SARCOMA MIELOIDE PRIMÁRIO DE OVÁRIO COMO APRESENTAÇÃO INCOMUM DE LMA COM T(8;21): RELATO DE CASO

O sarcoma mieloide (SM) é uma forma rara de leucemia mieloide aguda (LMA) que ocorre em locais extramedulares. Pode representar a fase blástica de síndromes mielodisplásicas (SMD) e/ou neoplasias mieloproliferativas (NMPs). O diagnóstico é difícil, especialmente sem leucemia conhecida, exigindo distinção de outras neoplasias hematológicas e tumores sólidos. As localizações mais comuns incluem pele, linfonodos, trato gastrointestinal, ossos e testículos, sendo raro no sistema genital feminino. Este é um relato de caso de SM primário de ovário como manifestação inicial de LMA com t(8;21), baseado em revisão de prontuário e literatura. Paciente feminina, 47 anos, internada em agosto/2021 por aumento abdominal progressivo e oligúria, com histórico de aumento uterino à ultrassonografia desde janeiro. Evoluiu com massa pélvica de crescimento rápido, edema de membros inferiores, astenia, empachamento e perda de peso. Ressonância magnética revelou massa pélvica sólida, presumivelmente ovariana, com áreas císticas, realce heterogêneo, medindo 17×13×15 cm, com invasão de estruturas adjacentes e obstrução ureteral bilateral. Foi realizada biópsia e implantado cateter duplo J. Hemograma mostrou blastos; mielograma revelou 60% de blastos com imunofenótipo positivo para MPO, CD123, CD13, CD19, CD33, CD34, CD38, CD45, CD71, CD81 e HLA-DR. A biópsia da massa foi positiva para MPO, CD117 e CD34 (focal). Cariótipo com 46,X,-X,+8,t(8;21)(q22;q22) e detecção do gene de fusão RUNX1::RUNX1T1 no painel mieloide de sangue periférico. Iniciado tratamento com citarabina e daunorrubicina. Devido à resposta insatisfatória da massa, realizou-se radioterapia (2000 cGy), com redução para 6×5 cm e resolução do hipermetabolismo ao PET-CT. O SM é uma manifestação extramedular da LMA, presente em cerca de 2–8% dos casos. Quando isolado, sem sinais hematológicos iniciais, o diagnóstico é desafiador. A OMS e o ICC reconhecem como neoplasia heterogênea, com ampla variabilidade clínica e molecular. A localização ovariana, como neste caso, é extremamente rara e exige diferenciação de diversos tumores ginecológicos benignos e malignos, linfomas, sarcomas, melanomas e carcinomas indiferenciados. A imunohistoquímica é essencial, especialmente em sítios atípicos. Os marcadores mais relevantes são MPO, CD117, CD68 e CD43, com positividade relatada em 100% para CD43, 85,5% para MPO e 62% para CD117/CD68. A combinação de um marcador mieloide com CD43 ou CD68 aumenta a sensibilidade diagnóstica. Neste caso, a biópsia da massa pélvica foi positiva para MPO, CD117 e CD34, confirmando SM. A LMA foi confirmada por 60% de blastos na medula óssea, imunofenótipo mieloide e presença da t(8;21) com gene de fusão RUNX1::RUNX1T1, evidenciando origem clonal comum entre a lesão extramedular e a medular. A literatura mostra que a resposta extramedular pode ser distinta da medular, apesar da resposta hematológica à quimioterapia, a massa manteve atividade metabólica, sendo necessária radioterapia. O caso ilustra uma forma rara de LMA com t(8;21), inicialmente como massa ovariana, ressaltando a importância da suspeição clínica e investigação hematológica em massas pélvicas atípicas, bem como com papel crucial da imunohistoquímica e da citogenética no diagnóstico e manejo terapêutico.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104656
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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ALL TIME
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SARCOMA MIELOIDE PRIMÁRIO DE OVÁRIO COMO APRESENTAÇÃO INCOMUM DE LMA COM T(8;21): RELATO DE CASO

LL Perruso, Luciano Oliveira Maia, Eduardo Magalhães Rego, Camila da Silva Rodrigues et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

