IMPLICAÇÕES CLÍNICAS E PROGNÓSTICAS DA HIPERBILIRRUBINEMIA AO DIAGNÓSTICO NO LINFOMA DE HODGKIN CLÁSSICO

A hiperbilirrubinemia é uma manifestação incomum no linfoma de Hodgkin clássico (LHc), associada a causas como hemólise, hemofagocitose, obstrução biliar e síndrome dos ductos evanescentes. Sua presença impõe desafios terapêuticos, pois a disfunção hepática pode potencializar a toxicidade de quimioterápicos metabolizados no fígado, demandando ajustes de dose baseados nos níveis séricos de bilirrubina e/ou transaminases. A escassez de dados sobre o manejo e o prognóstico desses pacientes torna seu tratamento um desafio clínico e reforça a importância de novas investigações. Descrever as características clínico-laboratoriais, a evolução laboratorial e o perfil de toxicidade durante o tratamento de pacientes com LHc e hiperbilirrubinemia ao diagnóstico. Como objetivo secundário, propõe-se comparar a sobrevida global (SG) e a sobrevida livre de progressão (SLP) com pacientes sem hiperbilirrubinemia. Trata-se de uma coorte retrospectiva unicêntrica (HC-FMUSP/ICESP) incluindo pacientes >16 anos, diagnóstico de LHc, bilirrubina total (BT) ≥1,2 mg/dL ao diagnóstico - sendo bilirrubina direta > indireta, tratados com protocolo ABVD e BEACOPP em primeira linha entre 2010 e 2020 (grupo H). O grupo controle (grupo C) foi selecionado por escore de propensão (ajustado para IPS, ECOG e estadiamento) a partir do registro de LH do ICESP no mesmo período. Foram coletados dados clínicos e laboratoriais, doses de doxorrubicina utilizadas e cinética de decaimento da bilirrubina. Toxicidades foram graduadas pelo CTCAE v5.0 e avaliadas por ciclo. SG e SLP foram estimadas por Kaplan-Meier e comparadas pelo teste de log-rank. Foi realizada análise de riscos proporcionais de Cox para avaliar o impacto de fatores prognósticos, incluindo IPS, estadiamento, ECOG e níveis de bilirrubina em relação a SG e SLP. Foram analisados 56 pacientes no grupo H (mediana da bilirrubina total: 4,0 mg/dL; IQ 2–8) e 142 no grupo C. A principal causa de hiperbilirrubinemia foi infiltração hepática (55%), seguida por causa indeterminadas (29%) e hemofagocitose (14%). O grupo H apresentou maior proporção de homens, pacientes HIV+, e casos de anemia, leucopenia ou linfopenia ao diagnóstico quando comparado ao grupo C. Entre 48 pacientes avaliados para dose de doxorrubicina e toxicidade, 16 receberam ajuste conforme bula e 32 receberam doses acima do recomendado em pelo menos um ciclo. Doses acima do preconizado associaram-se a maior necessidade transfusional no primeiro ciclo, sem aumento de neutropenia, infecção ou hepatotoxicidade. As taxas de resposta ao tratamento foram semelhantes entre os grupos (H: 81%; C: 83%), assim como a SG (p = 0,097), porém a SLP foi inferior no grupo H (p = 0,007). A administração inicial de doxorrubicina em doses superiores às recomendadas em bula, embora associada a maior necessidade transfusional, demonstrou segurança nesta coorte. Apesar de não ter sido observado aumento na mortalidade, é essencial manter monitoramento rigoroso em pacientes com disfunção hepática no diagnóstico. Estudos futuros são necessários para esclarecer melhor o impacto prognóstico da hiperbilirrubinemia na sobrevida livre de progressão e para definir estratégias terapêuticas padronizadas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104685
Primary Topic
Neonatal Health and Biochemistry
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS E PROGNÓSTICAS DA HIPERBILIRRUBINEMIA AO DIAGNÓSTICO NO LINFOMA DE HODGKIN CLÁSSICO

Aline Matos Arrais, Roberto Velásquez, Leonardo Jun Otuyama, José Ángel Santos Sánchez et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Neonatal Health and Biochemistry
article

