LINFOMA FOLICULAR VARIANTE 3B: PERFIL CLÍNICO-TERAPÊUTICO E SOBREVIDA DE UMA COORTE RETROSPECTIVA EM CENTRO ÚNICO BRASILEIRO

O linfoma folicular (LF) é o segundo subtipo mais frequente de linfomas não Hodgkin (LNH) em países ocidentais, representando cerca de 20–30% dos casos. A variante grau 3B apresenta comportamento clínico mais agressivo, com características histológicas e prognósticas semelhantes ao linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), justificando a adoção de esquemas de tratamento para linfomas agressivos. Embora existam dados robustos para LF graus 1–3A, a literatura sobre o grau 3B é escassa, especialmente no cenário brasileiro, dificultando a definição de estratégias terapêuticas ideais. Este estudo descreve o perfil clínico, terapêutico e evolutivo de uma coorte nacional de pacientes com LF grau 3B. Estudo observacional retrospectivo envolvendo pacientes com diagnóstico histológico confirmado de LF grau 3B atendidos em centro de referência. Foram coletados dados demográficos, clínicos, laboratoriais, estadiamento segundo Ann Arbor, estratificação prognóstica pelo FLIPI, resposta ao tratamento, sobrevida global (SG) e follow-up. As análises de sobrevida foram realizadas pelo método de Kaplan–Meier, considerando SG em 3 e 5 anos. Foram incluídos 11 pacientes, 4 homens (36,4%) e 7 mulheres (63,6%), com média de idade de 55,8 anos (mediana: 54). Estadiamento clínico revelou 4 casos (36,4%) em estágio III e 6 (54,5%) em estágio IV. Doença bulky esteve presente em 7 pacientes (63,6%). Nove (81%) apresentavam DHL elevada. FLIPI foi 0–1 em 1 paciente (9%), 2 em 5 (45%) e 3–4 em 5 (45%). Hepatite B crônica (HBsAg positivo) e hepatite C (anti-HCV positivo) foram identificadas em um paciente cada. Quanto à resposta ao tratamento, 9 pacientes (81,8%) obtiveram resposta completa e 1 (9,1%) resposta parcial. A SG média foi de 5,32 anos (mediana: 4,2 anos). As taxas de SG em 3 e 5 anos foram 54,5% e 45,5%, respectivamente. O follow-up médio foi de 5,32 anos. O perfil clínico da coorte, com predomínio de estádios avançados e alta frequência de doença bulky, é consistente com séries internacionais de LF grau 3B. A taxa de resposta completa observada (81,8%) é compatível com estudos que empregam esquemas imunquimioterápicos análogos aos utilizados para LDGCB. Entretanto, as taxas de SG em 3 e 5 anos foram inferiores às relatadas em algumas séries internacionais, possivelmente refletindo características basais de alto risco, tamanho reduzido da amostra e potenciais diferenças de acesso a terapias de resgate. A presença de comorbidades infecciosas crônicas (HBV e HCV) reforça a necessidade de rastreamento e manejo profilático durante a quimioterapia. O LF grau 3B apresentou-se nesta coorte com elevada carga tumoral, DHL frequentemente elevada e prognóstico menos favorável em relação ao LF de baixo grau. O tratamento baseado em esquemas para linfomas agressivos resultou em altas taxas de resposta inicial, mas com queda significativa da sobrevida em 5 anos, compatível com descrito em literatura. Estudos multicêntricos nacionais são necessários para melhor compreensão dos fatores prognósticos e otimização do manejo desta variante rara.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104752
Primary Topic
Lymphoma Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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article

LINFOMA FOLICULAR VARIANTE 3B: PERFIL CLÍNICO-TERAPÊUTICO E SOBREVIDA DE UMA COORTE RETROSPECTIVA EM CENTRO ÚNICO BRASILEIRO

António J. Ribeiro, Márcia Bandeira, J Sobreira, JF Campos et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Lymphoma Diagnosis and Treatment
article

