EVENTOS ADVERSOS ASSOCIADOS À TRANSFUSÃO DE SANGUE NO ESTADO DO PARÁ ENTRE 2020 E 2024

A hemotransfusão é um procedimento da prática clínica moderna de alta relevância terapêutica no tratamento de anemias graves, traumas e intervenções cirúrgicas, que consiste na transferência de sangue ou seus componentes (hemácias, plaquetas, crioprecipitado ou plasma) de um doador para um paciente. Apesar de haver protocolos de segurança fundamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para este tratamento, existem riscos. Dentre os eventos adversos (EA) desta terapia, sobressaem-se as reações transfusionais. Descrever o perfil epidemiológico dos eventos adversos (EA) associados a reações transfusionais notificadas no estado do Pará entre os anos de 2020 e 2024. Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal e quantitativo, utilizando dados secundários do Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária (NOTIVISA), dispostos no painel de notificações em hemovigilância. A análise incluiu notificações em situação concluída e não concluída no Estado do Pará, entre os anos de 2020 e 2024. As principais variáveis abordadas foram o hemocomponente envolvido, tipo de reação, ano, gravidade e faixa etária. No período analisado, foram registradas 2.303 notificações de eventos adversos no estado, sendo 2.019 (87,67%) referentes a reações transfusionais, 210 (9,12%) a incidentes graves sem reação adversa e 74 (3,21%) a quase-erros graves. O concentrado de hemácias foi o hemocomponente mais frequentemente associado aos efeitos adversos, seguido pelo concentrado de plaquetas. Entre as reações transfusionais, destacaram-se as reações febris não hemolíticas (RFNH) e as reações alérgicas (ALG), com 645 e 626 registros, respectivamente. A análise temporal evidenciou que 2021 concentrou o maior número de casos (636; 31,50%), enquanto 2020 apresentou o menor (221; 10,94%). Quanto à gravidade, 1.649 (81,67%) foram classificadas como leves (grau I), 284 (14,07%) como moderadas (grau II) e 76 (3,76%) como graves (grau III); 0,5% corresponderam a reações de grau IV, que evoluíram para óbito. Em relação à faixa etária, o grupo mais acometido foi o de 20 a 29 anos (303 notificações) e o menos afetado, o de 5 a 9 anos (146 casos). Em suma, no período foram registradas 2.303 notificações de eventos adversos no estado, das quais 2.019 foram reações transfusionais. O ano de 2021 concentrou o maior número de casos, e a faixa etária mais acometida foi a de 20 a 29 anos. A maioria das reações foi classificada como grau leve, sendo a reação febril não hemolítica a mais frequente. O concentrado de hemácias foi o hemocomponente mais associado aos efeitos adversos. Dessa forma, conclui-se que a hemovigilância é fundamental para a identificação e prevenção de complicações transfusionais, reforçando a importância da capacitação profissional, do incentivo à notificação e da integração dos sistemas de vigilância para garantia da segurança do paciente.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105736
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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OCT
article

EVENTOS ADVERSOS ASSOCIADOS À TRANSFUSÃO DE SANGUE NO ESTADO DO PARÁ ENTRE 2020 E 2024

F Da Silva, Hugo da Costa Ribeiro, A.J.M. Queiroz, Susana Antunes et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

EVENTOS ADVERSOS ASSOCIADOS À TRANSFUSÃO DE SANGUE NO ESTADO DO PARÁ ENTRE 2020 E 2024

F Da Silva, Hugo da Costa Ribeiro, A.J.M. Queiroz, Susana Antunes, AAS Abdon
article en

Abstract

A hemotransfusão é um procedimento da prática clínica moderna de alta relevância terapêutica no tratamento de anemias graves, traumas e intervenções cirúrgicas, que consiste na transferência de sangue ou seus componentes (hemácias, plaquetas, crioprecipitado ou plasma) de um doador para um paciente. Apesar de haver protocolos de segurança fundamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para este tratamento, existem riscos. Dentre os eventos adversos (EA) desta terapia, sobressaem-se as reações transfusionais. Descrever o perfil epidemiológico dos eventos adversos (EA) associados a reações transfusionais notificadas no estado do Pará entre os anos de 2020 e 2024. Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal e quantitativo, utilizando dados secundários do Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária (NOTIVISA), dispostos no painel de notificações em hemovigilância. A análise incluiu notificações em situação concluída e não concluída no Estado do Pará, entre os anos de 2020 e 2024. As principais variáveis abordadas foram o hemocomponente envolvido, tipo de reação, ano, gravidade e faixa etária. No período analisado, foram registradas 2.303 notificações de eventos adversos no estado, sendo 2.019 (87,67%) referentes a reações transfusionais, 210 (9,12%) a incidentes graves sem reação adversa e 74 (3,21%) a quase-erros graves. O concentrado de hemácias foi o hemocomponente mais frequentemente associado aos efeitos adversos, seguido pelo concentrado de plaquetas. Entre as reações transfusionais, destacaram-se as reações febris não hemolíticas (RFNH) e as reações alérgicas (ALG), com 645 e 626 registros, respectivamente. A análise temporal evidenciou que 2021 concentrou o maior número de casos (636; 31,50%), enquanto 2020 apresentou o menor (221; 10,94%). Quanto à gravidade, 1.649 (81,67%) foram classificadas como leves (grau I), 284 (14,07%) como moderadas (grau II) e 76 (3,76%) como graves (grau III); 0,5% corresponderam a reações de grau IV, que evoluíram para óbito. Em relação à faixa etária, o grupo mais acometido foi o de 20 a 29 anos (303 notificações) e o menos afetado, o de 5 a 9 anos (146 casos). Em suma, no período foram registradas 2.303 notificações de eventos adversos no estado, das quais 2.019 foram reações transfusionais. O ano de 2021 concentrou o maior número de casos, e a faixa etária mais acometida foi a de 20 a 29 anos. A maioria das reações foi classificada como grau leve, sendo a reação febril não hemolítica a mais frequente. O concentrado de hemácias foi o hemocomponente mais associado aos efeitos adversos. Dessa forma, conclui-se que a hemovigilância é fundamental para a identificação e prevenção de complicações transfusionais, reforçando a importância da capacitação profissional, do incentivo à notificação e da integração dos sistemas de vigilância para garantia da segurança do paciente.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade da Amazônia (BR), Universidade do Estado do Pará (BR)
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Blood donation and transfusion practices
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