HEMOTRANSFUSÃO EM PACIENTES OBSTÉTRICAS – CONDUTA TRANSFUSIONAL DA HPP: QUANDO?

A Hemorragia Pós-Parto (HPP) é a segunda causa de morte no Brasil e a primeira em nível mundial. A HPP é definida como uma perda sanguínea igual ou superior a 500 mL em partos vaginais e a 1000 mL em cesarianas, sendo considerada grave quando, além dessa estimativa de perda sanguínea, há a associação de sinais e sintomas de hipovolemia. A Transfusão Sanguínea (TS) é um componente fundamental no manejo da HPP. No entanto, apesar de sua importância, as diretrizes atuais apresentam limitações quanto à definição do momento ideal para sua indicação. Realizar minireview da literatura das indicações transfusionais da hemorragia pós parto. Revisão de literatura dos últimos 5 anos do manejo transfusional da HPP. Observamos que as decisões transfusionais dos estudos revisados baseiam-se em evidências clinicas subjetivas de sangramentos volumosos, como a estimativa visual de grandes perdas sanguíneas na hora do parto. Já como avaliações mais objetivas, têm-se o tônus uterinos, a Frequência Cardíaca (FC), a Pressão Arterial (PA) e, os sinais e sintomas de instabilidade hemodinâmica, que são indicação clara de TS. A dosagem de Hemoglobina (Hb) pode ser usada para diagnosticar a HPP, sendo recentemente considerada a Hb <10 g/dL como corte. Essa abordagem apresenta limitações, visto que fatores como anemia prévia, morosidade da liberação dos exames e a hemodiluição fisiológica da gestação interferem na avaliação dos resultados. Alguns estudos avaliaram que o Índice de Choque (Shock Index, SI ≥ 1,0), demonstrou valor apenas na identificação de deterioração clínica já estabelecida, atuando como marcador de gravidade, e não como ferramenta de diagnóstico precoce. A única medida efetiva para tratar os casos de HPP grave é a transfusão sanguínea e algumas associações recomendam a indicação de transfusão sanguínea com valores de Hb < 7 g/dL. Todavia, existem diretrizes que consideram essa conduta arbitrária e alertam para o risco de transfusões desnecessárias quando baseada apenas nesse parâmetro. As condutas são baseadas no atendimento ao trauma, devido à falta de estudos específicos em obstetrícia, como a administração simultânea de Concentrado de Hemácias (CH), Plasma Fresco Congelado (PFC) e Concentrado de Plaquetas (CP) na proporção 1:1:1. O concentrado de fibrinogênio e o crioprecipitado são hemocomponentes em investigação devido à sua depleção durante episódios de hemorragia, por isso foi levantada a hipótese de que sua reposição poderia reduzir a extensão do sangramento, porém os estudos realizados até o momento não demonstraram desfechos clínicos favoráveis significativos. As indicações de TS da HPP ainda são amplas, pouco padronizadas e fundamentadas em critérios clínicos subjetivos. Os parâmetros atualmente utilizados para guiar a conduta transfusional revelam limitações importantes e não têm se mostrado eficazes para o diagnóstico precoce ou para a tomada de decisão de forma precisa. Em razão da escassez de ensaios clínicos randomizados recentes, as revisões sistemáticas e meta-análises disponíveis não oferecem evidências robustas o suficiente para sustentar, com segurança, as condutas transfusionais adotadas. Tal situação reforça a necessidade urgente de estudos de alta qualidade metodológica que subsidiem decisões mais seguras, objetivas e embasadas em evidência científica no manejo de TS da HPP.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105408
Primary Topic
Maternal and fetal healthcare
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

HEMOTRANSFUSÃO EM PACIENTES OBSTÉTRICAS – CONDUTA TRANSFUSIONAL DA HPP: QUANDO?

Lucia Lage, Daniele Borges, Rayssa Maia Costa, LFF Marins et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Maternal and fetal healthcare
article

HEMOTRANSFUSÃO EM PACIENTES OBSTÉTRICAS – CONDUTA TRANSFUSIONAL DA HPP: QUANDO?

Lucia Lage, Daniele Borges, Rayssa Maia Costa, LFF Marins, LP Andrade
article en

Abstract

A Hemorragia Pós-Parto (HPP) é a segunda causa de morte no Brasil e a primeira em nível mundial. A HPP é definida como uma perda sanguínea igual ou superior a 500 mL em partos vaginais e a 1000 mL em cesarianas, sendo considerada grave quando, além dessa estimativa de perda sanguínea, há a associação de sinais e sintomas de hipovolemia. A Transfusão Sanguínea (TS) é um componente fundamental no manejo da HPP. No entanto, apesar de sua importância, as diretrizes atuais apresentam limitações quanto à definição do momento ideal para sua indicação. Realizar minireview da literatura das indicações transfusionais da hemorragia pós parto. Revisão de literatura dos últimos 5 anos do manejo transfusional da HPP. Observamos que as decisões transfusionais dos estudos revisados baseiam-se em evidências clinicas subjetivas de sangramentos volumosos, como a estimativa visual de grandes perdas sanguíneas na hora do parto. Já como avaliações mais objetivas, têm-se o tônus uterinos, a Frequência Cardíaca (FC), a Pressão Arterial (PA) e, os sinais e sintomas de instabilidade hemodinâmica, que são indicação clara de TS. A dosagem de Hemoglobina (Hb) pode ser usada para diagnosticar a HPP, sendo recentemente considerada a Hb <10 g/dL como corte. Essa abordagem apresenta limitações, visto que fatores como anemia prévia, morosidade da liberação dos exames e a hemodiluição fisiológica da gestação interferem na avaliação dos resultados. Alguns estudos avaliaram que o Índice de Choque (Shock Index, SI ≥ 1,0), demonstrou valor apenas na identificação de deterioração clínica já estabelecida, atuando como marcador de gravidade, e não como ferramenta de diagnóstico precoce. A única medida efetiva para tratar os casos de HPP grave é a transfusão sanguínea e algumas associações recomendam a indicação de transfusão sanguínea com valores de Hb < 7 g/dL. Todavia, existem diretrizes que consideram essa conduta arbitrária e alertam para o risco de transfusões desnecessárias quando baseada apenas nesse parâmetro. As condutas são baseadas no atendimento ao trauma, devido à falta de estudos específicos em obstetrícia, como a administração simultânea de Concentrado de Hemácias (CH), Plasma Fresco Congelado (PFC) e Concentrado de Plaquetas (CP) na proporção 1:1:1. O concentrado de fibrinogênio e o crioprecipitado são hemocomponentes em investigação devido à sua depleção durante episódios de hemorragia, por isso foi levantada a hipótese de que sua reposição poderia reduzir a extensão do sangramento, porém os estudos realizados até o momento não demonstraram desfechos clínicos favoráveis significativos. As indicações de TS da HPP ainda são amplas, pouco padronizadas e fundamentadas em critérios clínicos subjetivos. Os parâmetros atualmente utilizados para guiar a conduta transfusional revelam limitações importantes e não têm se mostrado eficazes para o diagnóstico precoce ou para a tomada de decisão de forma precisa. Em razão da escassez de ensaios clínicos randomizados recentes, as revisões sistemáticas e meta-análises disponíveis não oferecem evidências robustas o suficiente para sustentar, com segurança, as condutas transfusionais adotadas. Tal situação reforça a necessidade urgente de estudos de alta qualidade metodológica que subsidiem decisões mais seguras, objetivas e embasadas em evidência científica no manejo de TS da HPP.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (BR)
Openalex Percentile: Top 56%
Maternal and fetal healthcare
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.