LINFOMA FOLICULAR VARIANTE 3B: PERFIL CLÍNICO-TERAPÊUTICO E SOBREVIDA DE UMA COORTE RETROSPECTIVA EM CENTRO ÚNICO BRASILEIRO

António J. Ribeiro, Márcia Bandeira, J Sobreira, JF Campos, G.P. Di Rosa, J. SOUZA, DE Fujimoto, L. C. Brito, Sul Do Brasil, MF Passolongo, MC Purini, AC Podanoschi Veronez
article en

Abstract

O linfoma folicular (LF) é o segundo subtipo mais frequente de linfomas não Hodgkin (LNH) em países ocidentais, representando cerca de 20–30% dos casos. A variante grau 3B apresenta comportamento clínico mais agressivo, com características histológicas e prognósticas semelhantes ao linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), justificando a adoção de esquemas de tratamento para linfomas agressivos. Embora existam dados robustos para LF graus 1–3A, a literatura sobre o grau 3B é escassa, especialmente no cenário brasileiro, dificultando a definição de estratégias terapêuticas ideais. Este estudo descreve o perfil clínico, terapêutico e evolutivo de uma coorte nacional de pacientes com LF grau 3B. Estudo observacional retrospectivo envolvendo pacientes com diagnóstico histológico confirmado de LF grau 3B atendidos em centro de referência. Foram coletados dados demográficos, clínicos, laboratoriais, estadiamento segundo Ann Arbor, estratificação prognóstica pelo FLIPI, resposta ao tratamento, sobrevida global (SG) e follow-up. As análises de sobrevida foram realizadas pelo método de Kaplan–Meier, considerando SG em 3 e 5 anos. Foram incluídos 11 pacientes, 4 homens (36,4%) e 7 mulheres (63,6%), com média de idade de 55,8 anos (mediana: 54). Estadiamento clínico revelou 4 casos (36,4%) em estágio III e 6 (54,5%) em estágio IV. Doença bulky esteve presente em 7 pacientes (63,6%). Nove (81%) apresentavam DHL elevada. FLIPI foi 0–1 em 1 paciente (9%), 2 em 5 (45%) e 3–4 em 5 (45%). Hepatite B crônica (HBsAg positivo) e hepatite C (anti-HCV positivo) foram identificadas em um paciente cada. Quanto à resposta ao tratamento, 9 pacientes (81,8%) obtiveram resposta completa e 1 (9,1%) resposta parcial. A SG média foi de 5,32 anos (mediana: 4,2 anos). As taxas de SG em 3 e 5 anos foram 54,5% e 45,5%, respectivamente. O follow-up médio foi de 5,32 anos. O perfil clínico da coorte, com predomínio de estádios avançados e alta frequência de doença bulky, é consistente com séries internacionais de LF grau 3B. A taxa de resposta completa observada (81,8%) é compatível com estudos que empregam esquemas imunquimioterápicos análogos aos utilizados para LDGCB. Entretanto, as taxas de SG em 3 e 5 anos foram inferiores às relatadas em algumas séries internacionais, possivelmente refletindo características basais de alto risco, tamanho reduzido da amostra e potenciais diferenças de acesso a terapias de resgate. A presença de comorbidades infecciosas crônicas (HBV e HCV) reforça a necessidade de rastreamento e manejo profilático durante a quimioterapia. O LF grau 3B apresentou-se nesta coorte com elevada carga tumoral, DHL frequentemente elevada e prognóstico menos favorável em relação ao LF de baixo grau. O tratamento baseado em esquemas para linfomas agressivos resultou em altas taxas de resposta inicial, mas com queda significativa da sobrevida em 5 anos, compatível com descrito em literatura. Estudos multicêntricos nacionais são necessários para melhor compreensão dos fatores prognósticos e otimização do manejo desta variante rara.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Lymphoma Diagnosis and Treatment
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