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS E PROGNÓSTICAS DA HIPERBILIRRUBINEMIA AO DIAGNÓSTICO NO LINFOMA DE HODGKIN CLÁSSICO

Aline Matos Arrais, Roberto Velásquez, Leonardo Jun Otuyama, José Ángel Santos Sánchez, FM Santos, Marcelo Junqueira Atanazio, V Rocha, Maria Rosa Gomes Dória, JG Fragoso, V Bucherri
article en

Abstract

A hiperbilirrubinemia é uma manifestação incomum no linfoma de Hodgkin clássico (LHc), associada a causas como hemólise, hemofagocitose, obstrução biliar e síndrome dos ductos evanescentes. Sua presença impõe desafios terapêuticos, pois a disfunção hepática pode potencializar a toxicidade de quimioterápicos metabolizados no fígado, demandando ajustes de dose baseados nos níveis séricos de bilirrubina e/ou transaminases. A escassez de dados sobre o manejo e o prognóstico desses pacientes torna seu tratamento um desafio clínico e reforça a importância de novas investigações. Descrever as características clínico-laboratoriais, a evolução laboratorial e o perfil de toxicidade durante o tratamento de pacientes com LHc e hiperbilirrubinemia ao diagnóstico. Como objetivo secundário, propõe-se comparar a sobrevida global (SG) e a sobrevida livre de progressão (SLP) com pacientes sem hiperbilirrubinemia. Trata-se de uma coorte retrospectiva unicêntrica (HC-FMUSP/ICESP) incluindo pacientes >16 anos, diagnóstico de LHc, bilirrubina total (BT) ≥1,2 mg/dL ao diagnóstico - sendo bilirrubina direta > indireta, tratados com protocolo ABVD e BEACOPP em primeira linha entre 2010 e 2020 (grupo H). O grupo controle (grupo C) foi selecionado por escore de propensão (ajustado para IPS, ECOG e estadiamento) a partir do registro de LH do ICESP no mesmo período. Foram coletados dados clínicos e laboratoriais, doses de doxorrubicina utilizadas e cinética de decaimento da bilirrubina. Toxicidades foram graduadas pelo CTCAE v5.0 e avaliadas por ciclo. SG e SLP foram estimadas por Kaplan-Meier e comparadas pelo teste de log-rank. Foi realizada análise de riscos proporcionais de Cox para avaliar o impacto de fatores prognósticos, incluindo IPS, estadiamento, ECOG e níveis de bilirrubina em relação a SG e SLP. Foram analisados 56 pacientes no grupo H (mediana da bilirrubina total: 4,0 mg/dL; IQ 2–8) e 142 no grupo C. A principal causa de hiperbilirrubinemia foi infiltração hepática (55%), seguida por causa indeterminadas (29%) e hemofagocitose (14%). O grupo H apresentou maior proporção de homens, pacientes HIV+, e casos de anemia, leucopenia ou linfopenia ao diagnóstico quando comparado ao grupo C. Entre 48 pacientes avaliados para dose de doxorrubicina e toxicidade, 16 receberam ajuste conforme bula e 32 receberam doses acima do recomendado em pelo menos um ciclo. Doses acima do preconizado associaram-se a maior necessidade transfusional no primeiro ciclo, sem aumento de neutropenia, infecção ou hepatotoxicidade. As taxas de resposta ao tratamento foram semelhantes entre os grupos (H: 81%; C: 83%), assim como a SG (p = 0,097), porém a SLP foi inferior no grupo H (p = 0,007). A administração inicial de doxorrubicina em doses superiores às recomendadas em bula, embora associada a maior necessidade transfusional, demonstrou segurança nesta coorte. Apesar de não ter sido observado aumento na mortalidade, é essencial manter monitoramento rigoroso em pacientes com disfunção hepática no diagnóstico. Estudos futuros são necessários para esclarecer melhor o impacto prognóstico da hiperbilirrubinemia na sobrevida livre de progressão e para definir estratégias terapêuticas padronizadas.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade de São Paulo (BR)
Openalex Percentile: Top 56%
Neonatal Health and Biochemistry
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.