 em 2023–2024 e 106 em 2024–2025) Foram analisados o volume de sangue recuperado, unidades de CH reservadas e transfundidas, tempo médio de internação, tipo de procedimento cirúrgico, faixa etária, sexo e desfecho clínico (alta hospitalar, óbito, permanência hospitalar). A comparação entre os Grupos A e B nos dois períodos analisados evidencia diferenças significativas. O Grupo A, que utilizou Cell Saver, apresentou redução consistente nas taxas de transfusão de concentrado de hemácias (21,5% para 19,3%) e no tempo médio de internação (17 para 15 dias), mantendo taxas elevadas de alta hospitalar, indicando boa recuperação dos pacientes. Em contrapartida, o Grupo B, que não utilizou a técnica, teve aumento na taxa de transfusão (22,9% para 27,1%) e maior tempo médio de internação (17 para 19 dias), além de uma redução mais expressiva nas altas. Esses achados reforçam a efetividade da recuperação intraoperatória na otimização do uso de hemocomponentes e na melhora dos desfechos clínicos em cirurgias cardíacas. Além disso, esses resultados se alinham com os princípios do Patient Blood Management (PBM), especialmente no pilar de otimização do volume sanguíneo e minimização da perda sanguínea, reforçando a recuperação intraoperatória de sangue como uma estratégia essencial para reduzir a necessidade de transfusões alogênicas e melhorar a segurança do paciente. A conservação de sangue intraoperatória por meio do Cell Saver demonstrou impacto positivo na redução da utilização de hemocomponentes e em desfechos assistenciais, como tempo de internação e taxas de alta hospitalar. A comparação entre os períodos 2023–2024 e 2024–2025 mostra consistência na eficácia da técnica, sugerindo que sua adoção rotineira pode contribuir significativamente para a segurança transfusional e otimização de recursos. Estudos adicionais podem aprofundar a influência de fatores clínicos e cirúrgicos sobre os resultados observados.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105582
Primary Topic
Blood transfusion and management
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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AVALIAÇÃO DO IMPACTO DA CONSERVAÇÃO DE SANGUE INTRAOPERATÓRIA EM CIRURGIAS CARDÍACAS: ANÁLISE COMPARATIVA DE DOIS PERÍODOS CONSECUTIVOS (2023–2025)

CF Antonio, MCL Silva, KCG Alves, JE Di Giacomo
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood transfusion and management
article

AVALIAÇÃO DO IMPACTO DA CONSERVAÇÃO DE SANGUE INTRAOPERATÓRIA EM CIRURGIAS CARDÍACAS: ANÁLISE COMPARATIVA DE DOIS PERÍODOS CONSECUTIVOS (2023–2025)

CF Antonio, MCL Silva, KCG Alves, JE Di Giacomo
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Abstract

Dados da literatura indicam que uma minoria dos pacientes em cirurgias cardíacas consome mais de 80% dos produtos sanguíneos utilizados. Devido à alta previsibilidade de sangramento nesse perfil cirúrgico, é fundamental reservar hemocomponentes e adotar estratégias que minimizem transfusões alogênicas, como a técnica de recuperação intraoperatória de sangue (Cell Saver). Avaliar a eficácia da recuperação intraoperatória de sangue (Cell Saver) na redução da necessidade de transfusões alogênicas em cirurgias cardíacas, comparando a utilização de concentrado de hemácias (CH), tempo de internação e desfechos clínicos entre pacientes que utilizaram e não utilizaram a técnica, em dois períodos consecutivos. Estudo retrospectivo e comparativo, realizado com pacientes submetidos a cirurgias cardíacas em dois hospitais de alta complexidade em São Paulo, entre junho de 2023 e junho de 2025. Os pacientes foram divididos em dois grupos: • Grupo A: Pacientes que utilizaram Cell Saver (398 em 2023–2024 e 366 em 2024–2025) • Grupo B: Pacientes que não utilizaram a técnica (173 em 2023–2024 e 106 em 2024–2025) Foram analisados o volume de sangue recuperado, unidades de CH reservadas e transfundidas, tempo médio de internação, tipo de procedimento cirúrgico, faixa etária, sexo e desfecho clínico (alta hospitalar, óbito, permanência hospitalar). A comparação entre os Grupos A e B nos dois períodos analisados evidencia diferenças significativas. O Grupo A, que utilizou Cell Saver, apresentou redução consistente nas taxas de transfusão de concentrado de hemácias (21,5% para 19,3%) e no tempo médio de internação (17 para 15 dias), mantendo taxas elevadas de alta hospitalar, indicando boa recuperação dos pacientes. Em contrapartida, o Grupo B, que não utilizou a técnica, teve aumento na taxa de transfusão (22,9% para 27,1%) e maior tempo médio de internação (17 para 19 dias), além de uma redução mais expressiva nas altas. Esses achados reforçam a efetividade da recuperação intraoperatória na otimização do uso de hemocomponentes e na melhora dos desfechos clínicos em cirurgias cardíacas. Além disso, esses resultados se alinham com os princípios do Patient Blood Management (PBM), especialmente no pilar de otimização do volume sanguíneo e minimização da perda sanguínea, reforçando a recuperação intraoperatória de sangue como uma estratégia essencial para reduzir a necessidade de transfusões alogênicas e melhorar a segurança do paciente. A conservação de sangue intraoperatória por meio do Cell Saver demonstrou impacto positivo na redução da utilização de hemocomponentes e em desfechos assistenciais, como tempo de internação e taxas de alta hospitalar. A comparação entre os períodos 2023–2024 e 2024–2025 mostra consistência na eficácia da técnica, sugerindo que sua adoção rotineira pode contribuir significativamente para a segurança transfusional e otimização de recursos. Estudos adicionais podem aprofundar a influência de fatores clínicos e cirúrgicos sobre os resultados observados.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Blood transfusion and management
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