SARCOMA MIELOIDE PRIMÁRIO DE OVÁRIO COMO APRESENTAÇÃO INCOMUM DE LMA COM T(8;21): RELATO DE CASO

LL Perruso, Luciano Oliveira Maia, Eduardo Magalhães Rego, Camila da Silva Rodrigues, Bruno de Oliveira LEMOS, PP Neffá, C Lins Gil de Farias, GL de Aquino Revoredo
article en

Abstract

O sarcoma mieloide (SM) é uma forma rara de leucemia mieloide aguda (LMA) que ocorre em locais extramedulares. Pode representar a fase blástica de síndromes mielodisplásicas (SMD) e/ou neoplasias mieloproliferativas (NMPs). O diagnóstico é difícil, especialmente sem leucemia conhecida, exigindo distinção de outras neoplasias hematológicas e tumores sólidos. As localizações mais comuns incluem pele, linfonodos, trato gastrointestinal, ossos e testículos, sendo raro no sistema genital feminino. Este é um relato de caso de SM primário de ovário como manifestação inicial de LMA com t(8;21), baseado em revisão de prontuário e literatura. Paciente feminina, 47 anos, internada em agosto/2021 por aumento abdominal progressivo e oligúria, com histórico de aumento uterino à ultrassonografia desde janeiro. Evoluiu com massa pélvica de crescimento rápido, edema de membros inferiores, astenia, empachamento e perda de peso. Ressonância magnética revelou massa pélvica sólida, presumivelmente ovariana, com áreas císticas, realce heterogêneo, medindo 17×13×15 cm, com invasão de estruturas adjacentes e obstrução ureteral bilateral. Foi realizada biópsia e implantado cateter duplo J. Hemograma mostrou blastos; mielograma revelou 60% de blastos com imunofenótipo positivo para MPO, CD123, CD13, CD19, CD33, CD34, CD38, CD45, CD71, CD81 e HLA-DR. A biópsia da massa foi positiva para MPO, CD117 e CD34 (focal). Cariótipo com 46,X,-X,+8,t(8;21)(q22;q22) e detecção do gene de fusão RUNX1::RUNX1T1 no painel mieloide de sangue periférico. Iniciado tratamento com citarabina e daunorrubicina. Devido à resposta insatisfatória da massa, realizou-se radioterapia (2000 cGy), com redução para 6×5 cm e resolução do hipermetabolismo ao PET-CT. O SM é uma manifestação extramedular da LMA, presente em cerca de 2–8% dos casos. Quando isolado, sem sinais hematológicos iniciais, o diagnóstico é desafiador. A OMS e o ICC reconhecem como neoplasia heterogênea, com ampla variabilidade clínica e molecular. A localização ovariana, como neste caso, é extremamente rara e exige diferenciação de diversos tumores ginecológicos benignos e malignos, linfomas, sarcomas, melanomas e carcinomas indiferenciados. A imunohistoquímica é essencial, especialmente em sítios atípicos. Os marcadores mais relevantes são MPO, CD117, CD68 e CD43, com positividade relatada em 100% para CD43, 85,5% para MPO e 62% para CD117/CD68. A combinação de um marcador mieloide com CD43 ou CD68 aumenta a sensibilidade diagnóstica. Neste caso, a biópsia da massa pélvica foi positiva para MPO, CD117 e CD34, confirmando SM. A LMA foi confirmada por 60% de blastos na medula óssea, imunofenótipo mieloide e presença da t(8;21) com gene de fusão RUNX1::RUNX1T1, evidenciando origem clonal comum entre a lesão extramedular e a medular. A literatura mostra que a resposta extramedular pode ser distinta da medular, apesar da resposta hematológica à quimioterapia, a massa manteve atividade metabólica, sendo necessária radioterapia. O caso ilustra uma forma rara de LMA com t(8;21), inicialmente como massa ovariana, ressaltando a importância da suspeição clínica e investigação hematológica em massas pélvicas atípicas, bem como com papel crucial da imunohistoquímica e da citogenética no diagnóstico e manejo terapêutico.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
D’Or Institute for Research and Education (BR)
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Acute Myeloid Leukemia Research
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